HÉLDER LUÍS, ATLÂNTICO, 2019

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

.

.

.

Hélder Luís

Atlântico

Fotografia e texto: Hélder Luís

Póvoa de Varzim: Câmara Municipal da Póvoa de Varzim / Julho . 2019

Português / 22,0 x 27,0 cm / 208 pp

Cartonado

ISBN: 9789892096865

.

.

.

.

O livro é, acima de tudo, sobre o mar, um livro de fotografia documental que aborda o mar como espaço para a exploração, a descoberta e a transformação pessoal e finalmente como um lugar para a interação humana a bordo de um barco, um pedaço de espaço flutuante, um lugar sem lugar, que existe por si só, que está fechado sobre si próprio, mas que ao mesmo tempo é abandonado à infinitude do mar, ao longo de duas viagens através do Oceano Atlântico.

O livro tem como tema principal as duas viagens que fiz a bordo do Íris do Mar, um barco de Ponta Delgada (Açores). A primeira viagem aconteceu em Junho de 2018 e teve a duração de quatro dias, entre o porto da Póvoa de Varzim e o porto de Ponta Delgada. A segunda viagem aconteceu quase um ano depois entre o final de Abril e o início de Maio de 2019 e teve a duração de dez dias com origem e destino no porto de Ponta Delgada. Enquanto a primeira foi muito pouco convencional… durante quatro dias não se pescou nem trabalhou e houve espaço para relaxar e contemplar, servindo o propósito original de devolver o barco ao seu porto de origem, a segunda foi uma viagem naturalmente dedicada à pesca e em que o trabalho foi constante e ocupou tudo e todos.

A primeira viagem teve para mim uma qualidade meditativa, talvez pelo facto da meditação e a água encontrarem-se indissoluvelmente ligadas. Quando não estava a fotografar ou a conversar com um dos tripulantes, passava o tempo no convés superior a ler e a observar o mar. Refletia na qualidade desta experiência que estranhamente me era familiar mas ao mesmo tempo rara, algo semelhante a uma comunhão com a natureza e um abandono do eu numa imensidão azul. Foi uma viagem calma sem grandes preocupações ou atribulações. O objetivo era levar o barco até Ponta Delgada e foi exatamente isso que fizemos. Não se pescou nem trabalhou, para além de uns pequenos trabalhos de manutenção que ficaram por terminar durante a estadia do Íris do Mar na Póvoa de Varzim.

A segunda viagem, foi muito diferente da anterior. O trabalho não parava durante o dia e quando era necessário continuava pela noite dentro. Mesmo assim o ambiente era descontraído e no geral bem-disposto. Todos sabiam o que fazer e quando o fazer. Para mim, mais do que o trabalho, foi a descoberta de um mar ainda abundante de peixe, alguns de um tamanho que eu nunca tinha visto, e o testemunhar do esforço de homens que vivem o mar com uma naturalidade de quem nele sempre viveu. A abraçar tudo isto, a história de um pai e de um filho e o amor de ambos por um barco e pelo mar.

.

.

.

Hélder Luís, Atlântico

.

.

.

António Bracons, Aspetos da exposição, Avintes, Maio 2025

.

.

.

O projeto de Hélder Luís, “Atlântico”, já foi exposto diversas vezes e integrou o iN’25 – Festival Internacional de Fotografia de Avintes, quando esteve patente na Fundação Joaquim Oliveira Lopes, na R. 5 de Outubro, 1935, em Avintes, de 3 a 31 de maio de 2025.

.

.

.

.

António Bracons, Hélder Luís, Avintes, Maio 2025

.

.

.

Hélder Luís (1973). Designer, fotógrafo, artista multimédia e músico.

Estudou design gráfico e tipografia e desde 1996 tem trabalhado para inúmeras empresas e instituições dentro e fora de Portugal enquanto freelancer ou através da notype, a sua empresa de design gráfico e multimédia.

