YASSMIN FORTE, THIS IS A STORY OF MY FAMILY

A série integra a exposição “Emotional Encounters” do Imago Lisboa Photo Festival, com curadoria de Elina Heikka, patente no MNAC – Museu Nacional de Arte Contemporânea / Museu do Chiado, em Lisboa, de 21 de novembro de 2025 a 01 de fevereiro de 2026.

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Meus pais apaixonaram-se numa pista de dança em Quelimane, Moçambique.

Ele estava estacionado lá no auge da ocupação portuguesa de Moçambique, parte das forças armadas e minha mãe era uma moçambicana local.

Ele estava destinado a retornar a Portugal. Com a independência em 1975, o Partido Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) ordenou que os portugueses deixassem o país em 24 horas.

Ele ficou e se apaixonou.

As minhas imagens tentam dissecar e navegar pelos efeitos do colonialismo e da migração, da história muito pessoal da minha família. Ela aborda três aspectos, família, migração e a história dos africanos, usando arquivos familiares e minhas próprias imagens. “Tento investigar como os africanos se tornaram o resultado de misturas, migrações e colonização, histórias misturadas e padrões repetidos, e dessa forma desvendar minha própria identidade africana.”

O uso da colagem exagera e enfatiza essa história com conflitos, às vezes imagens de família são literalmente colocadas em cima de cenas do Moçambique moderno e lembrado em uma justaposição de passado e presente. Usei a colagem como uma forma de construir um passado e a percepção da minha própria identidade.

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Yassmin Forte, This is a story of my family, 2022 – 2024

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2025

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A série “This is a story of my family (2022 – 2024)” de Yassmin Forte, integra a exposição “Emotional Encounters” do Imago Lisboa Photo Festival, com curadoria de Elina Heikka, que está patente no MNAC – Museu Nacional de Arte Contemporânea / Museu do Chiado, na Rua Capelo, 13 (entrada pela Rua Serpa Pinto, 4), em Lisboa, de 21 de novembro de 2025 a 01 de fevereiro de 2026 (3ª feira a domingo, 10h00 – 13h00, 14h00 – 18h00).

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Yassmin Forte, nasceu em Quelimane, Zambézia em Moçambique e vive em Maputo desde 1986. Fotógrafa, formadora e ativista social moçambicana. Vencedora do Prémio de Fotografia Africana Contemporânea, de 2023.

É licenciada em Ciências da Comunicação, Relações Públicas e Jornalismo, pelo Instituto Superior Politécnico e Universitário (ISPU) em Maputo. Trabalha como Especialista em Marketing, na Rádio de Moçambique.

Foi no ano de 2012 que teve a sua primeira exposição individual,  intitulada No Palco, que teve lugar na Mediateca BCI (MZ) e no Centro Cultural Franco Moçambicano. O acervo reunia fotografias de vários espectáculos decorridos em Maputo.

Yass, como gosta de ser chamada, já realizou seis exposições individuais, participou de mais de dez coletivas e fez a curadoria de sete.

Ganhou diversos prémios, como o “Inclusão na Diversidade”, em Portugal, e o “Prémio Mozal Artes e Cultura”, em Moçambique.

É também autora da coleção Mulheres da Minha Terra, disponível no Google Arts & Culture do Museu Virtual da Lusofonia.

Yass tem também uma forte presença no circuito internacional, tendo em 2019 levado a Cabo Verde a exposição Identidade, no âmbito da residência artística Cachupa Factory, em Cabo Verde, e no ano seguinte, 2020, marcou presença na exposição virtual EVERYDAY A WOMAN, em Joanesburgo, África do Sul.

Em 2021 apresentou Afrometropolis en Movimentos Barcelona, no Centre d’Estudis Africans Ineterculturals Barcelona, em Espanha, uma exposição fotográfica conjunta com Ina Makosi, do Senegal, e Vanessa Mwingira, da Tanzânia, onde abordavam a questão da mobilidade nos três países.

Em 2023, Yassmin Forte venceu o CAP Prize, prémio internacional de Fotografia Africana Contemporânea, com a obra Esta é uma história sobre a minha família, onde usa a técnica de colagem fotográfica. A obra sobrepõe arquivos familiares e imagens suas, numa justaposição do passado e presente em Maputo. É uma viagem às suas raízes para refletir sobre os efeitos do colonialismo e da migração na história da sua família. 

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Sobre a exposição “Emotional Encounters”, escreve a curadora, Elina Heikka:

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A nossa relação com fotografias antigas de família e álbuns fotográficos é profundamente emocional. Ao folhearmos velhas fotografias, somos confrontados com memórias boas e preciosas, mas também por vezes com questões dolorosas. Sobretudo quando a história familiar contém episódios difíceis ou silenciados, as fotografias despertam uma variedade de emoções contraditórias. Têm um poder especial de ativar a nossa mente. Podem persistir na memória como se exigissem uma resposta.

As três artistas presentes nesta exposição têm em comum o facto de parte essencial dos seus projetos serem antigas fotografias de família que elas encontraram. As fotografias e os arquivos motivaram-nas e constituem uma parte substancial das suas séries de trabalho. As artistas são Aline Motta, Sofia Yala e Yassmin Forte, cujas histórias familiares estão, de diferentes formas, marcadas pelo colonialismo português no Brasil, em Angola e em Moçambique.

Quando a brasileira Aline Motta soube que o pai desconhecido da sua avó era um jovem adolescente branco, filho do patrão, decidiu investigar a fundo a história da sua família. Como metáfora dos tempos do tráfico de escravos, Motta leva simbolicamente as fotografias dos seus familiares de volta às suas origens, em Portugal e na Serra Leoa. A série fotográfica de Sofia Yala documenta de forma simbólica o processo de investigação da artista, que procurou desvendar a história da sua própria família de origem angolana. Já o trabalho de Yassmin Forte retrata a complicada história de amor entre um pai que serviu no exército português e uma mãe moçambicana, marcada pelo legado das guerras coloniais.

Tipicamente, uma história familiar bem documentada e álbuns fotográficos volumosos, que abrangem várias gerações, são sinal de uma posição socioeconómica privilegiada, enquanto circunstâncias mais modestas correspondem a histórias familiares mais abertas, incompletas ou fragmentadas. O que une estas três artistas é o facto de o património visual das suas famílias ser fragmentado, aleatório, e frequentemente levantar mais perguntas do que respostas. Os arquivos e a investigação ajudam a desvendar alguns mistérios, mas, apesar de todos os esforços, a incerteza permanece.

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A exposição integra ainda, em salas sucessivas, as séries de Aline Motta, “Pontes sobre Abismos” (2017), no FF, aqui; de Sofia Yala, “Type Here to Search” (2020) + “Body as an Archive” (2020-2021), no FF, aqui.

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A agenda da 7.ª edição do Imago Lisboa Photo Festival, 2025, no FF, aqui.

Sobre esta edição do Imago Lisboa Photo Festival, no seu site, aqui.

Sobre estas e outras edições do Imago Lisboa Photo Festival,  no FF, aqui.

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Cortesia: Imago Lisboa Photo Festival

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