EVGENIY MALOLETKA E MSTYSLAV CHERNOV, CERCO A MARIUPOL

Um ano de guerra na Ucrânia (24.02.2022 – 24.02.2023).

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Completou-se dia 24.02.2023 um ano da invasão da Ucrânia pela Rússia. Trago aqui mais uma exposição do Prémio Estação Imagem 2022 Coimbra, que tive oportunidade de visitar em outubro passado, mas que entretanto não tinha publicado.

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Se não fossem as fotografias do jornalista Evgeniy Maloletka durante o cerco à cidade de Mariupol, o mundo nunca poderia ter conhecido o que ali acontecia em tempo real, nem saber dos detalhes irrefutáveis e aterradores do que ali se passava. Durante semanas, Maloletka e o seu colega Mstyslav Chernov, repórter de vídeo, documentaram a destruição do porto marítimo no sul de Mariupol enquanto as forças russas cercavam a cidade e enclausuravam os seus residentes. Estes dois jornalistas reportaram as valas comuns cheias de corpos de crianças, os gestos desesperados de sobrevivência de uma população faminta e a destruição de uma maternidade. O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, afirmou que o hospital bombardeado pelas forças russas se encontrava já esvaziado de todos os pacientes e médicos – porém esta narrativa é refutada pela foto de Maloletka, tirada a 9 de Março, onde se podem ver médicos carregando uma mulher grávida ensanguentada para fora desse mesmo hospital. No dia seguinte, a imagem foi publicada na primeira página de quase todos os principais jornais do mundo. Publicaram ainda vários relatos da devastação de Mariupol, incluindo detalhes chocantes das mortes de crianças atingidas por estilhaços e também de como as pessoas tentaram contornar o corte de abastecimento de água derretendo bocados de neve. Estas histórias vieram contradizer as alegações do Kremlin de que as suas forças não atacavam alvos civis. Mariupol sofreu alguns dos bombardeamentos mais devastadores desde o início da guerra, a 24 de Fevereiro. Milhares de pessoas morreram. Chernov e Maloletka acabaram por escapar de Mariupol num Hyundai com uma família de três pessoas, depois de passar por 15 postos de controlo russos ao longo de uma fila de automóveis que se estendia por cinco quilómetros. Aproximadamente 30 000 pessoas conseguiram sair da cidade nesse mesmo dia. «Fomos os últimos jornalistas em Mariupol», diz-nos Chernov, «agora não há nenhum».

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Ukrainian emergency employees and volunteers carry an injured pregnant woman from a maternity hospital that was damaged by shelling in Mariupol, Ukraine, March 9, 2022. The woman and her baby died after Russia bombed the maternity hospital where she was meant to give birth. (AP Photo/Evgeniy Maloletka, File)

Evgeniy Maloletka, Funcionários e voluntários de emergência ucranianos retiram uma mulher grávida e ferida de uma maternidade danificada após bombardeamento. A mulher e o bebé morreram depois do bombardeamento da mesma maternidade onde ela esperava dar à luz. Mariupol, Ucrânia, 9 Março, 2022.

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António Bracons, Aspetos da exposição, Coimbra, 2022

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A exposição de Evgeniy Maloletka e Mstyslav Chernov, “Cerco a Mariupol”, produzida com o apoio da The Associated Press [AP], esteve patente no âmbito do Prémio Estação Imagem 2022 Coimbra, na Galeria Pinho Dinis da Casa Municipal da Cultura, de 13 de setembro a 6 de novembro de 2022.

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Evgeniy Maloletka Jornalista e fotógrafo ucraniano. O seu trabalho foi publicado em vários meios de comunicação proeminentes: TIME, The New York Times, The Washington Post, Der Spiegel, Newsweek, The Independent, El Pais, The Guardian, The Telegraph e outros. Em 2015, foi seleccionado para participar no Eddie Adams Workshop em Nova Iorque. Maloletka tem passado a maior parte do tempo no Leste da Ucrânia a trabalhar para a Associated Press, contribuindo igualmente com imagens filmadas. As suas imagens foram já amplamente difundidas na BBC, Euronews, NBC e noutros canais internacionais.

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Mstyslav Chernov Jornalista visual ucraniano multipremiado e autor do romance Dreamtime. Chernov trabalhou extensivamente no Leste da Ucrânia enquanto jornalista da The Associated Press, produzindo sobretudo conteúdos em vídeo. As suas filmagens foram amplamente divulgadas na BBC, Euronews, NBC e noutras estações de televisão internacionais. Nos últimos 8 anos, inicialmente como freelancer e depois como jornalista da The Associated Press, tem feito reportagem na Ucrânia, Iraque, Síria, Gaza e um pouco por toda a Europa. Chernov também dá aulas e é criador de programas educacionais sobre Fotografia Documental e Videografia.

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