ANTÓNIO BRACONS, SOBRE O SILÊNCIO

Exposição no m|i|mo – Museu da Imagem em Movimento, em Leiria, de 20 de junho a 30 de agosto de 2026.

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Hoje apresento a minha exposição “Sobre o Silêncio”, que se encontra patente no m|i|mo – Museu da Imagem em Movimento, em Leiria, até 30 de agosto de 2026.

Esta exposição tem para mim um significado muito especial, pois nasci em Leiria. Embora tenha saído de Leiria com poucos meses, sinto uma ligação afetiva a esta cidade. Por outro lado, o m|i|mo: um espaço muito agradável, muito bem concebido, luminoso, com uma aparente amplitude e um espólio vasto e valioso. Um museu dedicado à imagem em movimento, mas também à imagem fixa: a fotografia. Ao longo dos anos tem em vários dos seus espaços mostrado simultaneamente diversas exposições, sobretudo de autores portugueses, muitos dos quais leirienses.

Atual e paralelamente à minha exposição, que ‘abre’ a sala dos arcos, à direita da entrada, frente à exposição permanente, pode também ser vista “A luz do meu lugar”, de Jorge Bacelar (até 23 de agosto, no espaço magnífico das antigas cavalariças) e “Foto Fabião”, sobre este fotógrafo que durante mais de 50 anos fez parte da vida da cidade, que inaugurou  a 6 de junho, na reabertura do Museu após as obras de recuperação na sequência dos danos causados pela tempestade Kristin, de 28 de janeiro.

Permitam-me também agradecer todo o empenho da diretora do m|i|mo e curadora da exposição, Catarina Mateus, e de toda a equipa, pelo cuidado e profissionalismo na montagem da exposição, com atenção aos mais ínfimos detalhes.

O m|i|mo é um mimo.

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Na folha de sala lemos:

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Sobre o Silêncio

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Silêncio da fotografia. Uma das suas qualidades mais preciosas (…) Quaisquer que sejam os rumores ou a violência que a rodeiam, a foto­grafia restitui o objeto na imobilidade e em silêncio.

Jean Baudrillard

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Fazer silêncio, estar em silêncio, sentir-me em silêncio.

Fazer silêncio, estar em silêncio pode ser uma atitude exterior; sentir-me em silêncio é um estado interior.

Serenar, pacificar interiormente, sem ter o pensamento centrado em algo, não deixando que nenhum ruído exterior interfira, concentrando os meus sentidos nesse silêncio, nessa escuta, numa disponibilidade e indiferença de não querer, à partida, mais isto ou aquilo. Não estar distraído, não estar preocupado.

Só o silêncio permite uma escuta interior.

O silêncio não é uma realidade em si, mas uma relação com o mundo. “É uma certa modalidade de sentido.” “O silêncio instala no mundo uma dimensão própria (…) [na qual] o tempo passa aí sem pressa”, convidando ao repouso, à meditação, ao retorno sobre si mesmo.[1]

O silêncio não é, necessariamente, a ausência de som. Na natureza há sempre um qualquer som.

O silêncio interior quer – precisa de – e cria uma paz interior. Sem essa paz interior não há silêncio. Mesmo no meio da confusão ou da perturbação, é possível criar essa paz; mas sem dúvida é mais fácil quando há silêncio exte­rior: ausência de ruído, e também um ambiente propício.

São tantos os ruídos que nos rodeiam. Enche­mos o nosso espaço – e o nosso tempo – de coisas e ruídos.

Por isso, destaca José Tolentino Mendonça, “Creio que é absolutamente ur­gente revisitarmos com outro apreço os territórios dos nossos silêncios e fa­zermos deles lugares de troca, de diálogos, de encontros. O silêncio é um instrumento de construção, é uma lente, uma alavanca. (…) O silêncio é um traço de união mais frequente do que se imagina, e mais fecundo do que se julga.” [2]

O fotógrafo é também uma pessoa de silêncio.

O próprio ato de fotografar, em si, é, tantas vezes, um ato de silêncio. É cada um, um todo que está no ato de fotografar.

É também, cada um, um todo que está no ato de ver a fotografia. Há silêncio quando se vê uma fotografia. Um silêncio interior que se abre para ver aquela imagem, para escutar a imagem.

E, tantas vezes, o silêncio fica depois de ver uma imagem.

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António Bracons

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[1] David Le Breton, Do silêncio, Lisboa: Instituto Piaget, 1999

[2] José Tolentino Mendonça, Nenhum caminho será longo, Prior Velho: Paulinas Editora, 2012.

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Gil Lemos, Inauguração, aspetos da exposição, 20.06.2026

Com Catarina Mateus, diretora do m|i|mo e Pedro Cordeiro, adjunto da vereadora da Educação e Cultura da Câmara Municipal de Leiria.

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2026

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A exposição “Sobre o silêncio”, de António Bracons, com curadoria de Catarina Mateus, está patente no m|i|mo – Museu da Imagem em Movimento, no Largo de S. Pedro, na Cerca do Castelo, em Leiria, de 20 de junho a 30 de agosto de 2026.

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António Bracons, Sobre o Silêncio, 2026 (2.ª edição, capa)

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Sobre o livro “Sobre o Silêncio” de António Bracons, aqui (1.ª edição) e aqui (2.ª edição, apresentação de Carla de Sousa).

Sobre a exposição e o ensaio “O Silêncio da Fotografia”, no FF, aqui.

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Pode conhecer mais sobre o autor, aqui.

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