SKA BATISTA, FRED, E SE VOCÊ FOSSE IMAGEM
A exposição integra os Encontros da Imagem, encontra-se na Casa Roldão, em Braga, de 18 de setembro a 31 de outubro de 2026.
.
.
.
Esta exposição mostra algumas fotografias do livro “fred”, de ska batista.
.
.
ska batista
Fred
Fotografia: ska batista / Texto: ska batista, Maura Grimaldi / Design: Joana Durães
Lisboa: Ghost Editions / Abril . 2026
Português e inglês / 20,5 x 26,0 cm / 56 pp, não numeradas
Capa mole / Argolas / 400 ex. / Integra em bolsa na contracapa um caderno com o ensaio “O Grão e o poro”, de Maura Grimaldi
ISBN: 9789893620922
.
.

.
.
fred é um livro de noite. De corpos que se encontram, se perdem e se reinventam. Um diário visual fragmentado onde ska batista acumula imagens como se acumulam memórias — sem ordem, sem hierarquia, com a lógica própria do desejo. Performances, errâncias urbanas, cenas domésticas, gestos que resistem à definição: tudo coexiste num espaço onde a identidade recusa ser fixada. fred é queer não apenas no que mostra, mas na forma como olha — com a mesma atenção ao corpo que se oferece e ao corpo que se esquiva, ao íntimo que se expõe e ao que permanece na sombra. Um retrato aberto, onde a vulnerabilidade torna-se poder.
.
Maura Grimaldi escreve o ensaio “O Grão e o poro”, que constitui um caderno, integrado na contracapa do livro. Um excerto:
.
Em meio a tantas imagens, o que faz fred acreditar nelas? O que o faz percorrer por laboratórios sem a certeza se os seus retratos emergirão. Seus frames são pequenos brilhos, cintilam feito pequenas surpresas. Acaso, erro e descontrole. Isso que nos leva ao maravilhamento, algo como abrir um presente. E seria precisamente pela surpresa que teríamos a possibilidade de sermos arrebatados por uma pequena beleza. Esta que aflora a partir do que esperávamos pouco ou que fizemos um trabalho para não esperar, porque tínhamos a plena consciência de fugirmos às regras e protocolos. Encontrar “coisas acesas por dentro” em meio ao acúmulo de decisões que sabíamos implicar em erros parece ser um breve milagre.
Nesse fenômeno de arrebatamento e de construção de um espaço extremamente íntimo, somos fatalmente capturados: um encontro com Eros. Debruçar-se nessa obra é ver-se tomado por um espaço especial de nossa entrega perante esses registros, mas também da entrega de quem fotografa ao seu entorno. Aqui é justamente onde estar atento, dedicado e apaixonado, se confundem. (…) Eros é essa pulsão de mover-se, de dividir e partilhar os mundos, de perder-se e alargar-se nos outros. Eros é esse lançar-se a um outro, em um sentido vasto, seria a capacidade de “arranca[r] o sujeito de si mesmo e direciona[r] para o outro. […] Ele dá curso a uma denegação espontânea do si mesmo, um esvaziamento voluntário do si mesmo.”. Se o sujeito narcisista é aquele que “não consegue perceber o outro em sua alteridade e reconhecer essa alteridade”, fred é o seu antagonista, bem como apaixonar-se é antídoto para não se afogar em si.
.
.
.
ska batista, fred, e se você fosse imagem
.
.
.
António Bracons, Aspetos da exposição, 2026
.
.
.
A exposição de ska batista, “fred, e se você fosse imagem”, com curadoria de Ana Grebler, integra os Encontros da Imagem 2026, sob o tema Territórios do Imaginário – Lugares Encantados, encontra-se na Casa Rolão, na Av. Central, 118-120, em Braga, de 18 de setembro a 31 de outubro de 2026 (quarta a sábado, das 14h00 às 19h00).
.

.
.
.
ska batista (1987) é acumulador de imagens e iluminador, radicada em Lisboa.
A sua prática desenvolve-se entre a fotografia, o vídeo e a iluminação cênica, com foco na investigação da performatividade do fazer e dos processos de criação.
Atualmente investigando a “não imagem” a partir da recusa da lógica da eficácia e do instantâneo. Integra a plataforma Matéria Leve, projeto de pesquisa e formação em iluminação coordenado por Letícia Skrycky. Colaborou em criações de luz para espetáculos como “Mandaki, violetas” de Vânia Doutel Vaz; “Cantar” de Francisco Cavalcanti; “Quase Nada e Um Plano” de Márcia Lança e “A Roda que Não Tem Fim”.
Entre as exposições em que participou destacam-se a série fotográfica “Anarquivo” apresentada no Arquivo Municipal de Lisboa, a instalação fotográfica “Rebojo” na Cisterna da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa sob coordenação de Susana Sousa Dias e a obra “Desconectado” apresentada na Casa da Cultura de Beja. Em 2022, realizou as exposições individuais “As luzes vermelhas invadem a noite” na Galeria dos Encontros da Imagem, em Braga, e “corpa incognita” no âmbito do festival de performances #PRECÁRIAS com direção artística de Tita Maravilha, no Espaço Gaivotas 6, em Lisboa. Em 2025, participou da exposição coletiva “Rota dos Ventos” na PLATO, no Porto. Colabora no projeto Fotonovelo, uma investigação que tenta resgatar criticamente um conjunto de objetos culturais e dispositivos hoje considerados obsoletos — da fotonovela aos dispositivos de pré-cinema e a técnicas de impressão.
.
.
.
No FF, pode ver a Agenda e saber mais sobre os Encontros da Imagem 2026, aqui, sobre as várias edições, aqui.
Pode saber mais sobre os Encontros da Imagem, aqui.
.
.
.












