MARQUES VALENTIM, O INSUBMISSO
Exposição na Galeria de Santa Maria Maior, em Lisboa, de 5 a 27 de abril de 2024 e no MFA – Porto, no Clube dos Fenianos Portuenses, de 11 de maio a 29 de junho de 2024. No ano do centenário do nascimento de Mário Soares (07.12.1924).
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Celebrar abril, ao longo do mês em que se assinalam os 50 anos sobre o 25 de Abril e a conquista da liberdade, a galeria de Santa Maria Maior apresenta uma representativa coleção de imagens do fotojornalista Marques Valentim, de 74 anos, dividida em duas exposições.
“O Insubmisso” é uma exposição que assinala os 100 anos do nascimento de Mário Soares, um dos principais construtores da nossa Democracia, com uma coleção de emblemáticas fotografias, que ilustra a sua atividade na defesa das liberdades, a que dedicou a sua vida.
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Marques Valentim, Mário Soares
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Mário Soares como é conhecido Mário Alberto Nobre Lopes Soares, nasceu em Lisboa a 7 de dezembro de 1924, onde morreu em 7 de janeiro de 2017. É filho de João Lopes Soares (ministro das Colónias – 1925; proprietário do Colégio Moderno) e de Elisa Nobre Baptista, casou com Maria de Jesus Barroso.
Fez a sua formação no Colégio Moderno, 1935-1942; na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 1942-1951 (licenciatura em Histórico-Filosóficas) e na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, 1952-1957 (licenciatura em Direito).
Foi advogado desde 1957.
Exerceu múltiplos cargos: Direção Académica das Juventudes Comunistas de Lisboa (1944-45); presidente do MUD juvenil (Movimento de Unidade Democrática) (1945-1948); secretário do general Norton de Matos (1949); Comissão Central de Apoio a Humberto Delgado (1958); ASP (Ação Socialista portuguesa) (1964-1973); cabeça de lista da CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática)-Lisboa (1969);professor nas Universidades de Vincennes e Rennes (1970-1974); Secretário-geral do PS (Partido Socialista) (1973-1985); vice-presidente da Internacional Socialista (1974-1985); ministro dos Negócios Estrangeiros (I-II Governos Provisórios); ministro sem pasta (III-IV Governos Provisório, 1974-1975); primeiro-ministro (I e II Governos Constitucionais, 1976-1978 e IX Governo Constitucional, 1983-1985);presidente da Fundação Mário Soares e conselheiro de Estado (1996). Foi Presidente da República de 9 de março de 1986 a 9 de março de 1996.
Publicou diversas obras.
Figura importante da oposição desde os anos 40. Filho de João Soares, ministro das Colónias da I República, que encorajou sempre Mário Soares no sentido do empenho político. Por isso lhe foi possível ter demorado quase dez anos a concluir o primeiro curso, e mais sete até se estabelecer como advogado – atividade a que deu, também, um marcado cunho político -, devido às suas múltiplas atividades políticas e correspondentes prisões. A sua trajetória independente do PCP desde 1950, aliada à projeção internacional alcançada como advogado da família Delgado após o assassínio deste (1965), consolidada pela deportação para São Tomé (1968-1969) e subsequente exílio em Paris (1970-1974), deu-lhe um peso crescente no movimento socialista internacional e a atenção de importantes jornais estrangeiros. Foi na Internacional Socialista que encontrou os apoios indispensáveis para fundar o PS (19.04.1973, Bad-Munstercifel, RFA).
Regressa logo a seguir ao 25 de Abril, sendo triunfalmente acolhido em Santa Apolónia (28.04.1974). Derrotou no primeiro congresso legal (13 a 15.12.1974) a corrente esquerdista no interior do próprio PS, e passou a concentrar interna e externamente grande parte das forças determinadas em evitar um triunfo do PCP ou das correntes terceiro-mundistas. Isto num processo que teve os seus momentos centrais: na vitória do PS nas eleições para a Assembleia Constituinte (25.04.1975) e a 1.ª legislatura (25.04.1976), na manifestação da Fonte Luminosa (02.05.1975), que mostraram ser o PS o maior partido, nas urnas e nas ruas. O processo político-militar acelerara-se com o caso República (19.05.1975); o “Documento dos Nove” (19.06.1975); e a saída de Soares e dos restantes ministros PS (21.06.1975) do Governo Provisório, seguidos dos do PSD (23.06.1975); com clara coordenação entre ele e esses militares moderados (e.g. manifestação PS na Alameda a 23.11.1975) em apoio do “Grupo dos Nove”.
A normalização começa com o 25 de novembro de 1975 e a eleição de Ramalho Eanes com o apoio de Soares e do PS; que por sua vez nomeia Mário Soares como ministro do I (23.07.1976) e II Governos Constitucionais (30.01.1978). Inicia-se assim uma relação política, cada vez mais tensa, até à rutura definitiva de finais de 1980; levando Soares, que não conseguiu convencer o resto da direção do partido a retirar o apoio à recandidatura de Eanes, a autossuspender-se (19.10.1980 a 10.12.1980) das funções de secretário-geral do PS. A revisão constitucional dos poderes presidenciais (12.08.1982), pelo PS-PSD-CDS, por si promovida, foi a sua resposta ao problema. Soares vem ainda a presidir ao governo do “bloco central” (junho de 1983) que termina no dia seguinte à assinatura do tratado que concretiza aquele que desde 1976 fora o seu grande projeto político: a adesão à CEE (12.06.1985).
Vence Freitas do Amaral por uma margem de 2%, na segunda volta as eleições para a Presidência da República. No discurso da vitória, nessa mesma noite, afirma-se Presidente de “todos os portugueses”, numa estratégia de pacificação dos ânimos, bipolarizadíssimos pela campanha, e realçou também ser o primeiro Presidente civil, em sessenta anos.
