PEDRO MEDEIROS, ESTRELA DE SEIS PONTAS

Exposição integrada no Imago Lisboa Photo Festival, no Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico, de 15 de outubro de 2025 a 14 de março de 2026.

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É uma sala negra que acolhe as imagens a preto e branco de Pedro Medeiros. Os focos de luz iluminam as imagens, pontos de brancos e cinzas e pretos ao longo do escuro das paredes e do teto e, por reflexo, do chão.

É uma sensação de isolamento, de privação, de ausência.

Pedro Medeiros conduz-nos assim ao interior (e a algum exterior) do Estabelecimento Prisional de Lisboa, cujas seis alas que irradiam da torre central configuram uma estrela de seis pontas.

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Escrevo com luz e sombra; cada uma destas fotografias é uma página que ofereço ao vosso olhar, que só se liberta e completa através da leitura livre e das interrogações que vos vão provocar. Jogo de espelhos ou janelas sobre muros que habitualmente não transpomos. A fronteira deste silêncio já está aberta e será o vosso juízo a traçar o rumo em direção a esta Estrela de Seis Pontas.

Pedro Medeiros

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Pedro Medeiros, Estrela de seis pontas

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O tema complexo do isolamento e do silêncio em espaços prisionais foi historicamente central na procura de um modelo de punição e controle através do qual o sistema judicial português, seguindo o exemplo de outros sistemas jurídicos ocidentais, acreditava ser possível induzir o individuo julgado e condenado a uma introspeção profunda e transformação moral, que possibilitassem uma mudança de comportamento, arrependimento e reabilitação.

Para o fotógrafo Pedro Medeiros o interesse por este tema foi desencadeado em 1999, no contexto de uma viagem de trabalho ao Arquivo Nacional de Cabo Verde/ Instituto do Arquivo Histórico, na Ilha de Santiago, quando decidiu visitar o Campo de Concentração do Tarrafal.

A impressão e o choque que sentiu impulsionou o desenvolvimento de um périplo sobre o tema das Prisões Políticas do Estado Novo, no qual trabalhou até 2006, e resultou na realização da exposição e livro “Voz do Silêncio – Prisões Políticas Portuguesas”. (…)

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Escreve Filipe Ribeiro:

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A exposição ESTRELA DE SEIS PONTAS teve a sua génese no outono de 2019 com o pedido dirigido pelo fotógrafo Pedro Medeiros ao diretor-geral da Reinserção e Serviços Prisionais para uma criação fotográfica no interior do Estabelecimento Prisional de Lisboa, que decorreu em várias visitas ao longo de dois anos, 2020 e 2021.

Numa segunda fase, de 2022 ao presente, o autor deu continuidade ao trabalho anterior, mas já fora da “dimensão física” da prisão, criando novas provas fotográficas que integram esta exposição, permitindo o acesso a um espaço oculto ao nosso olhar quotidiano, onde a arquitetura assume um papel de protagonismo silencioso e disciplinar, suspenso num tempo que caminha paralelo ao nosso, mas composto de relações complexas e que importa interrogar entre vigilância, poder, corpo, lugar e sociedade.
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O tema complexo do isolamento e do silêncio em espaços prisionais foi historicamente central na procura de um modelo de punição e controle através do qual o sistema judicial português, seguindo o exemplo de outros sistemas jurídicos ocidentais, acreditava ser possível induzir o individuo julgado e condenado a uma introspeção profunda e transformação moral, que possibilitassem uma mudança de comportamento, arrependimento e reabilitação.

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2025

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A exposição de Pedro Medeiros, “Estrela de seis pontas”, com curadoria de Filipe Ribeiro e Sofia Castro, integrada no Imago Lisboa Photo Festival, encontra-se no Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico, na Rua da Palma, 246, de 15 de outubro de 2025 a 14 de março de 2026 (prolongado).

Dia 6 de março às 18:00, lançamento do livro e visita guiada à exposição.

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Pedro Medeiros, Sem título (Auto-retrato), Lisboa, 2019

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Pedro Medeiros. Nasceu em Fevereiro de 1969.

Entre 1993 e 1999, foi membro do Centro de Estudos de Fotografia e dos Encontros de Fotografia de Coimbra.

Em 1997 ingressou na Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual e na Escola de Fotografia MauMaus, em Lisboa, prosseguindo os seus estudos em Inglaterra no London College of Printing (2000-2001), como Bolseiro do Ministério da Cultura / Centro Português de Fotografia.

Fotógrafo freelancer desde 1999. Viveu e trabalhou em Londres, Inglaterra, entre 1999 e 2001, e em Quioto, Japão, entre 2015 e 2017.

Expõe desde 1997, tendo realizado exposições em Portugal, Espanha, Brasil, América do Norte, Inglaterra, Grécia, Ucrânia, Japão, Dinamarca, Holanda, Polónia, França, África do Sul, China.

É autor de vários livros e monografias. Está representado em coleções públicas e privadas, nomeadamente: Ministério da Cultura / Centro Português de Fotografia, Coleção Nacional de Fotografia; CAV Centro de Artes Visuais – Encontros de Fotografia; CAPC – Círculo de Artes Plásticas de Coimbra; Coleção de Arte Contemporânea do Estado – Centro de Arte Contemporânea de Coimbra (CACC); Coleção de Arte Moderna e Contemporânea — Norlinda e José Lima; AA Contemporary Art Collection – Colecção de Arte Contemporânea de Ana Cristina e António Albertino; Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico; Ministério da Cultura – Direção Regional de Cultura do Centro; Ministério da Justiça – Direção Geral dos Serviços Prisionais; Embaixada de Portugal no Japão; Fundação Inês de Castro; Centro Cultural Vila Flor; Guimarães 2012, Capital Europeia da Cultura; Universidade de Coimbra; Centro de Documentação 25 de Abril; Universidade de Estudos Estrangeiros de Tóquio; Universidade de Estudos Estrangeiros de Kyoto; Teatro Académico de Gil Vicente; Bluepharma – Indústria Farmacêutica; Exploratório – Centro Ciência Viva de Coimbra.

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Pode ver sobre a livro de Pedro Medeiros “Hikari” (Luz, Light), de 2018, no FF, aqui.

A agenda da 7.ª edição do Imago Lisboa Photo Festival, 2025, no FF, aqui.

Sobre esta edição do Imago Lisboa Photo Festival, no seu site, aqui.

Sobre estas e outras edições do Imago Lisboa Photo Festival,  no FF, aqui.

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