ANTÓNIO BRACONS, SOBRE O SILÊNCIO, 2026
Esta 2.ª edição do livro foi apresentada no m|i|mo – Museu da Imagem em Movimento, em Leiria, em 20 de junho de 2026, no âmbito da exposição, que se prolonga até 30 de agosto.
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António Bracons
Sobre o Silêncio
Fotografia e ensaios: António Bracons
Odivelas: Autor / 2.ª edição, junho . 2026
Português / 15,9 x 23,0 cm / 84 pp., não numeradas
Capa mole / 200 exemplares, numerados (151-350) e assinados pelo autor
Capa em Conqueror Wove Oyster 280 gr/m2, míolo em papel Munken White 150 gr/m2 1.8.
ISBN: 9789893311561
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A minha exposição “Sobre o silêncio”, que inaugurou no passado dia 20 de junho no m|i|mo – Museu da Imagem em Movimento, em Leiria, foi o pretexto que me levou a reeditar este livro, cuja primeira edição já se encontra esgotada.
O livro reúne as fotografias da série, que se apresentam na exposição e, de seguida (depois de uma pausa) os ensaios “Algumas reflexões sobre o silêncio” e “O silêncio da fotografia”.
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Na sequência da inauguração da exposição, foi apresentado o livro pela fotógrafa Carla de Sousa, a quem agradeço mais uma vez. Trago aqui hoje o seu ensaio sobre a obra:
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“Sobre o Silêncio”, de António Bracons
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O silêncio é um vínculo que une.
José Tolentino Mendonça
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Há temas que devem resistir ao excesso de palavras. O silêncio é claramente um deles. Por isso vou tentar ser concisa, ainda que inevitavelmente subjectiva.
Mais do que tomar o silêncio como assunto, António Bracons procura, nesta sua obra, aproximar-se dele como uma condição do olhar. Não se trata de representar o silêncio, mas de criar as condições para a sua experiência: uma experiência de atenção, de presença e de relação mais demorada com o visível.
As imagens que compõem este ensaio, o seu ritmo e a sua sequência, pontuada por páginas em branco, criam um espaço onde o observador é convidado a desacelerar o ritmo habitual da percepção. Um modo de atenção que permite que o mundo se revele para além da sua evidência imediata.
As imagens não se apresentam como afirmações. Insinuam, escutam, permanecem, resistem à fixação de um sentido único.
Falar de silêncio implica, neste contexto, falar também de uma experiência de interioridade. Não como fechamento, mas antes como abertura, disponibilidade para observar o que nos rodeia. O silêncio não se reduz, por conseguinte, a uma ausência de som: é antes um modo de atenção que devolve densidade, consciência e presença ao que se revela. O alinhamento das imagens segue, de perto, essa tensão entre presença e suspensão, procurando um interstício no qual algo se forma antes de se tornar visível ou dizível.
Nesse limiar, a dimensão espiritual do seu trabalho torna-se mais evidente. Bracons propõe-nos habitar o mundo sem o reduzir à sua imediata legibilidade. Pede-nos uma suspensão da voracidade interpretativa que tantas vezes caracteriza o nosso modo de ver.
Bracons não se limita às imagens que nos projectam para esse estado de silêncio interior. Do espaço natural ao espaço humano, abre-se lugar a um espaço de pensamento. É aí que as suas reflexões encontram lugar, conduzindo-nos por outros caminhos de escuta visual e ampliando o campo da experiência para um outro nível de imagens – as imaginadas.
Recordo a este propósito Peter Mendelsund que, em O que vemos quando lemos[1], sublinha a natureza profundamente imagética da leitura, lembrando-nos que a história da leitura também “é uma história de imagens e de imaginação”.
Embuída, na minha leitura, por este pressuposto, Bracons leva-nos pelo olhar e pela escrita, através da sua experiência pessoal do silêncio interior – um estado de paz, serenidade e oração deliberadamente cultivado.
Neste ponto, convoca obras e autores que habitam essa mesma região sensível: a peça silenciosa 4’33’’ de John Cage, o filme O Grande Silêncio de Philip Gröning. E, de seguida, reflecte sobre o fotógrafo como sujeito dessa experiência silenciosa: “o fotógrafo é também uma pessoa de silêncio”. Li esta afirmação como uma chave de leitura para muitas das imagens e reflexões que compõem o ensaio. O silêncio nunca surge como uma ausência, é sempre uma condição. Uma disposição para ver.
As suas referências a Jean Baudrillard, Paulo Nozolino, Elliott Erwitt, Graciela Iturbide, Henri Cartier-Bresson ou Ansel Adams desenham, ali, um campo de ressonâncias: um território onde diferentes formas de ver, pensar e escutar o mundo se cruzam e confluem. Une-as, creio, a convicção de que o acto fotográfico não depende daquilo que se vê, mas da densidade da atenção com que se vê.
Lê-lo, nesse seu raciocínio, conduz-nos a um segundo momento de suspensão: já não apenas o das imagens, mas o que decorre da sua própria reflexão sobre o silêncio e o fotógrafo enquanto sujeito atento ao mundo. Abre-se então uma dimensão do imaginário onde as suas evocações se recompõem, se reordenam e emergem sob outro espectro de sentido.
Num tempo marcado pela circulação acelerada de imagens, pela sua profusão e pela erosão da experiência contemplativa, Sobre o Silêncio não nos propõe apenas um conjunto ordenado de imagens, mas uma forma de atenção. Uma possibilidade de reencontro com a lentidão e com a tessitura do visível.
Talvez seja essa a sua proposição mais exigente: recordar-nos que ver não é apenas reconhecer, mas permanecer.
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Carla de Sousa, 20 de junho de 2026.
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[1] MENDELSUND, Peter, O Que Vemos Quando Lemos, Lisboa, Elsinore, 2015, p. 8.
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António Bracons, Sobre o Silêncio, 2026
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Gil, Aspetos da apresentação de Sobre o Silêncio, Carla de Sousa e António Bracons, 20.06.2026
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A exposição “Sobre o silêncio”, de António Bracons, está patente no m|i|mo – Museu da Imagem em Movimento, no Largo de S. Pedro, na Cerca do Castelo, em Leiria, de 20 de junho a 30 de agosto de 2026.
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O custo do livro é 20,00 €, a que acrescem os portes (5,00 € em correio registado). Se está interessado, contacte-me aqui.
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Pode conhecer melhor o trabalho de Carla de Sousa, no FF, aqui, no seu site, aqui.
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