ALINA ZAHARIA, CIRIKLJA

A série integra a exposição “Invisible Borders” do Imago Lisboa Photo Festival, patente na SNBA – Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, de 5 de setembro a 4 de outubro de 2025.

.

.

.

Embora sejam uma presença em Portugal desde a segunda metade do século XV, os ciganos nem sempre são conhecidos ou reconhecidos pela sociedade em geral, continuando a ser vistos com desconfiança e rejeição, constituindo o eterno “nativo estrangeiro” que navega num contexto de estranheza e tensão permanente.

Longe de serem retratos estáticos, redutores e estereotipados, estas fotografias exaltam o pluralismo cultural, procurando resgatar a complexidade e a riqueza dos reportórios culturais dos Roma (ciganos) portugueses.

Estas imagens revelam um forte orgulho na sua identidade étnica e nas suas referências culturais, dado que é no dia-a- -dia que a identidade étnica e cultural é constantemente negociada. São retratos quotidianos com uma estética visual muito marcada, onde sobressaem as mulheres, figuras centrais neste trabalho, assim como as práticas religiosas e espirituais, mostrando que a espiritualidade e a religiosidade são transversais às diferentes gerações. Evocam-se o luto, os adereços, a moda, a música, o canto e outros elementos que são centrais na sua identidade.

Os Roma portugueses aprenderam a viver com o preconceito e a adversidade que tiveram de enfrentar ao longo do tempo, revelando uma grande capacidade de adaptação, patente no facto de que, ao longo da sua história, tiveram de fazer importantes ajustes ao seu modo de vida (Mendes, 2007). Contudo, não perderam as suas referências identitárias e faz sentido afirmar que “os ciganos sobrevivem sempre” (Kephort e Zellner, 1998, p. 135).

.

Maria Manuela Mendes
.

.

Tal como as aves (ciriklja – “pássaros” em romani romeno) que esvoaçam livremente pelos vastos céus, o povo cigano traz consigo um profundo espírito de liberdade e resiliência. As suas viagens, quer físicas quer espirituais, espelham o voo das aves, deslocando-se com graça através de paisagens em constante mudança, e adaptando-se, mas mantendo sempre viva a ligação às suas origens.

.

Alina Zaharia

.

.

.

Alina Zaharia, Ciriklja

.

.

.

António Bracons, Aspetos da exposição, 2025

.

.

.

A série “Ciriklja”, de Alina Zaharia, integra a exposição “Invisible Borders” do Imago Lisboa Photo Festival, com curadoria de Rui Prata, patente na SNBA – Sociedade Nacional de Belas Artes, na Rua Barata Salgueiro, 36, em Lisboa, de 5 de setembro a 4 de outubro de 2025.

.

.

.

Alina Zaharia. Roménia, 1981

Vive em Portugal desde 2008 quando veio através de uma bolsa Erasmus em Gestão e Marketing, no ISCAP, no Porto, onde acabou por ficar. Atraída desde sempre pela fotografia, em 2019 inicia os seus estudos no Instituto de Produção Cultural e Imagem (IPCI) no Porto e finalizou o Master em Fotografia Artística em Lisboa, onde vive desde 2021.

Interessada pela linguagem documental, debruça-se em cada projecto com uma marcada estética  que traz à tona questões não só políticas, mas também sensoriais e emocionais.

.

.

.

Sobre “Invisible Borders” (Fronteiras Invisíveis), escreve o curador, Rui Prata:

.

As fronteiras mais difíceis de atravessar não estão inscritas em qualquer mapa. Muitas vezes as verdadeiras barreiras são as da invisibilidade, traçadas por séculos de colonialismo global, silêncio e exclusão social. Estão nos olhares, na burocracia, nos arquivos. São fronteiras que se impõem entre o que é visto e o que é reconhecido, entre o que é lembrado e o que é apagado. Esta exposição procura ser mais um alerta entre a subtileza e a brutalidade do racismo.

.

.

.

Pode conhecer mais sobre Alina Zaharia no seu site, aqui.

Sobre esta edição do Imago Lisboa Photo Festival, no seu site, aqui.

Sobre esta e outras edições do Imago Lisboa Photo Festival, no FF, aqui.

.

Cortesia: Imago Lisboa Photo Festival

.

.

.