EMANUEL CONSTANTINO,  NERVO TORTO AO SEU LUGAR

A exposição integra os Encontros da Imagem, encontra-se na Casa dos Crivos, em Braga, de 19 de setembro a 17 de outubro de 2026.

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nervo torto ao seu lugar

Três voltas em redor da estátua equestre, dadas por raparigas namoradeiras – surge por geração espontânea o casamento prometido. Três pulinhos para suplicar ao Santo que a cousa perdida se revele aos olhos.

Em terra lavrada pela fé, estranho era o caso de não se construírem devoções e pedidos às mais variadas santidades padroeiras – não desmerecendo – que parecem tornar-se transversais no que toca à geografia lusa, adaptadas depois às regionalidades e quintais.

Originário alentejano, desde cedo fui confrontado com alguma medicina popular trauteada que, em criança curiosa, me despertava reações num espectro que variava desde o riso contido à estupefação imóvel – ouvia uma mestre.

Coso!
Carne quebrada, nervo torto!
Por isso mesmo é que eu te coso.

Neto, ouvia-a enquanto fazia o sinal da cruz na palma da mão.
Coso!
Habituei-me, de jeito involuntário, a assumir o ritual.

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Santo Antoninho se levantou

Perguntou o que fazes tu Luzia

Como é que esta moléstia se tiraria

Com três raminhos de alecrim

E o azeite de agonia

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Forga bisonga disse-lhe três vezes

Torga bruxas e feitizeiras da minha casa

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Eu te benzo Maria de lua e cubranto

Eu te benzo Maria de louvor

E de pranto tira este mal

Cobranto se por aqui passaste

E a saúde de Maria levaste

Se és cobranto benza-te Deus

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Ó linha que desmentiu

Ó cana que rasgaste

Ó osso que desmorceste

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Emanuel Constantino, nervo torto ao seu lugar

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2026

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A exposição de Emanuel Constantino, “nervo torto ao seu lugar”, integra os Encontros da Imagem 2026, sob o tema Territórios do Imaginário – Lugares Encantados, encontra-se na Casa dos Crivos, na Rua de S. Marcos, 41, em Braga, de 19 de setembro a 17 de outubro de 2026.

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Emanuel Constantino (n. 2002), de Portugal, é um fotógrafo independente que vive atualmente no Porto. É formado em Fotografia pela Escola Superior de Media, Artes e Design (ESMAD) do Politécnico do Porto.

O foco principal da sua investigação e criação autoral recai sobre o universo do documentário e da ficção, bem como nas suas diversas interseções e interações. Ele procura compreender e manipular a fronteira onde o documentário deixa de o ser e passa a afirmar-se como ficção — e vice-versa — nessa sua abordagem híbrida. A fotografia vernacular e a de arquivo são também áreas que explora e aborda, integrando-as habitualmente nos seus projetos.

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Pode conhecer mais sobre a obra de Emanuel Constantino, aqui.

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No FF, pode ver a Agenda e saber mais sobre os Encontros da Imagem 2026, aqui, sobre as várias edições, aqui.

Pode saber mais sobre os Encontros da Imagem, aqui.

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