AUGUSTO CABRITA, UM OLHAR INÉDITO

Exposição no Barreiro, no Auditório Municipal Augusto Cabrita, de 1 de novembro de 2023 a 16 de março de 2024, no quadro das comemorações do centenário do nascimento de Augusto Cabrita (Barreiro 16.03.1923 – Lisboa, 1.02.1993).

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No âmbito da celebração do centenário do nascimento de Augusto Cabrita, o AMAC – Auditório Municipal Augusto Cabrita, no Barreiro, acolhe uma exposição com 128 fotografias, na sua grande maioria inéditas, que ocupa os quatro espaços expositivos do edifício.

Esta exposição foi idealizada pelo neto do fotógrafo, Augusto António Cabrita, com o apoio do pai (filho do autor), na sequência de um imenso trabalho de pesquisa do espólio, desencadeado pelo arranque da celebração do centenário, com uma sessão no Cine Clube do Barreiro: “virámo-nos um para o outro e dissemos – temos uma oportunidade de ouro para dignificar a obra de Augusto Cabrita e não vamos fazer igual àquilo que tem vindo a ser feito.”

É assim que surge este olhar inédito. Como Augusto António Cabrita explica: “Vamos, efetivamente, promover um olhar inédito. O olhar inédito, que intitula esta exposição, não é o olhar de Augusto Cabrita, não é o olhar do fotógrafo que é inédito, é o olhar de todos nós.”

A exposição apresenta a obra do fotógrafo ao longo de cerca de 30 anos, desde o Barreiro, a alguns dos vários países que visitou e fotografou, como o Brasil, os Estados Unidos ou França…

Estão também os operários da Setenave, pessoas de todo o país, fotografias do 1º de Maio, algumas de publicidade e outras de objetos.

Encontramos ainda grandes vultos das artes e da música, portugueses e muitos dos estrangeiros que por cá passaram, Amália, de quem era o fotógrafo por excelência, ou Vinicius de Moraes, de quem se mostra também uma dedicatória ao fotógrafo. Dos objetos, mostram-se algumas publicações, pequenas fotografias, capas de discos, a sua câmara Rolleiflex 6×6 ou a câmara de filmar Paillard Bolex H16.

Sem dúvida, uma homenagem ao fotógrafo Augusto Cabrita, num espaço que tem o seu nome, e que nos permite conhecer melhor a sua vasta obra.

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2024

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António Bracons, Aspetos da exposição, alguns objetos, 2024

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A exposição “Augusto Cabrita, um olhar inédito”, com curadoria do seu neto, Augusto António Cabrita, está patente no Barreiro, no Auditório Municipal Augusto Cabrita, de 1 de novembro de 2023 (nos 20 anos de inauguração do auditório) a 16 de março de 2024, quando se completam 101 anos do nascimento do fotógrafo.

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Augusto Cabrita

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Nasceu no Barreiro a 16 de março de 1923.

Faleceu a 1 de fevereiro de 1993, em Lisboa.

Foi fotojornalista de revistas como Eva, Flama e Século Ilustrado, onde expande o seu interesse pela fotografia, «vício» que lhe vinha de muito novo.

Porém, foram os trabalhos para a TV e para o cinema que deram firme personalidade à sua carreira. À máquina fotográfica, que sempre o acompanhava onde quer que estivesse, juntou-se, pois, a câmara de filmar.

Fez de tudo um pouco… operador de câmara, diretor de fotografia, realizador e produtor, sem jamais abdicar do que mais gostava de ser – um repórter, um olheiro dos acontecimentos, um historiador da atualidade.

Sobre o quotidiano português, fez mais de três centenas de pequenos filmes para o programa «Vamos Jogar no Totobola», neles fixando a sensibilidade de cronista. São ainda de recordar as muitas reportagens que fez para a RTP no Oriente, nomeadamente em Goa, Damão e Diu, pouco tempo antes da ocupação indiana; ou por exemplo, o documentário «Lisboa» para a série «Les Grandes Villes du Monde», co-realizado com Fernando Lopes em 1979.

Ainda na televisão, foi colaborador permanente em programas como «Horizonte», de Baptista Rosa, «Curto Circuito» e «No Tempo em Que Você Nasceu», de Artur Agostinho. Mas terá sido «Melomania», com João de Freitas Branco e Filipe de Sousa, o programa de TV que mais gozo lhe deu fazer, pelo encontro que marcou com o mundo da música, subjacente numa parte significativa da sua obra.

