EDITH ROUX, LES EXILÉS + LES INNOCENT.E.S
Integra a exposição “My place it is also here”, do Imago Lisboa Photo Festival, na Galeria Santa Maria Maior, na R. da Madalena 147, em Lisboa, de 10 de outubro a 1 de novembro de 2025.
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A série Les Exilés dá continuidade ao trabalho Les Dépossédés, realizado na região autônoma uigur da China (Turquestão Oriental) por Edith Roux, que deu origem ao livro homônimo em 2013. Este novo trabalho reúne imagens da diáspora uigur tiradas em diferentes cidades: Paris, Munique, Haia, Istambul e Washington DC. Diante da dimensão do drama uigur e da dificuldade de fotografar na região, a artista quis continuar a testemunhar a situação aproximando-se da diáspora.
Os uigures, mesmo aqueles que residem fora do país, estão sob rigorosa vigilância das autoridades chinesas, que ameaçam enviar os seus familiares para campos no Turquestão Oriental, caso eles demonstrem o menor protesto contra o regime. No seu trabalho, Edith Roux levou em consideração o desejo de certos uigures de não revelar seus rostos, criando uma forma visual que nos conscientiza desse genocídio em andamento. Para proteger as suas identidades, os rostos são substituídos por uma superfície especular desfocada, na qual os espectadores podem-se refletir parcialmente. O espaço compartilhado do espelho, animado pelos diferentes reflexos dos visitantes da exposição, é a expressão da parte comum da humanidade que nos conecta?
As roupas de crianças uigures dançam ao ritmo da música tradicional que canta a tragédia do exílio. Nestas roupas, rostos uigures aparecem e desaparecem ao sabor dos movimentos da dança. Os rostos representam prisioneiros uigures fotografados pela polícia chinesa antes de serem enviados para os campos. Muitas crianças uigures, separadas dos pais e colocadas em orfanatos, são sinizadas, ou seja, educadas na cultura chinesa, sem qualquer acesso à sua própria cultura. Os rostos dos prisioneiros, projetados sobre as roupas — agora habitadas pela ausência de corpos infantis — unem-se no movimento da dança, rodopiando num sopro infinito de sobrevivência.
No espaço da exposição, é possível consultar o site da polícia chinesa, pirateado por uma fundação americana, de onde provêm os retratos dos prisioneiros uigures.
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Edith Roux, Les Exilés, 2023
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As séries “Les Exilés (2023) + Les Innocent.e.s (2023)”, de Edith Roux, integram a exposição “My place it is also here” com curadoria de Rui Prata, integrada no Imago Lisboa Photo Festival, sob o tema “Quebrar o Silêncio – Caminhar Juntos”, patente na Galeria Santa Maria Maior, na R. da Madalena 147, em Lisboa, de 18 de outubro a 1 de novembro de 2025 (2ª feira a sábado, das 15h00 às 20h00).
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Na apresentação desta 7.ª edição do Imago Lisboa Photo Festival, Rui Prata, curador artístico do festival, escreve:
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QUEBRAR O SILÊNCIO – CAMINHAR JUNTOS
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Na sua 7ª edição, o Imago Lisboa reafirma-se como um espaço plural de encontro e reflexão em torno da imagem fotográfica. Consolidado no panorama cultural de Lisboa — e com crescente reconhecimento nacional e internacional — o festival propõe-se, mais uma vez, não apenas como plataforma expositiva, mas como agente ativo no desenvolvimento da literacia visual e da compreensão crítica das artes visuais contemporâneas.
A edição de 2025 inscreve-se num contexto em que a prática fotográfica é convocada a pensar o mundo a partir da sua própria ontologia: o olhar, o registo, a memória, o silêncio. O tema curatorial — Quebrar o silêncio, caminhar juntos — convida à escuta e à partilha, num momento em que a convivência entre culturas e experiências se torna imperativa.
Portugal, enquanto território histórico de cruzamentos, encontros e deslocações, revela-se simultaneamente como espaço de acolhimento e de silêncio. A construção da nossa identidade coletiva foi, desde sempre, marcada pela presença do outro — os cruzados que povoaram os territórios conquistados, os estrangeiros que ocuparam as possessões ultramarinas, os migrantes que hoje respondem às necessidades de uma população em regressão. Este festival pretende, assim, abrir espaço para narrativas que foram historicamente silenciadas e promover uma escuta ativa dessas vozes.
A programação artística do Imago Lisboa 2025 articula-se em torno de um conjunto de exposições que propõem diálogos entre artistas consagrados e emergentes, de diferentes geografias e gerações. Estas exposições espelham a diversidade das práticas fotográficas atuais e são complementadas por um amplo programa de atividades: debates, oficinas, projeções, leituras de portfólios e conferências.Numa estratégia de alargamento e fidelização de públicos, o festival promove ainda ações educativas nas bibliotecas municipais, com sessões dedicadas à História da Fotografia e conversas em torno da obra de artistas participantes — criando, assim, condições para uma descodificação mais sensível e informada das suas narrativas visuais.
Por fim, numa abordagem mais lúdica e experimental, o Imago Lisboa propõe oficinas abertas a jovens, seniores e famílias, onde se exploram formas alternativas de fazer e pensar a fotografia. Porque é também na brincadeira, no gesto e no improviso que se quebram silêncios e se criam novos caminhos partilhados.
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Pode conhecer mais sobre Edith Roux no seu site, aqui.
A agenda da 7.ª edição do Imago Lisboa Photo Festival, 2025, no FF, aqui.
Sobre esta edição do Imago Lisboa Photo Festival, no seu site, aqui.
Sobre estas e outras edições do Imago Lisboa Photo Festival, no FF, aqui.
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Cortesia: Imago Lisboa Photo Festival
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