RICARDO BENTO, ORKHÉSTRA
A exposição integra o Imago Lisboa Photo Festival, patente nos Jardins do Bombarda, em Lisboa, de 11 de outubro a 6 de novembro de 2025.
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Sobre o projeto, escreve Ricardo Bento:
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A palavra grega orkhéstra significa na sua origem, lugar no qual se dança. Espaço central nas performances artísticas da antiguidade grega onde músicos, dançarinos, atores e público se juntavam, celebrando a diversidade das diferentes formas de expressar a vida. Pode afirmar-se que era um dos nós centrais de celebração artística, de singularidade individual e de horizontalidade democrática dos estatutos sociais, permitindo o acesso ao palco a todos os cidadãos intervenientes, independentemente da sua função social.
Neste trabalho centrei-me numa rede de relações similar, mostrando as trajetórias musicais de jovens músicos em transição para a vida adulta que iniciaram a sua aprendizagem na Orquestra Geração (OG). Este projeto coletivo de aprendizagem musical abrange jovens e crianças das periferias mais pobres da cidade de Lisboa, populações sujeitas a fenómenos de injustiça e desigualdade social, xenofobia e racismo. Procurei acompanhar as múltiplas redes de interconhecimento destes jovens, quer nas diversas estruturas internas da OG, quer na pluralidade de experiências musicais que surgem do seu desejo de liberdade criativa e autonomia social.
Com diferentes origens de classe, géneros e culturas estes jovens músicos que iniciaram as suas aprendizagens em contexto orquestral, abrem-se para as ruas de uma cidade através de performances de vários tipos. Analiso tais performances que, além de contribuírem para a construção das suas trajetórias musicais múltiplas e heterogéneas, vão consolidando os territórios urbanos e periurbanos por onde vão passando e atuando.
Experimentar o quotidiano destes jovens músicos, conhecer as suas biografias, reconstruir as suas trajetórias musicais e os circuitos em que participam, permitiu-me observar os lugares onde vivem, escutar as suas aspirações, pensar as dinâmicas de ‘cidadania juvenil’ que constroem em conjunto, vendo como desejam fazer parte da transformação ativa dos processos contemporâneos de democratização artística e cultural.
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Ricardo Bento, Orkhéstra
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A exposição de Ricardo Bento, “Orkhéstra”, integra o Imago Lisboa Photo Festival, está patente nos Jardins do Bombarda, na Rua Gomes Freire, 161, em Lisboa, de 11 de outubro a 6 de novembro de 2025 (ter, qua,qui, dom → 10h00 – 22h00, sex, sáb, vésperas de feriado → 10h00 – 24h00).
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Na apresentação desta 7.ª edição do Imago Lisboa Photo Festival, Rui Prata, curador artístico, escreve:
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QUEBRAR O SILÊNCIO – CAMINHAR JUNTOS
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Na sua 7ª edição, o Imago Lisboa reafirma-se como um espaço plural de encontro e reflexão em torno da imagem fotográfica. Consolidado no panorama cultural de Lisboa — e com crescente reconhecimento nacional e internacional — o festival propõe-se, mais uma vez, não apenas como plataforma expositiva, mas como agente ativo no desenvolvimento da literacia visual e da compreensão crítica das artes visuais contemporâneas.
A edição de 2025 inscreve-se num contexto em que a prática fotográfica é convocada a pensar o mundo a partir da sua própria ontologia: o olhar, o registo, a memória, o silêncio. O tema curatorial — Quebrar o silêncio, caminhar juntos — convida à escuta e à partilha, num momento em que a convivência entre culturas e experiências se torna imperativa.
Portugal, enquanto território histórico de cruzamentos, encontros e deslocações, revela-se simultaneamente como espaço de acolhimento e de silêncio. A construção da nossa identidade coletiva foi, desde sempre, marcada pela presença do outro — os cruzados que povoaram os territórios conquistados, os estrangeiros que ocuparam as possessões ultramarinas, os migrantes que hoje respondem às necessidades de uma população em regressão. Este festival pretende, assim, abrir espaço para narrativas que foram historicamente silenciadas e promover uma escuta ativa dessas vozes.
A programação artística do Imago Lisboa 2025 articula-se em torno de um conjunto de exposições que propõem diálogos entre artistas consagrados e emergentes, de diferentes geografias e gerações. Estas exposições espelham a diversidade das práticas fotográficas atuais e são complementadas por um amplo programa de atividades: debates, oficinas, projeções, leituras de portfólios e conferências.
Numa estratégia de alargamento e fidelização de públicos, o festival promove ainda ações educativas nas bibliotecas municipais, com sessões dedicadas à História da Fotografia e conversas em torno da obra de artistas participantes — criando, assim, condições para uma descodificação mais sensível e informada das suas narrativas visuais.
Por fim, numa abordagem mais lúdica e experimental, o Imago Lisboa propõe oficinas abertas a jovens, seniores e famílias, onde se exploram formas alternativas de fazer e pensar a fotografia. Porque é também na brincadeira, no gesto e no improviso que se quebram silêncios e se criam novos caminhos partilhados.
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A agenda da 7.ª edição do Imago Lisboa Photo Festival, 2025, no FF, aqui.
Sobre esta edição do Imago Lisboa Photo Festival, no seu site, aqui.
Sobre estas e outras edições do Imago Lisboa Photo Festival, no FF, aqui.
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Cortesia: Imago Lisboa Photo Festival
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