JULIÃO SARMENTO, CAFÉ BISSAU, 2020
Morreu Julião Sarmento (Lisboa, 4 de novembro de 1948 – Lisboa, 4 de maio de 2021)
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Julião Sarmento
Café Bissau. Photographs 1964-2017
Fotografia: Julião Sarmento
Lisboa: Pierre von Kleist Edition / Setembro . 2020
Inglês / 22,0 x 28,0 cm / 128 pp
Cartonado / + Edição especial, com fotografia, 20 ex + 5 PA
ISBN: 9789895424559
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Faleceu hoje, com 72 anos e meio o artista Julião Sarmento. Estava doente com cancro e morreu pelas 7h00 na Fundação Champalimaud, em Lisboa.
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Trago aqui o seu mais recente livro, Café Bissau, que reúne as suas fotografias de 1964 a 2017. Uma edição da Pierre von Kleist Edition, saído há menos de um ano. Um livro diferente. As imagens sucedem-se, sem qualquer texto, sem qualquer informação, sem qualquer data.
Um álbum, um atlas.
Fotografias.
Apenas fotografias.
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Escrevem os editores na apresentação da obra:
Julião Sarmento fotografa há mais de quarenta anos. Desde cedo, o seu domínio técnico e lírico do medium permitiu-lhe desenvolver um estilo pessoal. As suas fotografias cobrem uma ampla variedade de interesses: pessoas, lugares, encontros, viagens, animais dentro ou fora de jardins zoológicos, carros, experiências com luz…
Dois anos em elaboração, Café Bissau é o derradeiro tour de force no arquivo de Sarmento. Imagens cruas e espontâneas inspiradas pelo zeitgeist ficam lado a lado com séries construídas mais cuidadosamente numa elegante edição. Fotografias de médio formato, 35mm, a cores, preto e branco, digitais e analógicas fluem harmoniosamente no atlas de Sarmento.
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Julião Sarmento, Café Bissau, 2020
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Na comunicação da sua morte, destaca a Galeria Cristina Guerra:
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Figura central da Arte Portuguesa desde os anos 70, Julião Sarmento foi o primeiro artista da sua geração a alcançar um amplo reconhecimento internacional, expondo em inúmeros museus e eventos de prestígio. Afirmou-se como um dos grandes interpretes e pensadores no contexto da arte, a sua vida e obra refletem uma dedicação total ao meio artístico e à arte contemporânea.
Possuidor de uma obra abrangente, cobrindo um vasto leque de meios, dotado de uma grande erudição e de uma capacidade de incluir uma amplitude de referências culturais, desde as mais populares às mais eruditas tendências contemporâneas da literatura, filosofia e cinema. Julião Sarmento pugnou durante toda a sua longa carreira, por apresentar ao público um trabalho de cariz experimental, com um desejo profundo de reflexão sobre o seu tempo.
Dotado de uma invulgar capacidade de estabelecer amizades duradouras no mundo da arte internacional, afirmou-se desde cedo, como grande embaixador do meio artístico nacional junto da comunidade internacional, sendo inúmeros os artistas, curadores, colecionadores e galerias em Portugal e no estrangeiro que beneficiaram da sua generosa amizade e dedicação. Para a família, amigos, galerias e o meio artístico e cultural que o acompanharam ao longo da vida, o seu desaparecimento deixa uma enorme dor e vazio.
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Galeria Cristina Guerra, Julião Sarmento
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Julião Sarmento (Lisboa, 4 de novembro de 1948 – Lisboa, 4 de maio de 2021)
Estudou Pintura e Arquitectura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa.
Julião Sarmento foi um criador prolífico, multifacetado e de acentuado pendor experimental: a sua obra abrange um vasto leque de meios artísticos, desde a pintura, desenho, escultura, instalação, fotografia, filme, vídeo, som e performance. Na grande amplitude conceptual do seu trabalho é notória a proliferação de inúmeras referências eruditas com origem na literatura e na filosofia, na arte e na arquitetura, na música e no cinema. Esta multiplicidade de referências definiu a enorme abrangência crítica da sua obra enquanto território de imagens, mas também de narrativas e mitologias da nossa época.
Julião Sarmento foi um artista do seu tempo.
Ao percorrer a sua obra é possível discernir a preponderância de certas atitudes estéticas, numa grande atenção ao presente, desde o período marcado pelas tendências conceptuais, passando pela inclinação pelos dispositivos técnicos da imagem – filme, fotografia, vídeo – até ao regresso ao desenho e à pintura que se verificou na década de 1980, ou à performance e à imagem em movimento.
Em paralelo, as suas obras evidenciam também um contexto artístico crescentemente permeável aos modelos teóricos – presente nas referências à filosofia pós-estruturalista, à semiologia ou à teoria da imagem – mas também uma intensa poética ligada à literatura.
Na obra de Julião Sarmento cruzam-se referências à cultura erudita como à cultura popular (nomeadamente ao cinema), bem como uma atenção crítica e permeabilidade em relação à proliferação das imagens contemporâneas.
Figura central da Arte Portuguesa desde os anos 1970, Julião Sarmento foi também o primeiro artista da sua geração a alcançar um amplo reconhecimento internacional, expondo em museus e eventos de grande prestígio no contexto da arte contemporânea: Documenta (1982 e 1987), Bienal de Veneza (1980, 2001) e em 1997 enquanto representante de Portugal), e Bienal de São Paulo (2002). A sua obra está representada em importantes colecções de arte públicas e privadas, onde se incluem o Centre Georges Pompidou (Paris), o Museu de Arte Contemporânea de Serralves (Porto), Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia (Madrid), o Museu Calouste Gulbenkian (Lisboa), o Museum of Modern Art (Nova Iorque), o Guggenheim Museum (Nova Iorque), o Art Institute de Chicago (Chicago) e a Tate Collection (Londres),
bem como Bayerische Staatsbibliothek , Munique, Alemanha; Caixa Geral de Depósitos, Lisboa; CCA Kytakyushu, Kytakyushu, Japão; CCB Centro Cultural de Belém, Lisboa; Corcoran Gallery of Art, Washington, DC., EUA; Ellipse Foundation, Lisboa; FLAD Fundação Luso-Americana Para o Desenvolvimento, Lisboa; Fogg Art Museum, Harvard University, Cambridge, Massachusetts, U.S.A. Fondazione Amelio, Nápoles, Itália; Fondo Artistico dello Archivio Storico delle Arti Contemporanee della Biennale di Venezia, Veneza, Itália.
(Comunicação da Galeria Cristina Guerra e sites da galeria e do autor).
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Pode saber mais sobre a obra de Julião Sarmento no FF, aqui; no seu site, aqui, no site da Galeria Cristina Guerra, aqui e sobre o livro, aqui.
Pode ler a entrevista de Julião Sarmento a Ana Soromenho Marques, à revista E – A Revista do Expresso, em janeiro de 2016, aqui e o obituário “Nos labirintos do desejo”, por Celso Martins, no Expresso, aqui.
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Atualizado em 05.05.2021.
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