ANTÓNIO PEDRO FERREIRA, ALLEZ PARIS
Exposição no Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico, de 31 maio a 20 de setembro de 2025.
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1982: os portugueses em França
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É o realizador António Pedro Vasconcelos quem, durante uma entrevista para a TV Guia, onde António Pedro Ferreira era fotógrafo, lhe fala na existência de uma bolsa de pós-graduação do Ministério da Cultura que, nesse ano, contemplava pela primeira vez a fotografia e cuja temática era os portugueses em França.
Decidiu então concorrer e, para isso, pede a Jean-Claude Lemagny que seja o orientador da mesma obtendo ainda, por sugestão do seu amigo José Reis, também fotógrafo, uma carta de recomendação da agência Magnum.
Parte para Paris em 1982 – tem 25 anos –, onde fica durante cerca de dois anos, percorrendo de perto o universo da comunidade emigrante portuguesa e fotografando tudo o que pode do seu dia a dia. Esta série fotográfica, que viria a ser umas das mais significativas do seu trabalho, espelha, sobretudo, uma comunidade em transição para as cité de transit, nomeadamente para La Pampa, em Saint Denis ao norte de Paris, e também outros locais onde a comunidade se vai instalando.
Expõe este trabalho em 1983, no Centro George Pompidou em Paris e mais tarde, em 1996, no Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa, com o título “Portugueses em França – 1982-1984”, acabando a autarquia por adquirir 40 fotografias desta série fotográfica.
Em 2010 repõe algumas imagens deste projeto na galeria Kamerafoto em Lisboa, numa outra exposição que intitulou “Segunda Escolha”.
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António Pedro Ferreira, da série “Allez Paris”, 1982-83
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A exposição Allez Paris reúne 40 provas realizadas por António Pedro Ferreira entre 1982 e 1984. Nesse período, convive e capta cenas do quotidiano e da vida privada de algumas famílias da comunidade emigrante portuguesa que habitava os arredores de Paris.
Allez Paris sob a curadoria de Sofia Castro, pretende ativar a reflexão para os fenómenos da emigração e migração, mantendo o propósito de outras exposições que propõem a releitura de autores presentes no acervo do Arquivo Municipal de Lisboa-Fotográfico, bem como a valorização e divulgação do seu trabalho.
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2025
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A exposição de António Pedro Ferreira, “Allez Paris”, com curadora de Sofia Castro, encontra-se no Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico, na Rua da Palma, 246, em Lisboa, de 31 maio a 20 de setembro de 2025, de segunda-feira a sábado das 10:00 às 18:00.
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Visitas guiadas, com a presença do fotógrafo e da curadora: 9 de agosto, 15:00 – 13 de setembro, 11:00.
Visitas guiadas com audiodescrição, destinadas a pessoas cegas ou com baixa visão: 5 de agosto, 11:00 – 9 de agosto, 11:00 – 12 de setembro, 15:00 – 13 de setembro, 15:00.
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António Pedro Ferreira nasceu em Lisboa, em 1957.
A paixão pela fotografia surge cedo e por volta dos 10 anos obtém a sua primeira máquina. Ainda no liceu Padre António Vieira aproveita as visitas de estudo para fazer as suas primeiras “reportagens” e, é ali também, que apresenta a primeira exposição, ainda como aluno.
Em 1975 inicia a formação superior na Faculdade de Medicina de Lisboa. Ainda que tenha concluído o curso e realizado o seu estágio no Hospital dos Capuchos, a fotografia falou mais alto.
Em 1978 abandona a Medicina, em termos profissionais, e inicia-se como fotógrafo na revista Música e Som, onde publica a sua primeira fotografia, mudando-se pouco depois para a revista TV Guia.
Nesse mesmo ano vê publicada uma foto sua no jornal Expresso.
Em 1980 viaja pela primeira vez até Paris na companhia do amigo, e também fotografo, Luís Carvalho. É, aliás, nessa época que toma contacto com a obra de Henri Cartier-Bresson que muito o impressiona. Em Paris contacta com uma realidade totalmente diversa da portuguesa. Em Portugal pouco mais havia que o Século Ilustrado, onde a divulgação das fotografias de Eduardo Gageiro eram já, na altura, um ponto de referência para António Pedro Ferreira e muitos fotógrafos da época.
Na capital francesa entra pela primeira vez no universo internacional da fotografia. Ali, percorre exposições e conhece nomes de referência que o vão marcar e influenciar, de sobremaneira, o seu trabalho, nomeadamente o do editor Claude Loury e de Jean-Claude Lemagny, diretor de estampas e fotografias da Biblioteca Nacional de Paris, a quem entrega um portfólio. Nesta altura estabelece, também, os primeiros contactos com a agência Magnum.
Parte para Paris em 1982, onde fica durante cerca de dois anos, percorrendo de perto o universo da comunidade emigrante portuguesa e fotografando tudo o que pode do seu dia a dia.
Como foto jornalista, ao longo da sua carreira, António Pedro Ferreira cobriu eventos em diversos pontos do globo, nomeadamente na Etiópia, Paquistão, Tailândia, Peru, Moçambique, Angola, Brasil, Tanzânia e Burundi.
De todos eles, o trabalho que realizou no Kosovo em 1999, onde esteve com a jornalista Luísa Meireles, foi um dos que mais o impressionou pela sua enorme intensidade, não só do ponto de vista fotográfico, mas também humano.
Desde 1979, António Pedro Ferreira iniciou no Santuário de Fátima a realização de um conjunto de fotografias que considera um dos projetos mais fascinantes do seu trabalho. Com estas imagens publicou, em 2017, o livro “Fátima 1979-2006”. As fotografias dariam, aliás, origem em 2021 a uma exposição, no próprio santuário, integrada na série “Rostos de Fátima”.
António Pedro Ferreira trabalha desde 1987 para o jornal Expresso, integrando desde 1989 os quadros deste jornal. O seu trabalho foi publicado em diversas revistas internacionais, como a “Time” e “Libération”, tendo sido distinguido, em 1996, com o Grande Prémio Gazeta de Jornalismo.
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