THE TALL SHIPS RACE, LISBOA, 2016.07
António Bracons, The Tall Ships Race, Lisboa, 07.2016
Lisboa recebeu a The Tall Ships Races 2016 entre 22 e 25 de Julho, no ano em que se comemoram os 60 anos deste evento, com o objetivo de manter vivas as tradições dos grandes navios veleiros. Na verdade, o desenvolvimento e a velocidade conseguida pelos navios a motor, aliada aos grandes danos causados pela Primeira e Segunda Grandes Guerras Mundiais, levou a que os veleiros praticamente se extinguissem.
Foi assim que
Em 1954, o Embaixador de Portugal em Londres – Dr. Pedro Theotónio Pereira – e um Advogado Inglês Londrino – Bernard Morgan – incitaram a realização de uma regata que reunisse os grandes veleiros ainda existentes. Com o apoio de outras entidades e personalidades prestigiosas no mundo náutico, foi fundada a primeira comissão organizadora que, em 1956, concretizou a 1ª regata em Torbay, sul de Inglaterra, e em Lisboa, com a participação de 12 grandes veleiros – Moyana (UK), Christian Radich (Noruega), Ruyam (Turquia), Falken (Suécia), Maybe (Holanda), Gladan (Suécia), Flying Clipper (Suécia), Creole (Reino Unido), Sørlandet (Noruega), Georg Stage (Dinamarca), Sagres (Portugal), Mercator (Bélgica) – 8 de dimensões mais reduzidas – Artica II (Itália), Juana (Argentina), Sereine (França), Marabu (Reino Unido), Bellatrix (Portugal), Theodora (Reino Unido), Provident (Reino Unido) e Berenice (Reino Unido).”
Devido ao grande sucesso do evento de 1956, as regatas The Tall Ships Races têm lugar anualmente, com o objetivo de “promover o treino de Vela e Mar junto dos Jovens de todo o mundo”, proporcionando aventuras, desafios, espírito de equipa, autoconhecimento e intercâmbio cultural a bordo dos veleiros.
Este ano, a The Tall Ships Races começou em Antuérpia, Bélgica, nas margens do Rio Escalda (7 a 10 de julho), passou por Lisboa (22 a 25 de julho), continuando por Cádiz, Espanha (28 a 31 de julho), terminando depois de “um «cruise-in-company» através de portos portugueses e espanhóis, até La Coruña, Espanha (11 a 14 de agosto), onde se encontra o farol mais antigo do mundo. Paragem em quatro portos, percorridas 21.955 milhas náuticas, uma missão: promover o treino de mar e vela junto dos jovens de todo o mundo”.
Participaram este ano cerca de 60 veleiros, sendo possível visitar uma parte significativa destes. Muitos milhares de pessoas os visitaram, e foram acompanhados por diversas embarcações.
Há sem dúvida, um fascínio por estas grandes embarcações, contudo tão pequenas face ao mar imenso. Pelas embarcações e pelos que nelas navegam. E a nossa caravela Vera Cruz, tão pequena face à dimensão destes veleiros, mas à escala das caravelas e naus de quinhentos que sulcaram os mares, do Atlântico, do Índico, das Américas, de África e da Ásia… Nelas nós fomos mundo fora…
Aqui veremos, de passagem, entre tantos outros, o Simon Bolívar, o Americo Vespucci, os portugueses Santa Maria Manuela e Creoula, o Pelican of London, o Alexander von Humbolt, o Statsraad Lehmkuhl e o Georg Stage, lado a lado, tal como o Pogoria e o Lord Nelson, a caravela Vera Cruz.
Também o Christian Radich, o Cuauhtémoc e o Dar Mlodziezy.
Nos próximos dias entraremos nalgumas destas fabulosas embarcações.