ANTÓNIO BRACONS, EXPO’98. ENTRAR, 1998
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Preâmbulo à série EXPO’98
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A EXPO’98 marcou o país e os portugueses. Pela dimensão da exposição em si, por toda a intervenção efetuada, não só nos 330 hectares da Zona de Intervenção – uma parte muito degradada da Zona Oriental de Lisboa –, mas em toda a envolvente: em Lisboa, nos municípios de Loures, Vila Franca, Alcochete, Montijo e outros. A Ponte Vasco da Gama e a Gare do Oriente são apenas duas das obras que mais impacto revelaram sobre a vida de todos. As várias autoestradas, itinerários principais e complementares exibiam sinalética que apontava para a EXPO’98.
A nossa capacidade de realizar e organizar – que sabíamos ser capazes – foi revelada a todos.
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Quando passam 20 anos sobre a realização da EXPO’98 – que decorreu de 22 de maio a 30 de setembro de 1998 – fui buscar algumas das fotografias que fiz nas 27 vezes (se não estou em erro) que visitei a Exposição – diversas só à noite.
As imagens que apresento são digitalizações de impressões então feitas, a cor ou a preto e branco. Não quero documentar, mas mostrar parte do que foi e do que se viveu.
Como base, fui buscar um texto que então escrevi e que serve de base, com algumas adaptações pontuais, às várias publicações que faço.
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Bilhete de 1 dia para a EXPO’98
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Razão de ser – “O Sonho Comanda a Vida”
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A EXPO’98 surgiu numa conversa num almoço entre António Mega Ferreira e Vasco Graça Moura, dez anos antes: estavam à frente da Comissão Nacional para as Comemorações dos 500 anos dos Descobrimentos Portugueses, liderada por Francisco Faria Paulino, que havia sido diretor do Pavilhão de Portugal na Exposição Internacional de Sevilha, em 1992. Criar uma exposição mundial comemorando o 5º centenário da chegada de Vasco da Gama à India, em 1498, depois de Bartolomeu Dias ter dobrado o Cabo da Boa Esperança dez anos antes. Os portugueses haviam chegado ao Oriente, feito a ponte para o Índico, por mar. Dentro de dois anos, Pedro Álvares Cabral chegaria ao Brasil e, pouco depois, estaríamos na China e no Japão.
De “onde a terra acaba e o mar começa”, partiram os portugueses por mar, uniram o mundo, no desafio de conhecer e encontrar novas terras, novas gentes, novo mar.
Que o mar unisse,
Jamais separasse,
A terra seja toda una”
, como diz Fernando Pessoa no poema “O Infante” do livro “Mensagem” – os oceanos tornavam-se assim meio de ligação e de aproximação.
Os Oceanos, hoje ainda tão mal conhecidos, são fonte inesgotável de vida e de água, que urge cuidar, proteger e preservar, não sujar, não poluir, pois do seu estado depende toda a vida na terra.
Os Oceanos, um património para o futuro, surge assim como um tema fundamental na transição do milénio.
Onde? Em Lisboa, a capital, cidade de onde partiam as armadas. Foi escolhida a zona Oriental, como o Oriente foi a meta dos Descobrimentos portugueses. Como esta era uma zona da cidade que urgia recuperar: as refinarias e depósitos de combustíveis, a central de tratamento de lixos, o matadouro, o parque de contentores e tantos espaços meio abandonados deram lugar a uma nova cidade…
Tecnicamente, a EXPO foi também o campo de ensaio de diversas inovações.
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António Bracons, EXPO’98, Lisboa, 1998
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As portas
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Chegados de metro, de comboio ou mesmo de autocarro, saímos na Estação do Oriente, desenhada pelo arquiteto Santiago Calatrava, um dos principais pólos intermodais da cidade de Lisboa, destaca-se pela sua cobertura de árvores de ferro e vidro. A EXPO abre-se à nossa frente, logo depois da Porta do Sol.
A Porta do Sol é o amplo espaço, coberto a vidro, que depois foi transformado no Centro Comercial Vasco da Gama.
O Gil, a mascote, deve o nome do navegador Gil Eanes, navegador que dobrou o Cabo Bojador 10 anos antes de Vasco da Gama chegar à Índia, olha a exposição.
Poderíamos também entrar pela Porta do Mar, próximo da Marina da EXPO, a qual integra a torre de refinaria, o único elemento testemunho do que aquele espaço foi.
Do lado oposto, temos a Porta do Norte. Se viéssemos pelo rio, teríamos a Porta do Tejo…
Entro pela Porta do Sol…
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