LUÍSA FERREIRA, METAMORFOSES
Exposição na Lumina Galeria, de 29 de setembro a 7 de novembro de 2026.
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Sobre a exposição, escreve o curador, Bruno Portela:
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Metamorfoses, ou a matéria do olhar
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Ao longo de mais de quatro décadas, Luísa Ferreira construiu um percurso fotográfico marcado pela diversidade de linguagens e por uma permanente inquietação do olhar. A par do seu trabalho documental, desenvolveu uma investigação profundamente pessoal em torno da fotografia, transformando o suporte fotográfico num território de experimentação plástica, onde a imagem deixa de ser apenas representação para se afirmar como matéria.
Metamorfoses reúne obras realizadas entre 1991 e 2025, revelando um dos núcleos mais singulares da sua produção. Através da intervenção directa sobre a superfície das polaroids durante o delicado processo químico de revelação, cada fotografia torna-se uma peça irrepetível. O gesto inscreve-se na emulsão ainda instável, deslocando cores, dissolvendo contornos e abrindo novas possibilidades de leitura. A imagem deixa, assim, de se limitar a fixar um instante para prolongar o tempo da sua própria construção.
Nesta série, a fotografia é entendida como um espaço de transformação, onde acaso e intenção coexistem num equilíbrio subtil. A materialidade da imagem assume uma importância tão grande como o motivo fotografado e a fotografia torna-se, ela própria, lugar de descoberta. Mais do que manipular a realidade, Luísa Ferreira procura revelar aquilo que permanece latente no acto de ver, construindo imagens que recusam uma leitura imediata e convidam à contemplação.
«A fotografia passou a ser a minha forma de observar e comunicar com o mundo», afirma a autora. A frase sintetiza uma prática que não procura reproduzir o real, mas construir uma linguagem visual autónoma, capaz de sugerir atmosferas, emoções e múltiplas interpretações. É, nas suas palavras, «o lado da criação, mas através do olhar».
Metamorfoses revisita, assim, um conjunto de obras em que a fotografia ultrapassa os seus limites convencionais para se aproximar da pintura, do objecto e do gesto. Sem nunca perder a sua identidade fotográfica, estas imagens permanecem em permanente transformação, afirmando a singularidade de uma autora que encontrou na polaroid um lugar privilegiado de liberdade, experimentação e invenção.
Há, por fim, uma história pessoal que não consigo deixar de associar a esta exposição. Em 1993, comprei a primeira obra fotográfica de um autor. Era uma fotografia de Luísa Ferreira, apresentada no Armazém AB do Porto de Lisboa, numa exposição cujo título recuperava um excerto de um poema de Francis Picabia. Até então, acreditava que coleccionar os livros de fotografia dos autores que admirava era suficiente. Aquela fotografia mudou alguma coisa. Fez-me perceber que uma imagem podia sair das páginas de um livro e entrar na vida quotidiana: podíamos acordar ao lado dela, passar por ela todos os dias, vê-la mudar com a luz e, sem nos darmos conta, deixá-la tornar-se parte da nossa própria memória.
Essa primeira compra foi, à sua maneira, o início de um hábito. Hoje, mais de cinquenta fotografias ocupam as paredes da minha casa. Três são de Luísa Ferreira. Olhando para trás, não é difícil reconhecer uma ligação entre aquela primeira fotografia e a criação, muitos anos mais tarde, da Lumina Galeria. Ambas nasceram da mesma convicção: a de que a fotografia pode ser mais do que algo para olharmos. Pode tornar-se algo que passa a fazer parte da nossa vida.
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Lisboa, Setembro de 2026
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Luísa Ferreira, Metamorfoses
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2026
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A exposição de Luísa Ferreira, “Metamorfoses”, com curadoria de Bruno Portela e “Le Mur des Mémoires”, de Paulo Robalo, no espaço Le Mur, a convite da curadora Rute Reimão, encontram-se na Lumina Galeria, na R. Actor Vale, 53A, em Lisboa, de 29 de setembro a 7 de novembro de 2026 (quarta a sexta 15:00 – 19:00, sábado até às 20:00).
Dia 17 de outubro às 18:30 tem lugar uma conversa com os dois artistas sobre os processos criativos.
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Luísa Ferreira, Autoretrato
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Luísa Ferreira (Lisboa, 1961). Fotógrafa independente, mestre em Design e Cultura Visual – Estudos de Fotografia (ESD/IADE-U, Lisboa, 2011).
A cidade e os seus habitantes são alguns dos temas centrais do seu trabalho, em que reflecte uma consciência social e política sobre a actualidade. Um olhar em que o encantamento e o sentido documental coexistem, dá origem a imagens precisas mas abertas ao sonho, a captações sensíveis e singulares de momentos e ambientes.
Em 2025 e em 2019 recebeu o Prémio de Artes Visuais da Sociedade Portuguesa de Autores pelas suas exposições Intimidade (Casa da Avenida), e branco (Galeria Monumental). Entre as mais recentes exposições encontram-se Uma Nova História, com curadoria de David Willis, Sá da Costa Arte, 2026, Um cão que sonha — Agustina, Mira Galerias, 2025, Loreto, SNBA, 2022 e A Ciência Cura, com curadoria de David Santos, Museu do Neo-Realismo, 2022-2023.
Integrou a exposição Au Féminin. Women Photographing Women 1849-2009, com curadoria de Jorge Calado, no Centre Culturel Calouste Gulbenkian, Paris, 2009.
As duas exposições mais representativas do início do seu trabalho foram Os objectos já não têm cores/ mas as sombras dos objectos têm as cores deles/ um amigo meu/ que tem a chave das docas/ também pensa assim (Picabia), instalação em contentores dentro do Armazém AB ao Jardim do Tabaco, Porto de Lisboa, 1993 e Matérias, no Museu de História Natural, 1992.
Recentemente publicou Matérias, na XYZ Books, 2022, A Ciência Cura: o conhecimento no combate à covid-19 em Portugal (março-junho 2020), INCM/ FCT/ MCTES, 2021, e Atelier 13, na colecção Kioskzine (nº 7, 2023).
Os seus Polaroids integraram os separadores de emissão da RTP2, entre 1 de Fevereiro e 8 de Outubro de 2025.
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Pode conhecer mais sobre a obra de Luísa Ferreira no FF, aqui, no seu site, aqui.
Pode conhecer mais sobre a Lumina Galeria, aqui.
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Cortesia: Luísa Ferreira, Bruno Portela
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