DAVID DE ALMEIDA CARVALHO, COIMBRA AO SEU TEMPO

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David de Almeida Carvalho, Coimbra

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A História da Fotografia é feita de toda a produção realizada. Nomes consagrados porque divulgaram os seus trabalhos e foram no seu tempo reconhecidos, outros posteriormente quando tiveram visibilidade, como Victor Palla e Costa Martins em Portugal, Jacques-Henri Lartigue em França ou Vivian Maier nos Estados Unidos da América, para citar apenas alguns exemplos.

A fotografia portuguesa ao longo das décadas de 1940 a 1970, a menos um conjunto de autores que é por ora reconhecido, contou com um número significativo de fotógrafos amadores, cujo trabalho é, na sua maioria, praticamente desconhecido. Muitos destes fotógrafos pertenceram a associações essencialmente de amadores, mas em que se incluíam alguns profissionais, como o Grupo Câmara de Coimbra, o Foto Club 6X6, e o Grémio Português de Fotografia, de Lisboa, a Associação Fotográfica do Porto, o Grupo de Amadores de Fotografia de Santarém, a Secção Fotográfica do Clube dos Galitos, de Aveiro ou a Associação Fotográfica do Sul, de Évora. Através das suas publicações é possível conhecer alguns autores e trabalhos.

Do trabalho produzido por estes autores, o de alguns encontra-se depositado em arquivos, em muitos casos arquivos municipais, inventariados, portanto, e em parte estudados ou aguardando o seu estudo – quantas teses de mestrado ou doutoramento poderiam ser efetuadas dando a conhecer estes autores! – outras em posse das famílias, estimados e divulgados (o caso de Artur Pastor, por exemplo) ou simplesmente guardados, vindo alguns a ser doados a arquivos públicos ou privados que zelam e promovem a sua conservação, estudo e divulgação, contribuindo para o crescimento da História da Fotografia Portuguesa.

Um exemplo, é o livro e exposição Batalha de Sombras. Coleção de Fotografia Portuguesa dos anos 50 do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, comissariada por Emília Tavares e apresentada no Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira, em 2009, veio dar visibilidade a alguns destes autores e alertar para a importância e a qualidade da fotografia portuguesa então produzida.

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Prospeto da exposição

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Vêm estas notas a propósito da exposição “Coimbra ao seu tempo”, fotografias de David Carvalho, que a Câmara Municipal de Coimbra apresentou na Sala da Cidade, contígua à Câmara Municipal de Coimbra, na Rua Olímpio Nicolau Rui Fernandes, entre 20 de dezembro de 2016 e 25 de fevereiro de 2017, que infelizmente não consegui visitar e não foi feito nenhum catálogo, mas o carinho pela cidade e o conhecimento que tenho do Grupo Câmara de Coimbra – de que falarei aqui em breve – levam-me a referir.

Esta exposição assinala o trabalho de David de Almeida Carvalho, cujo espólio foi doado pela viúva à Câmara Municipal de Coimbra, cerca de 25 anos após a morte do fotógrafo, como noticiava o site do município em 17 de agosto de 2016: “O espólio fotográfico de David de Almeida Carvalho doado à CMC”, referindo que o mesmo “é constituído por 10.117 imagens: 8439 negativos; 1607 diapositivos; 51 provas e 20 postais. A temática é bastante diversificada, sendo que o núcleo sobre Coimbra tem grande valor estético e documental.”

O ‘núcleo de Coimbra’ carinhosamente acolhido pelo Município, pelo interesse ‘estético e documental’, mas não tenho dúvidas que todo o espólio é, no geral, muito interessante e de grande qualidade fotográfica.

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David de Almeida Carvalho (1911-1991) nasceu em São Julião, Figueira da Foz, e estabeleceu-se em Coimbra como comerciante de relojoaria e ótica, com casa comercial situada na Praça do Comércio, pois era relojoeiro de profissão.

A fotografia foi uma paixão, tendo procurado aprofundar o seu conhecimento e estudo, participou em inúmeros salões, nacionais e internacionais (basicamente a forma comum de apresentar fotografias nas décadas de 1940 a 1970) em que ganhou diversos prémios. Integrou o Grupo Câmara de Coimbra, fundado em 1948, um dos principais grupos de amadores de fotografia do país, do qual chegou a fazer parte da direção: foi vogal no biénio 1951-52, vice-presidente de 1955 a 1959 e em separata ao último número do Boletim do Grupo (n.º 77-86, Mai. 1958 – Fev. 1959, pp. 705-756), em que se apresenta uma lista dos corpos sociais para votação dos sócios, o seu nome consta para o cargo de tesoureiro.

Entre outras imagens, David de Almeida Carvalho, como sempre é referido no Boletim e catálogos do Grupo Câmara, registou a Coimbra do seu tempo, com a sua evolução, crescimento, desenvolvimento, como a construção da Igreja de S. José e da Escola Secundária Avelar Brotero, o antigo estádio do Calhabé, alguns dos edifícios demolidos na Alta de Coimbra para a construção da cidade universitária e a sua construção, as lavadeiras do Mondego, as margens do rio alagadas pelas cheias, a Queima das Fitas dos anos 40 e 50…

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