ANGYVIR PADILLA, DEV DHUNSI, DONJA NASSERI, IHAR HANCHARUK, JAN DURINA, SASHA CHAIKA, SHEUNG YIU. LAÇOS QUE UNEM
Exposição integrada na Bienal’25 de Fotografia do Porto, pode ser vista na Casa Comum – Reitoria da Universidade do Porto, de 15 de maio a 28 de junho de 2025.
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Ties That Bind / Laços Que Unem explora e desafia as redes de interdependências e ligações entre diferentes — sociais, naturais, científicas — às quais pertencemos. Estruturas essas que nos definem e influenciam o modo como nos conectamos com o que nos rodeia. Estruturas que nos unem e, simultaneamente, desestabilizam. As obras dos oito artistas — selecionados para a exposição anual da Futures — navegam por estas tensões sobre pertença e conexão, revisitando relações afetivas, territoriais e tecnológicas numa procura por reconciliação com o(s) nosso(s) mundo(s) danificado(s).
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ANGYVIR PADILLA, BEHIND VIRGY’S KITCHEN
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Atrás da cozinha do apartamento da sua mãe em Caracas, encontra-se uma pequena loja de roupa. Em Behind Virgy’s Kitchen, Angyvir Padilla recupera as dicotomias entre a privacidade e o espaço público na sua série de fotogravuras de seda, penduradas por entre molduras de metal. Os delicados retratos de amigos e família, parcialmente velados e fixados nessas estruturas, são suspensos de forma a enunciar os ritmos e as tensões entre a domesticidade, a exposição, a intimidade e a memória.
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Angyvir Padilla, Behind Virgy’s Kitchen
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Angyvir Padilla (1987) é natural de Caracas e está sediada em Bruxelas. A sua prática abrange diversas disciplinas e media, incluindo escultura, performance, fotografia, vídeo e som. Inspirada pela experiência de deslocação, as suas obras vão além da criação de objetos; resultam em narrativas em constante movimento, atravessando fronteiras entre passado e presente, imaginário e real, efémero e tangível. O resultado é uma experiência imersiva e corporal, que deixa o espectador suspenso numa sensação de dissonância e perplexidade perante o que é visto, tocado, ouvido e recordado.
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Pode conhecer melhor a obra do artista aqui.
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DEV DHUNSI, TALES THEY DON’T TELL YOU
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Tales They Don’t Tell You enuncia a nossa participação partilhada e contínua nos diferentes processos ao longo da vida. Estabelecendo conexões entre o passado, o presente e diferentes geografias, Dev Dhunsi traz contos antigos não contados do Vedas – incluindo uma estória de amor gay – recorrendo ao meio da água para sublinhar a mutabilidade e coexistência deste ecossistema de relações e imagens.
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Dev Dhunsi, Tales they don’t tell you
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Dev Dhunsi (1996) vive e trabalha em Estocolmo, na Suécia. Tem vindo a explorar a distribuição e as atitudes perante a fotografia e a produção têxtil, criando uma relação simbiótica entre estes dois media e observando o mundo através da lente das teorias queer e do olhar diaspórico. Os seus projectos, desenvolvidos em grandes instalações, combinam têxteis, trabalhos lens-based e técnicas experimentais de impressão em apresentações mixed-media. Os seus trabalhos examinam identidade, origem e encontros entre culturas, explorando a ponte cultural entre a sua ascendência e a sua educação.
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Pode conhecer melhor a obra do artista aqui.
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DONJA NASSERI, THE MUMMY EYE
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Donja Nasseri traz à luz as nuances do passado colonial através da adaptação de peças históricas a novos contextos tecnológicos. Em colaboração com o Museu Rautenstrauch-Joest, em Colónia, Nasseri recorre à tecnologia 3D e à aplicação de aguarela para manipular artificialmente o objeto, desestabilizando a linha temporal entre o novo e o antigo. The Mummy Eye procura assim repensar de que forma a coleção museológica pode ser transmutada para conteúdos mais amplos e trazer novas reflexões e significações.
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Donja Nasseri, The Mummy Eye
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Donja Nasseri (1990) nasceu em Düsseldorf (Alemanha). Estudou na Kunstakademie Münster e na Düsseldorf Art Academy. O seu trabalho, distinguido com vários prémios, foi apresentado em exposições colectivas de renome na Alemanha e Coreia do Sul, entre outros. Enquanto filha de mãe Egípcia-Alemã e de pai Afegão, a artista possui uma visão nítida da diversidade de narrativas e verdades que lhes estão associadas. As mudanças na tradição, cultura e identidade (de género) formam o core do seu trabalho, assente principalmente na fotografia enquanto “portadora de memórias”, meio de documentação e manipulação ficcional.