O seu trabalho de design gráfico tem sido exposto em vários eventos nacionais e internacionais e publicado em inúmeras publicações, incluindo a revista Publish e o livro Marcas & Trademarks PT, em que figuram várias marcas desenhadas por si ao longo dos anos.

Como artista multimédia desenvolveu inúmeros trabalhos individualmente e em grupos como Ginsonic (com Dario Oliveira e Miguel Dias), Houselab (com João Paulo Feliciano, Rafael Toral, Rui Toscano e Rui Gato), Landscape (com João Pedro e Sérgio Gomes) ou System Modular (com João Santos e Carlos Lobo) entre outros.

Como músico integrou alguns projetos, incluindo Clockwork, e atuou também a solo como músico experimental explorando a guitarra como gerador de som em projetos como Background Noise.

Colaborou ainda, como artista, designer multimédia ou consultor, com artistas como Cesário Alves, João Baldessari, João Carrilho, João Paulo Feliciano, Julião Sarmento, Lawrence Weiner, Rafael Toral, Rui Horta, Rui Toscano, entre outros.

Tem apresentado o seu trabalho em exposições individuais e coletivas e em eventos e instituições como Art Attack, Bienal da Maia, CAM/ACARTE, Correntes d’Escritas, Curtas, Dança do Brasil (Rio de Janeiro), ESAD, ExperimentaDesign, Expo2000 (Hannover), Fonoteca, Fundação Calouste Gulbenkian, Porto2001, Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Festival de Música Clássica de Ravinia (Chicago), Rivoli, Silo – Espaço Cultural entre outros.

Em junho de 2018, apresentou a instalação MAR no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, que abriu as portas à exploração do tema do mar e da pesca e desde então tem fotografado, filmado e captado som a bordo de vários barcos ao largo da costa de Portugal continental e dos Açores.

Em novembro de 2018 apresentou a instalação Under the Above Solar – Galeria de Arte Cinemática. Uma peça que explora o tema do afogamento e o sentimento de abandono e solidão em alto mar.

Em 2019 iniciou a residência artística MARPVZ19/20 apoiada pela Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, da qual resultaram múltiplos projetos documentais e artísticos dentro do tema da cultura marítima.

Em julho de 2019, lançou o livro de fotografia “Atlântico”, que documenta as suas viagens a bordo do barco Iris do Mar ao largo dos Açores.

Em 2021 terminou o Mestrado de Fotografia e Cinema Documental na ESMAD.

No final de 2022 publicou o livro” Na língua da maré”, uma obra com gente dentro e que sente o pulso do sector marítimo, juntamente com Abel Coentrão para a cooperativa de seguros de pesca Mútua dos Pescadores.

No início de 2023 publicou o livro “Sardinha”, o seu maior projeto de fotografia documental, até à data, dentro da temática da cultura marítima. Um livro que demorou 4 anos a produzir ao longo da costa portuguesa, a bordo de barcos de pesca do norte do país, e que documenta a pesca do cerco em Portugal.

Em abril do mesmo ano apresentou a exposição Sleeping Giants, um projeto de fotografia que olhou para as árvores durante um dos confinamentos da recente pandemia como potenciais guias para os tempos difíceis.

No início de 2024 apresentou a instalação sonora Búzio, uma reflexão sobre a memória e a nossa relação com o mar.

Em maio de 2024 publicou o livro “Rumo à Pesca”, um ensaio fotográfico sobre um dos barcos mais antigos da pesca do cerco.

Em dezembro de 2024 conclui a especialização em Estudos do Mar, Estratégia e Segurança Global da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa.

Atualmente está envolvido em vários projetos documentais e artísticos dentro da cultura marítima e em outras áreas do seu interesse pessoal. Continua também a compor e a produzir música individualmente e em projetos coletivos, como Uma Força Invisível.

.

.

.

Pode conhecer mais sobre a obra de Hélder Luís e este projeto, aqui.

Pode saber mais sobre o Festival iNstantes no FF, aqui, no site do Festival, aqui.

.

Cortesia: Hélder Luís e iNstantes – Associação Cultural.

.

.

.