ANTÓNIO BRACONS, JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA

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António Bracons, José Tolentino Mendonça, Lisboa, 2018

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José Tolentino Mendonça é, sem qualquer dúvida, um dos vultos da cultura portuguesa contemporânea. Padre, teólogo, professor universitário, escritor, poeta, cronista, leitor. Leitor como aquele que lê – e lê muito.

A leitura é fundamental para saber, para conhecer, para abrir horizontes. Como diz Sophia no seu poema Cantata de Paz, “Vemos ouvimos e lemos / não podemos ignorar”. É talvez este um dos traços mais marcantes da sua pessoa e da sua obra: ler, ler literatura. E integrar a sabedoria que vem da leitura e da literatura na sua vida e, ao integrar na sua vida, passa naturalmente para a sua obra.

Os seus mais de trinta livros publicados – entre poesia, prosa, espiritualidade, ensaio, crónicas – bem como as crónicas que semanalmente escreve na revista do jornal Expresso, na rubrica “Que coisa são as nuvens” (o que primeiro leio do jornal), são testemunhos desta vivência – e da vivência de Deus – porque esta está sempre presente em Tolentino Mendonça de forma palpável, como na de um cristão comprometido: a vivência de Deus faz parte da vida, sente-se nas ações, nos gestos, na atitude, no sorriso.

A sua obra tem sido distinguida com vários prémios, destacando-se o Prémio Cidade de Lisboa de Poesia (1998), o Prémio Pen Club de Ensaio (2005), o italiano Res Magnae, para ensaios (2015), o Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes APE (2016), o Grande Prémio APE de Crónica (2016) e o Prémio Capri-San Michele (2017).

José Tolentino Mendonça nasceu em Machico, na ilha da Madeira, a 15 de dezembro de 1965. É vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa (onde se doutorou em Teologia), diretor do Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião, capelão da capela do Rato, consultor do Pontifício Conselho para a Cultura (Vaticano). Na Católica, “contribuiu para tornar a actividade artística um eixo central da acção da Universidade Católica, incentivando um diálogo renovado e fecundo com a sociedade através da sua intervenção cultural e literária”. O Papa Francisco convidou-o a orientar o seu retiro de Quaresma (e da Cúria Romana), no Vaticano (encontra-se publicado: “Elogio da sede”, Lisboa: Quetzal Editores, 2018, prefácio e mensagem final do Papa Francisco). “Teólogo e poeta, é uma das vozes mais autorizadas da cultura do seu país”, referia o L’Osservatore Romano, jornal oficial do Vaticano, no anúncio. Pouco depois, anunciado a 26 de junho, foi elevado à dignidade de arcebispo, titular de Suava, e nomeou-o arquivista do Arquivo Secreto do Vaticano e bibliotecário da Santa Sé, passando a tutelar a mais antiga biblioteca do mundo. Iniciará funções a 1 de setembro e vai substituir Jean-Louis Bruguès, que assumiu o cargo em 2012, tem agora 75 anos.

A sua obra é literária e de leitura deliciosa. E esta nomeação é sem dúvida um reconhecimento da sua cultura e competência. Ao ler esta notícia recordei as fotografias que lhe fiz aquando da cerimónia comemorativa do 50.º aniversário da Universidade Católica Portuguesa, no passado dia 2 de fevereiro.

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