JOÃO MARIANO, OCEAN SPRAY
Exposição na Lumina Galeria, em Lisboa, de 12 de junho a 12 de setembro de 2026 (encerrada de 1 de agosto a 1 de setembro).
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Ocean Spray
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O mar vicentino na sua expressão máxima! A força, a fúria e o ímpeto doseados por momentos de docilidade e deleite. Osmose entre pedra e massa líquida. A espessura das formas provocada pela ondulação costeira. Torrentes instáveis tornadas volume, criando contornos e desenhando sombras. Erupções de água salgada provocadas pelo impacto entre matérias.
O ar deste mar que, desde sempre, me oxigena o sangue. Condensações fugazes eternizadas na mente. O oculto tornado visível, aumentando dúvidas e criando reflexões. Um íntimo palimpsesto que agrega preces a essa intensa divindade marinha, que se metamorfoseia até à eternidade, dando-me substância e conteúdo para prosseguir este meu desígnio territorial.
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João Mariano
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Cartografia de um território interior
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“Não sei quando o comecei, nem sei quando o terminarei.” É nesta suspensão temporal — entre origem difusa e horizonte aberto — que se inscreve Ocean Spray, projecto em curso de João Mariano, aqui apresentado através de um conjunto de 17 obras realizadas no Sudoeste de Portugal. Mais do que uma série delimitada, este corpo de trabalho afirma-se como um processo contínuo de aproximação a um território físico mas também interior, onde o mar vicentino surge simultaneamente como matéria, força e princípio organizador.
O preto e branco profundo, recorrente na prática do autor, acentua a dimensão escultórica da água e a espessura das superfícies, afastando qualquer leitura meramente descritiva. Ocean Spray atravessa o tempo do dia — do nascer ao cair da luz — e inscreve-se numa rotina de permanência e regresso. O território não é apenas cenário, mas substância assimilada. “Somos aquilo que absorvemos”, afirma Mariano, e as suas fotografias são o reflexo dessa incorporação progressiva.
A exposição que agora se apresenta constitui-se como primeira mostra pública deste conjunto de obras que acompanha transversalmente o percurso de João Mariano, funcionando como um eixo agregador em torno do qual se articulam outras investigações em curso do autor.
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Bruno Portela
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Da imensidão do mar à imensidão do olhar
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O mar. A imensidão do mar torna-se finita quando o fundo se eleva até à superfície e a água salgada encontra rocha e areia – que mais não é que rocha desfeita. Desse encontro ressaltam, entre rugidos, nuvens de gotículas e de espuma, que se elevam numa brancura que se destaca, contrastante com a envolvente, que o vento e o sol moldam. Ocean spray.
E, para além do mar, as rochas, troncos, a natureza moldada por esse mar.
Esta paisagem, este sabor, este cheiro, esta luz, fazem parte do João Mariano, que em Aljezur, em plena Costa Vicentina, tem as suas origens e reside há algumas décadas.
Não é, pois, de estranhar que estas imagens façam parte do seu olhar. E fazem, desde que chegou a estas paragens, desde que percorre a costa, desde que olha o mar no seu movimento perpétuo. Diria, desde sempre. E desde que a câmara fotográfica faz parte do seu estar, estes olhares, sempre diferentes, fazem parte do seu arquivo. Este é, pois, um projeto em desenvolvimento e será sempre enquanto as marés durarem e o João as olhar. Por isso diz: “Não sei quando o comecei, nem sei quando o terminarei”.
Este é um percurso transversal a toda a sua obra, que se desenvolve paralelamente com diferentes projetos, mais litorais ou mais interiores. Contudo, esta é a primeira vez que o mostra como corpo de trabalho: 17 fotografias preenchem a galeria.
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António Bracons
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João Mariano, Ocean Spray
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2026
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A exposição de João Mariano, “Ocean Spray” está patente na Lumina Galeria, na Rua Actor Vale 53 A, em Lisboa, de 12 de junho a 12 de setembro de 2026 (encerrada de 1 de agosto a 1 de setembro), quarta a sexta 15:00-19:00, sábado até às 20:00.
No espaço Le Mur da galeria, a curadora Rute Reimão convidou a designer e artista plástica Luísa Pacheco, que apresenta “Rabear”, uma ecologia especulativa suspensa entre a extinção e a reinvenção, em diálogo com a obra de João Mariano.
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A primeira das Conversas com Fotografias e Livros, com o tema “As Formas da Água”, com João Mariano e Filipa Valadares, tem lugar na Galeria, dia 09.07.2026, às 18:00.

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João Mariano (Lisboa, 1969) vive e desenvolve o seu trabalho entre Aljezur e Lisboa. Estudou Fotografia no Ar.Co e é CEO e director de arte da agência 1000olhos, onde pratica outra das suas paixões: fazer livros, os seus e os de clientes da agência.
O seu trabalho fotográfico, desenvolvido em projectos no Sul de Portugal, e muito frequentemente na Costa Vicentina, ganhou visibilidade em 1998, com a apresentação no CCB da primeira exposição individual, Guerreiros do Mar, editada em livro no mesmo ano.
Também editadas em livro, seguiram-se Lugares Pouco Comuns (2000), Trabalho de_Fundo (2001), Alambiques & Alquimistas (2007), Mariscadores | Ria de Alvor: histórias de um lugar (2010). Em 2014 surge a primeira apresentação da série O Conhecido Desconhecido, uma abordagem pessoal ao litoral do concelho de Lagoa, editada sob o formato livro/exposição em 2023. Em 2016, Costa do Mar reúne num álbum uma síntese dos primeiros projectos na Costa Vicentina.
Em 2018, apresenta, no Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa, Trezentos e Sessenta e Seis, em que registou diariamente a mesma paisagem durante um ano, explorando a repetição, a luz e a passagem do tempo, para falar, precisamente, da irrepetibilidade do trabalho fotográfico. Entre as Águas foi editado em 2021 e é um projecto artístico que tem o reconhecimento da paisagem, o sondar dos detalhes e o sentir da subjectividade e unicidade do lugar como principal foco. Estiagem, de 2023, parte de uma base local para reflectir sobre o aquecimento global e as alterações climáticas.
Em 2026, apresenta, na Lumina Galeria, Ocean Spray, um processo contínuo de aproximação a um território simultaneamente físico e interior, onde o mar vicentino não é cenário, mas substância assimilada.
Entre as exposições, destaque para as individuais no Centro Cultural de Belém (1998), Museu da Imagem de Braga (2000), Centro de Artes de Sines (2008), Teatro Municipal de Portimão (2009), Encontros da Imagem de Braga (2010), Casa Manuel Teixeira Gomes, Portimão (2010), Centro Português de Fotografia, Porto (2015), Arquivo Fotográfico Municipal, Lisboa (2016, 2022), Centro Cultural de Lagos, Lagos (2018, 2025), Imago Lisboa Photo Festival (2023), LAC – Laboratório de Actividades Criativas, Lagos (2024), além da colectiva no Museu de Serralves, Porto (2002)
A sua obra está presente em diversas coleções públicas e privadas.
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Pode conhecer mais sobre a obra de João Mariano, no FF, aqui, no seu site, aqui.
Pode conhecer mais sobre a Lumina Galeria, no FF, aqui, no seu site, aqui.
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Cortesia: João Mariano e Lumina Galeria
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