Terminou o seu mandato corporizando o objetivo perseguido, pelos líderes partidários desde o 25 de Abril, uma maioria parlamentar, um governo e um presidente homogéneos, com a vitória do PS nas legislativas (01.08.1995). E foi sucedido por outro socialista, que assumiu muito do seu modelo de exercício da Presidência: poder moderador, arbitral, e supra partidário; frequentemente caracterizado como tendencialmente “monárquico” pela sua busca de consensos e pelo gosto pelo ritual político.
Com a saída da Presidência da República (março de 1996), assumiu a presidência da fundação com o seu nome, que tem certas semelhanças com as bibliotecas presidenciais americanas.
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(Adaptado da biografia constante no Sítio Oficial de Informação da Presidência da República Portuguesa)
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António Bracons, Aspetos da exposição (Galeria de Santa Maria Maior), 2024
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Marques Valentim expõe “E depois do Adeus” e “O Insubmisso”, em Lisboa, na Galeria de Santa Maria Maior, na Rua da Madalena, 147, de 5 a 27 de abril de 2024 e no MFA – Mostra de Fotografia & Autores, no Clube dos Fenianos, no Porto, de 11 de maio a 29 de junho de 2024.
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De Marques Valentim decorre a projeção “Inglória. Uma história do colonialismo”, integrada na exposição colectiva “Valores de uma revolução”, no espaço CC11 @ Imago Garagem, na R. do Vale de Santo António, 50 A, em Lisboa, de 12 de abril a 12 de maio de 2024.
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Marques Valentim
Nascido em Cascais, a 1 de Agosto de 1949, Marques Valentim fez a sua comissão de serviço militar obrigatório em Moçambique, como furriel miliciano fotocine, após ter tirado em Lisboa o curso de Fotografia e Cinema, nos Serviços Cartográficos do Exército. Neste território africano, permaneceu durante 26 meses (1972/74), percorrendo-o de Norte a Sul em serviço de reportagem fotográfica.
De regresso Portugal e, logo após o 25 de Abril de 1974, surge no fotojornalismo iniciando o seu trabalho na Agência Europeia de Imprensa (A. E. I. – Notícias) onde cobre os principais acontecimentos que se deram no nosso País entre Setembro de 1974 e Agosto de 1975. A 1 de Setembro desse mesmo ano, iniciou oficialmente, a sua carreira de fotojornalista no diário “A Luta”, no qual permaneceu até à sua extinção, em Janeiro de 1979. Fez parte da equipa que lançou o “Correio da Manhã” – de 15 de Março de 79 a 15 de Setembro de 1979. Em Outubro de 1979 entrou para o “Portugal Hoje”, onde permaneceu até ao fim deste matutino (Julho de 1982). Em 1982, fez parte do grupo de jornalistas fundadores do Semanário Desportivo “Off-Side”, tendo, em 1983, recebido em serviço deste jornal o prémio Gandula (Revelação) de Wilson Brasil. Deixa, entretanto, o “Off-Side”, para entrar, em Outubro de 1983, na delegação de Lisboa do jornal “Comércio do Porto” onde permaneceu até Fevereiro de 1986. Em Março de 86 regressa aos quadros do “Correio da Manhã” onde desempenhou os cargos de repórter-fotográfico, sub-coordenador, tendo sido nomeado em Janeiro de 2002 para o cargo de Editor Fotográfico, função que desempenhou até 31 de Outubro de 2002, tendo sido como fotojornalista do “Correio da Manhã” que Marques Valentim realizou vários trabalhos de tauromaquia, tema que o entusiasmou e o levou a realizar diversas exposições.
Em 2001, recebeu uma menção honrosa da revista “Visão”, relacionada com o prestigiado concurso de fotojornalismo do mesmo nome, cuja foto premiada era sobre esta temática. Em 2001 é igualmente autor do cartaz da Feira Taurina de San Juan, em Badajoz. Colabora, actualmente, como freelancer, no Jornal “Bombeiros de Portugal”, e nas revistas “Segurança e Defesa” e “Saúde e Sociedade”, entre outras. Em 1998 participa no livro de Andrade Guerra, “João Moura – O Mito e as Efemérides”, comemorativo dos 20 anos de carreira deste cavaleiro. Em Dezembro de 2003, foi co-autor com Andrade Guerra e Isabel Trindade, do livro “Combatentes do Ultramar” tendo colaborado também, em 2005, no livro “A Dor da Nação”, de Andrade Guerra.
A 1 de Dezembro de 2009 foi lançado o livro “Cavaleiros – Heróis com Arte”, igualmente de Andrade Guerra e com imagens de sua autoria. Entre as várias exposições de fotografia que já realizou, destacamos a primeira – realizada em Lisboa no ano de 1994 – intitulada “Tauromaquia”, “E Depois do Adeus”, uma exposição documental de fotojornalismo, onde sobressaíam personalidades que marcaram a História recente, do nosso País, após o 25 de Abril de 1974.
A 10 de Março de 2012, Marques Valentim foi empossado como Embaixador para a Paz, pela Federação Internacional para a Paz e é membro da ALDCI – (Associação Lusófona para o Desenvolvimento, Cultura e Integração, ONG).
Marques Valentim já realizou cerca de meia centena de Exposições, não só em Portugal, como no estrangeiro.
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De Marques Valentim, no FF, sobre a projeção “Inglória. Uma história do colonialismo”, aqui; sobre a exposição “E depois do Adeus”, aqui; o seu site, aqui.
Pode ler a biografia mais completa de Mário Soares, no Sítio Oficial de Informação da Presidência da República Portuguesa, aqui.
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