Sem pretender elaborar um extenso e exaustivo inventário da avultada produção e trabalho desenvolvido por Augusto Cabrita, não podemos deixar de referir ou destacar algumas das obras de sua autoria ou que contaram com a sua arte e saber:

Como realizador, foi autor de centenas de curtas-metragens, tais como «Improviso sobre o Algarve» (1960); «Macau» (1961); «Os Caminhos do Sol» (1966), co-realização com Carlos Vilardebó; «Viana e o Seu Termo» (1969); «Metamorfose» (1969), «Na Corrente» (1970); «A Viagem» (1970); «Hello Jim» (1970); «Catedral da Angústia» (1974), «O Mar Transporta a Cidade» (1977); «Uma História de Comboios – Uma Viagem de Hans Christian Anderson» (1978); «A Nora» (1978) ou «Açores, Ilhas do Atlântico» (1979), co-realizado com Hélder Mendes.

Foi diretor de fotografia de filmes como «Marçano Precisa-se», de Fernando Lopes (1962), «Moçambique 65», de Manuel Faria de Almeida (1965), «Tejo – Na Rota do Progresso», de Fernando Matos Silva (1967), «Minuto Zero Menos Dez», de Alfredo Tropa (1968), «Peneda – Gerês – Parque Nacional», de Hélder Mendes (1971), «Sever do Vouga… Uma experiência», de Paulo Rocha (1971), ou ainda das longas-metragens «Belarmino», de Fernando Lopes (1964) e «Catembe», de Manuel Faria de Almeida (1965). Foi ainda chefe operador da 2.ª equipa de rodagem do filme «As Ilhas Encantadas», de Carlos Vilardebó (1965).

Colaborou em diversos trabalhos gráficos, tais como o livro «Portugal», com o designer Sebastião Rodrigues. Ilustrou fotograficamente toda a obra literária de Carlos de Oliveira. Foi também o autor de fotografias de livros como «Cozinha Tradicional Portuguesa» de Maria de Lourdes Modesto, com contribuição fotográfica de Homem Cardoso; «As Mais Belas Vilas e Aldeias de Portugal», «Os Mais Belos Rios de Portugal», «Os Mais Belos Castelos e Fortalezas de Portugal», com texto de Júlio Gil ou por exemplo, «Viagem a Sul do Tejo», editado pela Associação de Municípios do Distrito de Setúbal.

Já depois do seu desaparecimento físico, é editado em 1993 o seu último grande trabalho fotográfico, o livro «Europália 91 – Um Ponto de Vista Fotográfico», com texto de Nuno Júdice e fotografias de Augusto Cabrita relativas à famosa exposição sobre a história, a arte e a cultura de Portugal que teve lugar em 1991 na Bélgica e no Luxemburgo.

Ao longo da sua vida profissional foi agraciado com diversas e importantes distinções de que se destacam o Grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique (1985), a Medalha de Ouro da Cidade do Barreiro (1986) e a Medalha de Mérito Distrital, Setúbal (1991).

Foi ainda premiado com o Prémio da Crítica (1962); Prémio Nacional de Cinema, pela fotografia do filme «Belarmino», de Fernando Lopes (1964); Troféu Foca de Ouro – 1º Prémio Internacional de Reportagem para Televisão – São Paulo (1968); Prémio Nacional de Cinema ( Aurélio Paz dos Reis), pela realização de Hello Jim (1970); Prémio Nacional de Cinema, como diretor de fotografia do filme «Pena – Gerês – Parque Nacional», de Hélder Mendes (1971); Troféu Sol de Prata do Festival Internacional do Filme Turístico de Lisboa (1972); Prémio da Imprensa, pelos seus trabalhos para televisão (1970); Prémio Bordalo (1970), na categoria “Televisão”, e Troféu Verbo (1986).

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Pode conhecer mais sobre Augusto Cabrita no FF, aqui.

A nota biográfica teve como base a que integra o catálogo da exposição “Imagens do Tejo”, ed. Câmara Municipal do Seixal, 2023, aqui.

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O autor agradece a revisão dos textos efetuada por Augusto António Cabrita, curador da exposição (15.03.2024).

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