MARTA DJOURINA, UNTITLED
Integra a exposição “New Cartographies” do Festival Imago Lisboa, patente na Galeria Santa Maria Maior, em Lisboa, de 14 de outubro a 7 de novembro de.2026.
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As obras apresentadas enquadram-se no âmbito do interesse continuado de Marta Djourina em explorar a luz enquanto força co-criativa. Trabalhando sem câmara, a artista expõe diretamente papel fotográfico analógico a fenómenos naturais e físicos como a luz solar, a água, a bioluminescência e as descargas elétricas. Através destes processos, as imagens não surgem como representações, mas como vestígios da interação entre material, ambiente e tempo.
Tal como descrito na sua monografia, a prática de Djourina transforma o paradigma da fotografia, passando da representação à colaboração — a luz não é captada, mas participa ativamente na formação da imagem. Cada obra torna-se o registo de um acontecimento efémero: o brilho de organismos vivos, o movimento da água, a energia de um toque humano ou a aplicação controlada de fontes de luz, como lasers e díodos construídos para o efeito, e direcionados para o papel na escuridão do laboratório fotográfico.
A série dialoga com as ideias de transformação, indexicalidade e visibilidade de processos que, de outra forma, seriam impercetíveis. Em contraste com trabalhos anteriores moldados por fatores orgânicos ou ambientais, estas imagens emergem através de ações altamente controladas e performativas. Utilizando dispositivos laser construídos por si própria, Djourina desenvolve coreografias precisas de movimento, duração e intensidade, permitindo que a luz se inscreva diretamente na superfície fotossensível.
Cada obra é uma exposição analógica única, produzida sem negativos reproduzíveis nem intervenção digital. As imagens resultantes oscilam entre escalas micro e macro, evocando campos energéticos, tensões espaciais e mudanças de estado da matéria. Em vez de ilustrar fenómenos externos, registam a interação imediata entre gesto, aparelho e material.
Deste modo, as obras desafiam as noções convencionais de autoria, posicionando a artista não como única criadora, mas como agente que estabelece as condições para que um processo se desenvolva. A fotografia torna-se um espaço de ativação — onde luz, movimento e material convergem para produzir imagens que funcionam simultaneamente como registos físicos e como manifestações de um sistema controlado, mas dinâmico.
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Marta Djourina, Untitled
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2026
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A série “Untitled”, de Marta Djourina, integra a exposição “New Cartographies”, com curadoria de Paul Di Felice, do Festival Imago Lisboa, este ano sob o tema “Repensar a Fotografia: Ecologias da Imagem”, patente na Galeria Santa Maria Maior, na R. da Madalena 147, em Lisboa, de 14 de outubro a 7 de novembro de.2026, de 2ª feira a sábado, das 15h00 às 20h00.
Esta série integrou o EMOP – European Month of Photography 2025, sob o tema Rethinking Photography (Repensando a fotografia). O Imago Lisboa faz parte do EMOP.
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Marta Djourina (nascida em Sófia) estudou na Universidade de Artes de Berlim e na Glasgow School of Art. Suas obras foram apresentadas em inúmeras exposições, mais recentemente na Berlinische Galerie, no Sofia Arsenal – Museu de Arte Contemporânea, na FeldbuschWiesnerRudolph em Berlim, na 3:e Våningen em Gotemburgo, na Mark Müller em Zurique e no CAN – Centre d’Art Neuchâtel (Suíça).
Entre outras distinções, recebeu o Prêmio BAZA de Arte Contemporânea (2021), a bolsa Eberhard-Roters (Fundação Preussische Seehandlung, concedida na Berlinische Galerie, 2020), a residência artística do Ministério Federal das Relações Exteriores da Alemanha (2022) e o Prêmio Marianne Brand de Fotografia (2022), entre outros.
Em 2024, Djourina publicou a sua primeira monografia abrangente pela editora DISTANZ Berlin, intitulada “Foxfire”.
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Sobre a exposição e esta série, escreve o curador, Paul di Felice:
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Repensar a Fotografia: Novas Cartografias
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Numa era marcada por rápidas mudanças tecnológicas, cenários geopolíticos em transformação e pela complexa sobreposição de histórias, a fotografia contemporânea está a evoluir para além do enquadramento da câmara tradicional. Novas Cartografias reúne seis artistas cujas práticas experimentais desafiam e expandem a própria definição de fotografia, criando novas formas de explorar a luz, a memória, a identidade e a mediação da realidade.
Em conjunto, estes artistas constroem novas cartografias da prática fotográfica, mapeando a luz, a memória, o poder e a tecnologia de formas inovadoras que expandem as possibilidades do meio e refletem as texturas intrincadas da experiência contemporânea.
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Marta Djourina desconstrói as origens da fotografia ao trabalhar diretamente com a materialidade da luz. As suas imagens “pictóricas” emergem sem o uso da câmara, recorrendo a técnicas como emulsões sensíveis à luz, exposições estenopeicas sobre objetos e colaborações com organismos bioluminescentes. Ao fazê-lo, Djourina reinventa o ato de criação de imagem como um processo performativo e poético que destaca a natureza efémera da própria luz.
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Pode conhecer mais sobre a obra de Marta Djourina, aqui.
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A Agenda do 8.º Festival Imago Lisboa 2026, no FF, aqui.
No FF, sobre as exposições do Festival Imago Lisboa, desta e de outras edições, aqui.
Mais informação aqui.
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Cortesia: Festival Imago Lisboa
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