ARMANDO CASTRO, TRANSCRIPTIONS [PART 4]

Exposição em Lisboa, no Edifício Central do Município, no Campo Grande, 25, de 1 a 17 de março de 2023.

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Armando Castro apresenta a sua quarta série do projeto “Transcriptions” no Edifício Central do Campo Grande, do Município de Lisboa.

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José Oliveira, investigador em fotografia e membro integrado do Instituto de História da Arte (FCSH-UNL), curador da exposição, escreve:

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TRANSCRIPTIONS [PART 4]

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Transcriptions [Part 4] é a última série de um projeto iniciado em 2015 com Land(e)scape que, olhado à distância, estabeleceu a temática das séries subsequentes – a Paisagem – retratada nos diferentes projetos como exercícios de um olhar reflexivo sobre a natureza, numa poética que não é do domínio da representação, mas que, de outro modo, pretende estabelecer diálogos com a interioridade do observador numa evocação da contemplação, como mecanismo de descoberta plural.

Podemos fazer uma analogia destas séries com a criação de uma obra musical que, a partir da ouverture introdutória, no caso Land(e)scape, desenvolve-se numa suite orquestral com diferentes andamentos (Transcriptions [Part 1, 2, 3, 4]), cada um com a sua dinâmica e importância particular na obra. É nesse sentido que se pode dizer que chega assim ao fim um ciclo que deve ser olhado como um todo constituindo, deste modo, um ensaio em diferentes capítulos desenvolvidos ao longo de oito anos.

E a questão temporal do desenvolvimento do projecto não é circunstancial. Antes pelo contrário, foi equacionada como fazendo parte do mesmo numa perspetiva de desaceleração dos tempos em que vivemos, em que tudo se movimenta em fast-forward.   

Depois das séries anteriores se terem afirmado através da insinuação vegetal dos troncos de árvores, da escrita cifrada da pedra, e do movimento para cima na tentativa de alcançar as nuvens e vento a partir dos “dedos” das árvores, o presente capítulo, Transcriptions [Part 4], dá substância ao que o anterior deixava antever – um retorno à superfície – à água como fonte de vida soprada pelo “espírito” do vento, num desassossego que, ao mesmo tempo, evoca quietude na sua simplicidade.

Nesta série há claramente uma afirmação subtil de diferença numa dialética que, em cada imagem, estabelece-se entre o caos e a ordem (a ondulação e a superfície), e no espectador entre a perplexidade (da repetição na série) e a observação (da imagem). A invocação destas polaridades reinscreve as imagens da série não só numa cartografia sem temporalidade e hierarquia, como também as nivela na promoção de uma observação ativa, de cada uma per si, como ato criativo de contemplação.

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Armando Castro, Transcriptions [Part 4]

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A exposição de Armando Castro, Transcriptions [Part 4], está patente em Lisboa, no Edifício Central do Município, no Campo Grande, 25, de 1 a 17 de março de 2023.

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António Bracons, Armando Castro, Armando Castro e José Oliveira, Aspetos da exposição, 2023.03.01

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Armando Castro. Nasceu em Lisboa, onde reside e trabalha.

Estudou Fotografia na APAF (Associação Portuguesa de Arte Fotográfica), no MEF (Movimento de Expressão Fotográfica) e Estética na SNBA (Sociedade Nacional de Belas Artes).

Exposições:

2012     “Resistentes”, Galeria Paula Cabral, Lisboa

2015     “Land(e)scape I”, Palácio Coruchéus, Lisboa

2015     “Walls”, Edifício Central do Município, Lisboa

2016     “Land(e)scape I”, Casa de Cultura, Ericeira

2016     “Walls 2”, Espaço Montepio, Lisboa

2017     “Colecção Arte Municipal”, Casa Cultura, Ericeira

2018     “Transcriptions [Part 1]“, Ed. Central Município, Lisboa

2019     “Transcriptions [Part 2]“, Ed. Central Município, Lisboa

2020     “Transcriptions [Part 2]“, Casa de Cultura, Ericeira

2023     “Transcriptions [Part 4]“, Ed. Central Município, Lisboa

Bibliografia: “Resistentes”,  “Land(e)Scape  I”

Está representado em coleções particulares, e da Câmara Municipal de Lisboa e da Câmara Municipal de Mafra.

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José Oliveira é doutorado em História da Arte Contemporânea e investigador integrado do Instituto de História da Arte (FCSH-UNL). Foi bolseiro do Centro Português de Fotografia e da Fundação para a Ciência e Tecnologia em vários projectos plurianuais de investigação relacionados com a fotografia em Portugal e é docente no doutoramento em Estudos Artísticos – Artes e Mediações na Universidade Nova de Lisboa. É curador e colaborador externo do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, tendo produzido vários textos para catálogos e exposições.

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Pode conhecer mais sobre a obra de Armando Castro no FF, aqui e no seu blog, aqui.

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Cortesia do Autor.

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