SOFIA YALA, TYPE HERE TO SEARCH + BODY AS AN ARCHIVE
As séries integram a exposição “Emotional Encounters” do Imago Lisboa Photo Festival, com curadoria de Elina Heikka, patente no MNAC – Museu Nacional de Arte Contemporânea / Museu do Chiado, em Lisboa, de 21 de novembro de 2025 a 01 de fevereiro de 2026.
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As duas séries fotográficas de Sofia Yala abordam a necessidade profunda de conhecer melhor a história familiar angolana / portuguesa. Pesquisas tanto no Google como em arquivos tradicionais ofereceram rotas para o passado.
A série Type Here to Search (Escreva Aqui para Pesquisar) nasce das várias perguntas suscitadas pelos rostos desconhecidos nos álbuns de fotografias de família. Sofia Yala mergulha nos arquivos familiares para compreender o percurso da sua família e a sua transição para o presente. Conversas continuadas com familiares levaram Yala a perceber que grande parte da informação sobre a história da família está fragmentada e perdida para sempre. No entanto, o reconhecimento da importância dos álbuns de famílias negras e da sua representação da história negra serve como impulso pessoal para digitalizar e visualizar essa história através da prática artística e da expressão diversificada.
O ponto de partida da série Body as an Archive (O Corpo como Arquivo) foi uma mala do avô paterno de Yala, que continha apontamentos privados sobre os locais e datas de nascimento dos filhos, nomes completos, documentos oficiais e correspondência internacional. “Aos poucos, comecei a tirar autorretratos para documentar o meu processo criativo de investigação; as mãos recolhem, procuram, tocam e sentem texturas. O método de posar em frente a uma parede representa as limitações e consequências da migração forçada. Por outro lado, o ato de encarar a porta simboliza o início de uma nova jornada — ou a sua antítese”, afirma Sofia Yala.
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Sofia Yala, Type Here to Search, 2020 + Body as an Archive, 2020-2021
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2025
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As séries de Sofia Yala, “Type Here to Search (2020)” + “Body as an Archive (2020-2021)”, integram a exposição “Emotional Encounters” do Imago Lisboa Photo Festival, com curadoria de Elina Heikka, que está patente no MNAC – Museu Nacional de Arte Contemporânea / Museu do Chiado, na Rua Capelo, 13 (entrada pela Rua Serpa Pinto, 4), em Lisboa, de 21 de novembro de 2025 a 01 de fevereiro de 2026 (3ª feira a domingo, 10h00 – 13h00, 14h00 – 18h00).
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Sofia Yala, nascida em Lisboa em 1994, é uma fotógrafa angolana/portuguesa. É licenciada em Estudos Africanos e possui um mestrado em Antropologia e Culturas Visuais. Em 2021, concluiu um mestrado em Artes: Cinema e Fotografia no Reino Unido.
A obra de Yala explora material de arquivo e encontros inesperados na vida, transmitindo narrativas através de diferentes tempos, texturas e camadas. Seu trabalho reflete sobre ecossistemas interseccionais em nosso vasto e intrincado mundo. Embora a fotografia seja central para seu processo artístico, Sofia também gosta de experimentar outros formatos e composições para apresentar seu trabalho.
A artista descreve sua prática como híbrida, encarando-a como um esforço contínuo que nunca se completa. Ao repensar e revisitar o passado, Sofia abre espaço para reflexões futuras sem comprometer a essência do presente. Ela presta atenção meticulosa a detalhes como texturas e combinações para remodelar memórias e experiências.
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Sobre a exposição “Emotional Encounters”, escreve a curadora, Elina Heikka:
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A nossa relação com fotografias antigas de família e álbuns fotográficos é profundamente emocional. Ao folhearmos velhas fotografias, somos confrontados com memórias boas e preciosas, mas também por vezes com questões dolorosas. Sobretudo quando a história familiar contém episódios difíceis ou silenciados, as fotografias despertam uma variedade de emoções contraditórias. Têm um poder especial de ativar a nossa mente. Podem persistir na memória como se exigissem uma resposta.
As três artistas presentes nesta exposição têm em comum o facto de parte essencial dos seus projetos serem antigas fotografias de família que elas encontraram. As fotografias e os arquivos motivaram-nas e constituem uma parte substancial das suas séries de trabalho. As artistas são Aline Motta, Sofia Yala e Yassmin Forte, cujas histórias familiares estão, de diferentes formas, marcadas pelo colonialismo português no Brasil, em Angola e em Moçambique.
Quando a brasileira Aline Motta soube que o pai desconhecido da sua avó era um jovem adolescente branco, filho do patrão, decidiu investigar a fundo a história da sua família. Como metáfora dos tempos do tráfico de escravos, Motta leva simbolicamente as fotografias dos seus familiares de volta às suas origens, em Portugal e na Serra Leoa. A série fotográfica de Sofia Yala documenta de forma simbólica o processo de investigação da artista, que procurou desvendar a história da sua própria família de origem angolana. Já o trabalho de Yassmin Forte retrata a complicada história de amor entre um pai que serviu no exército português e uma mãe moçambicana, marcada pelo legado das guerras coloniais.
Tipicamente, uma história familiar bem documentada e álbuns fotográficos volumosos, que abrangem várias gerações, são sinal de uma posição socioeconómica privilegiada, enquanto circunstâncias mais modestas correspondem a histórias familiares mais abertas, incompletas ou fragmentadas. O que une estas três artistas é o facto de o património visual das suas famílias ser fragmentado, aleatório, e frequentemente levantar mais perguntas do que respostas. Os arquivos e a investigação ajudam a desvendar alguns mistérios, mas, apesar de todos os esforços, a incerteza permanece.
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A exposição integra ainda, em salas sucessivas, as séries de Aline Motta, “Pontes sobre Abismos” (2017), no FF, aqui e de Yassmin Forte, “This is a story of my family” (2022 – 2024), no FF, aqui.
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Pode conhecer mais sobre a obra de Sofia Yala aqui.
A agenda da 7.ª edição do Imago Lisboa Photo Festival, 2025, no FF, aqui.
Sobre esta edição do Imago Lisboa Photo Festival, no seu site, aqui.
Sobre estas e outras edições do Imago Lisboa Photo Festival, no FF, aqui.
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Cortesia: Imago Lisboa Photo Festival
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