PEREIRA LOPES, …20 ANOS DEPOIS, 2015
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Pereira Lopes
… 20 anos depois
Fotografia: Pereira Lopes / Apresentações: Pereira Lopes, Paulo Patrão, Gonçalo Rocha
Pedorido: Grupo de Dinamização e Cultura de Pedorido / 1.ª ed. Setembro . 2015; 2.ª ed. novembro . 2015
Português / 22,9 x 23,1 cm / 132págs.
Brochura / 100 ex (2.ª ed.)
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Pereira Lopes escreve em introdução à obra:
As Minas do Pejão começaram a funcionar em 1886. Fecharam a 31 de Dezembro de 1994, após ter sido deliberado o seu encerramento em 4 de Outubro de 1990, pelo governo de então, liderado por Cavaco Silva.
Este livro contempla mais de uma centena de pessoas retratadas. Todas elas estiveram, de uma forma ou de outra, ligadas às Minas do Pejão e pretende-se que representem os milhares de pessoas que trabalharam nessa empresa, pioneira no desenvolvimento social, recreativo e cultural dos seus funcionários.
20 anos após o fecho, fui à procura do património humano. Dos homens e mulheres que lá trabalharam. Quem eram? Qual era a sua função na empresa? 20 anos volvidos, o que fazem?
Dos retratados ouvi estórias e lamentos e vi reencontros. E vi também algumas lágrimas, pelo estado em que, 20 anos depois, foram encontrar as “suas” minas.
Alguns nunca mais lá tinham entrado desde que fecharam!!!
A fotografia também se faz de estórias, lamentos, reencontros e lágrimas.
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Este livro reúne mais de uma centena de retratos: rostos, expressões, de homens que trabalharam nas minas: mineiros, capatazes, serralheiros, escombreiros… Operários e técnicos. Identifica cada um com o nome, a alcunha, o local de nascimento e a data de nascimento, a função na empresa, os anos na empresa e a situação atual.
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Joaquim Margarido no seu blog “Erros meus, má fortuna, amor ardente…”, escreve a propósito deste projeto:
Seguindo o destino das Minas de São Pedro da Cova, da Companhia de Carvões do Cabo Mondego ou das Minas de Lenhite de Rio Maior, as Minas do Pejão viram os seus portões fecharem-se nos últimos dias de 1994. Ao longo de 108 anos de actividade contínua, esta foi a mais importante exploração de carvão da chamada Bacia Carbonífera do Douro, assumindo-se como a principal referência identitária, não só do concelho de Castelo de Paiva, mas de toda a região. Ditado pela lógica da concorrência, assente em critérios economicistas e sustentado pela insensibilidade do Governo de Aníbal Cavaco Silva, o encerramento das Minas foi dramático, lançando centenas de pessoas no desemprego, numa zona deprimida, que vivia à custa da mina e onde não havia mais nada.
Vinte anos volvidos sobre o fecho das minas, o fotógrafo avintense Pereira Lopes embarcou num projecto pessoal de recuperação de estórias e memórias, ao encontro da “família do Pejão”. Foram dez meses de preparação, aos quais se juntaram outros tantos de trabalho de campo, daí resultando “O Pejão… 20 Anos Depois”, conjunto de belíssimas fotografias a preto e branco, (…) os retratos (…) não apenas daqueles que trabalharam no fundo da Mina, mas também de outros que a ela estão indelevelmente ligados, que são fruto da sua estrutura sociocultural e para quem hoje o legado mineiro tem um valor, sobretudo, enquanto memória colectiva.
Olhar nos olhos o Bloca, o Chasco, o Político, a Deolinda do Aido, a Emilia da Gusta, o Casoto, o Manel 29 ou o Pissalho, é ler em cada um deles o desencontro de sentimentos temperados pela dureza da vida e do trabalho, com jornadas de oito horas e meia por dia, todos os dias, todos os meses e todos os anos no inferno a mais de 400 metros de profundidade, os pulmões carregados de sílica, a morte sempre à espreita. É “ver caras e ver corações”, a incompreensão e a revolta apaziguadas mas latentes, a resignação de quem sabe que Lisboa fica tão longe. É mergulhar numa realidade que se vai repetindo de forma cíclica e nos remete para o pesadelo recente da austeridade em nome do défice, as ondas de choque a fazerem-se sentir ainda hoje, tão pouco desvanecidas por uma “geringonça” que não passa disso mesmo. Daqui a 20 anos, alguém se lembrará de fotografar os sobreviventes da troika e verá nos mesmos rostos, na mesma raiva e na mesma aceitação, o Pejão de sempre. Até lá temos Pereira Lopes e o seu olhar sensível e profundamente humano.
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Pereira Lopes, …20 anos depois, 2015
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“O Pejão… 20 anos depois”, de Pereira Lopes esteve em exposição no Centro de Interpretação da Cultura Local, em Castelo de Paiva, em Outubro de 2015, zona de onde são naturais grande parte dos trabalhadores da mina. Em itinerância, a exposição passou entretanto por Avintes, Aveiro, Lourosa, Vila do Conde e Ribeira Grande, e novamente em Avintes, na antiga Escola do Palheirinho, naquele que é o quinto e último capítulo das “Propostas Fotográficas 2018” do Festival iNstantes, entre 12 de outubro e 12 de novembro de 2018.
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Pereira Lopes nasceu no Porto, a 1 de Outubro de 1955. Naquela época, os avintenses começavam a nascer fora de portas. Ao fim de 11 dias, já recuperado do nascimento, foi viver para Avintes. Até hoje.
O interesse pela fotografia começa aos 16 anos, quando ainda frequentava a Escola Industrial e Comercial de Vila Nova de Gaia e a revista “Amateur Photographer” era de leitura obrigatória.
Começa a fotografar, de forma sistemática, em 2005. Em 2007, faz um Curso de Fotografia, no IPJ do Porto com Miguel Ferraz. Em 2008, é convidado pelo Instituto Português de Fotografia, a participar no livro “Olhares”.
Em Fevereiro de 2011, participou na sua primeira exposição colectiva, na Galeria Olhos d`Arte, no Porto. A primeira exposição individual “Da luz e do olhar”, aconteceu na mesma galeria, em Setembro de 2011.
Em 2014, foi o autor das fotografias do livro “20 Poemas en remanso”, com poesia de Carmen Muñoz. Em Outubro de 2015, foi editado o livro “…20 anos depois” com retratos de antigos funcionários da Empresa Mineira do Pejão. Em Novembro, saiu a 2ª edição. Ainda em 2015, foi o autor da capa do livro de poesia “ À flor da pele” de Carmen Muñoz e da capa da revista Arte Fotográfica #76.
Já expôs em Portugal, Espanha, França e Chipre.
Faz parte do Halo – Colectivo de Fotografia. Organiza o PicNic`Arte. É o director do iNstantes – Festival Internacional de Fotografia de Avintes.
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Pode ver um portfólio deste projeto no Fascínio da Fotografia aqui.
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