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IHAR HANCHARUK, WHAT IF I AM A SPY?,
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Partindo de um sentimento de desconfiança sentido na pele enquanto fotografava e percorria as ruas da Bielorrússia, Ihar Hancharuk lança uma narrativa ficcionada sob o mote da espionagem. Em What If I am a Spy?, o artista recolhe objetos e imagens do quotidiano que, apropriados e reunidos num determinado contexto, traçam o paralelismo com as tensões existentes numa sociedade de políticas conturbadas, vincada pelo controlo e paranóia coletiva.
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Ihar Hancharuk, What If I am a Spy?,
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Ihar Hancharuk (1986) é um artista visual e fotógrafo pós-documental da Bielorrússia. Recorrendo à fotografia, arquivos digitais e vídeo, desenvolve projetos que exploram temas de identidade nacional e pessoal, memória coletiva, problemáticas contemporâneas e a influência dos media no mundo. Estão também presentes no seu trabalho conceitos de patriarcado e violência, influenciado pela sua experiência no serviço militar obrigatório, assim como questões sociais e de crise alimentar. Após os eventos na Bielorússia em 2020, tem vindo a trabalhar numa série de projectos sobre propaganda e violência, numa perspectiva histórica.
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JAN DURINA, CUTE & TRAGIC
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Em Cute & Tragic, Jan Durina recorre essencialmente a material em segunda mão para criar máscaras e disfarces precisos e delicados que, entrelaçados no suporte fotográfico, se associam a narrativas encantadas sobre saúde mental, identidade, sexualidade e queerness.
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Jan Durina, Cute & Tragic
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Jan Durina, artista multidisciplinar da Eslovénia. Através da performance, fotografia e som, examina e reflete sobre temas como saúde mental, espiritualidade, emoção, queerness, e a condição vulnerável da existência. Além dos seus projetos curatoriais, musicais e de artes plásticas, colabora no projecto performativo ROMEO & HELLION com Miriama Kardošová, artista da Eslovénia. As suas obras integram as colecções permanentes da Galeria Nacional Eslovaca (Eslováquia), Galeria Peter Michal Bohun (Eslováquia), Museu de Artes e Design de Benešov (República Checa) e em várias colecções privadas.
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SASHA CHAIKA, OFF THE MAP
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Em Off the Map, Sasha Chaika aborda de forma aberta e exploratória diferentes possibilidades de comunicação. Renunciando a sistemas normativos de linguagem, Chaika abre caminho para a captura de fotografias que desestabilizam os nossos padrões sociais típicos – percepcionados como “teatro social” – e propõe novas interações afetivas, hápticas, com diferentes elementos do meio envolvente.
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Sasha Chaika, Off the Map
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Sasha Chaika (1994) é natural da Rússia e reside em Tbilisi (Geórgia). É uma pessoa queer, nómada, que trabalha nas áreas de direção de arte e da fotografia digital. Nas suas obras capta momentos que aparentam re-questionar situações e rotinas familiares. Procura abrir caminho para a compreensão, convidando aqueles que interagem com as suas obras a brincar com papéis sociais e estereótipos da cultura de massas, criando novas mitologias modernas que exponham e desarmem mitologias/ estereótipos/ hábitos existentes, questionando a sua naturalidade e posição privilegiada.
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SHEUNG YIU, BETWEEN TWO TREES, THERE ARE MANY WORLDS
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Between Two Trees, There Are Many Worlds pauta-se como um ensaio em vídeo que desafia as percepções antropocêntricas das paisagens naturais. Sheung Yiu recorre a diversas técnicas de recolha de imagem que traduzem a complexidade das redes sensoriais presentes em duas árvores – uma que sobrevive e outra infestada, sem vida – na floresta central de Helsínquia. O projeto revela formas comunicativas invisíveis ao olho humano, instando a uma reflexão sobre o nosso lugar nestes mundos confluentes.
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Sheung Yiu, Between Two Trees, There Are Many Worlds
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Sheung Yiu é um artista e investigador que trabalha com imagem, nascido em Hong Kong e sediado em Helsínquia. O seu trabalho explora o ato de ver e de construir sentido através de sistemas de imagens algorítmicos. Examina a fotografia pela lente dos novos media, escalas e pensamento em rede; reflete em como a visão ciborgue pós-humana e a tecnologia que a produz transformam as formas de ver e de produzir conhecimento. As suas obras assumem a forma de fotografia, vídeo, instalação e livros de artista.
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A exposição “Laços que Unem”, com obras de Angyvir Padilla, Dev Dhunsi, Donja Nasseri, Ihar Hancharuk, Jan Durina, Sasha Chaika e Sheung Yiu, curadoria de CLO, Organ Vida, Fotograf Zone, integrada na Bienal’25 de Fotografia do Porto, pode ser vista na Casa Comum – Reitoria da Universidade do Porto, de 15 de maio a 28 de junho de 2025 (seg – sex 10:00→13:00 | 14:00→17:30; sáb 15:00→18:00).
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Sobre a Bienal de Fotografia do Porto, a Agenda no FF, aqui, outras exposições aqui; no site da BFP, aqui.
Outras exposições de outros anos do Ci.CLO – Bienal de Fotografia do Porto, no FF, aqui.
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