RITA BARROS, HYPEROSMIA

Exposição no Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico, de 24 de abril a 19 de setembro de 2026.

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Rita Barros reside no Chelsea Hotel em Nova lorque desde 1984, toma como pretexto uma série de episódios vividos neste emblemático lugar para desenvolver um projeto fotográfico que intitulou Hyperosmia. Estes acontecimentos aparentemente triviais, revelaram-se tão impactantes e perturbadores para a artista que desencadearam uma sucessão de reações que acabaram por se transformar num exercício conceptual sobre a (in)capacidade de captar e lidar com um “cheiro ofensivo”.

Esta exposição reúne pela primeira vez a série fotográfica impressa a jato de tinta para arquivo, e o livro de artista, em concertina, com 16 imagens impressas também a jato de tinta para arquivo, produzidos em 2024.

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Hyperosmia

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2 da manhã, acordo com um cheiro estonteante a alho frito. No dia seguinte, o mesmo, aconteceu, e assim de seguida. Era bastante desorientador e extremamente desagradável.

Como não vivo por cima de um restaurante e o meu apartamento não dá para a rua, pensei que a única explicação seria a presença de um novo vizinho. Mas quem, de perfeito juízo, poderia estar a fritar alho tão cedo? Algumas manhãs, o cheiro desagradável parecia vir do corredor, noutras, das janelas. À tarde, fundia-se com odores de carne assada. Para alguém que cozinha muito pouco, isto era quase como viver no inferno. As minhas roupas cheiravam e tudo o que tocava tinha uma sensação de alho/sujo.

Uma vez que o mau cheiro se instalava, era difícil livrar-me dele. Tentei queimar velas, incenso e usar sprays perfumados para mudar o ar, mas não adiantou. Contactei a recepção, e ninguém parecia capaz de resolver o problema. Decidi então ligar o ar condicionado. Ajudou um pouco, mas não era a melhor ideia no meio do inverno.

Tentando seguir o cheiro, abri a janela e olhei para cima descobrindo uma nova instalação mecânica no telhado, não muito longe da minha janela. Revelou-se ser o extrator de cozinha do novo restaurante no rés-do-chão e que era a fonte de todos os meus pesadelos.

Nunca tinha lidado com este tipo de agressão. A sensação de estar a ser atacada por forças invisíveis que impedem a respiração. Para o som, existem tampões, mas nada comparável para o olfato.

Esta é a história de fundo para esta série, cujo desafio era fotografar algo invisível. Não se pode tocar ou ver um cheiro ofensivo, mas pode-se experimentá-lo de uma forma física, seja positiva ou negativa.

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Rita Barros, WC, 2024

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Rita Barros, Hyperosmia

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2026

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A exposição de Rita Barros, “Hyperosmia”, com curadoria de Sofia Castro, está patente no Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico, na Rua da Palma, 246, de 24 de abril a 19 de setembro de 2026.

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António Bracons, Rita Barros, 04.2026

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Rita Barros, Lisboa (1957), vive em Nova lorque desde 1980.

Tem um mestrado em “Art in Media: Studio Art”, pela New York University e um BA em fotografia pela State University of New York.

É professora de fotografia no departamento Art and Art Professions da NYU.

A sua primeira exposição foi em 1987 no PS 1 Contemporary Arts Center (MOMA), NY. Desde então a sua obra fotográfica, de vídeo e livros de artista tem sido exposta regularmente em várias instituições salientando-se: Encontros de Fotografia de Coimbra (P); Centro Português de Fotografia (P); Wilfredo Lam Contemporary Art Museum, Havana (Cuba); Museu da Electricidade, Lisboa (P); Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (Brasil); Museu de Serralves, Porto (P); Baltimore Contemporary Art Museum (USA); International Center of Photography, NY (USA); Kohler Arts Center, Wisconsin (USA); Royal Academy ofArts, Londres (UK); Fundação Gulbenkian, Paris (F); Museu de Arte Contemporanea de Madrid (E); Center for Photography of Woodstock, NY (USA), Anthology Film Archives, NY (USA).

0 seu arquivo de retratos de escritores, músicos e artistas (representado pela Getty Images) é publicado regularmente na imprensa internacional.

Na sua bibliografia constam as seguintes monografias: “Quinze Anos: Chelsea Hotel”, Câmara Municipal de Lisboa, 1999; “BoHemia Life and Death in the Chelsea Hotel” com Jorge Calado, IST Press, 2015; “Rita Barros “Coleção Ph #12”, Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2023.

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Pode conhecer melhor a obra de Rita Barros no FF, aqui.


Ao visitar esta exposição, também pode visitar “Fotografias 1956-2005”, de Gérard Castello-Lopes, no FF, aqui e “Lisboa para ti” de Georges Dussaud, no FF, aqui.

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Cortesia: Rita Barros, Arquivo Municipal de Lisboa ! Fotográfico.

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