CADERNOS DE ARQUIVO: A OLAIO SOB A PERSPETIVA DO FOTÓGRAFO MÁRIO DE OLIVEIRA
Exposição na Biblioteca Municipal José Saramago, em Loures, de 22 de janeiro a 14 de março de 2025.
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No âmbito da cooperação entre instituições, a colaboração do Museu de Cerâmica de Sacavém com o Instituto Politécnico de Tomar designadamente com o TECHN&ART – Centro de Tecnologia, Restauro e Valorização das Artes, sobre a Fábrica Móveis Olaio, esta exposição apresenta e contextualiza um segmento do arquivo do fotógrafo Mário de Oliveira dedicado ao registo e à difusão comercial da empresa de Móveis Olaio, no período entre 1965 e 1982.
Este património visual sobre a identidade corporativa de uma marca – A Olaio –, testemunha o papel de destaque da mesma enquanto empresa de vanguarda no design de móveis no panorama nacional, bem como, a qualidade do fabrico dos mesmos.
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Sobre este projeto lemos no site do TECHN&ART:
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O projeto propõe-se a investigar e contextualizar a secção do arquivo do fotógrafo Mário de Oliveira (1926-1999) que se centra no registo e difusão comercial da empresa de Móveis Olaio entre os anos de 1965 e 1982.
O arquivo Mário de Oliveira encontra-se neste momento guardado num apartamento, em Lisboa, num local que não reúne as condições ideais para a guarda do mesmo, face às condições não controladas de temperatura e de humidade que tendem a degradar o estado do mesmo ao longo dos anos.
A pesquisa terá por base a digitalização da obra e consequente migração do formato analógico, contido em matrizes fotográficas de película, cor e preto & branco (tamanhos de 9’x12´ e 12´x9´), para uma nova dimensão digital, através da recuperação visual de todos os transmissivos existentes, em número de cerca de 300 imagens.
As mesmas, de caráter inédito, possuem múltiplas camadas associadas na sua forma visual que importa verter em objeto de análise e de entendimento, visto quase não haver informações para além da data e do local onde foram fotografadas.
O Arquivo Mário de Oliveira/Olaio é assim composto por diferentes séries de envelopes, os quais, possuem diversos negativos no seu interior. Cada série encontra-se identificada com um nome, de local ou tarefa, e com o ano da sua execução. Para além desta informação, há também a que que se encontra contida nas imagens em forma de linguagem visual, que nos auxiliará a observar e a descodificar outros elementos referentes à época, através da interpretação da informação contida em cada uma das série, tais como: Vistas Aéreas da Fábrica (1965); Fábrica: aspetos técnicos (1966); Fábrica (1966); Quarto: rua da Atalaia (12/1971); Fábrica: Linha de montagem das cadeiras “Interlubke” (1972); Estantes Repetidas: com modelos (1972); Cadeiras Desmontáveis (1972), Interbluke (1972); FIL: Interbluke/Lundia/Casa de jantar (1972); FIL (1973), FIL (1973), Estantes “Lundia” (1974); FIL (1974); FIL (1974); FIL (1974); Quarto Modelo (11/03/1974); Maples/Mesas (3/1977); Mobiliário: Aspetos (3/1979); Quarto: quarto modelo (5/1979); FIL (1981), Natal: Cores, Natal, Fábrica (11/1981); Quarto (6/1980); Loja de Alvalade (1980); Loja: Alvalade, Av. Fontes Pereira de Melo e Benfica (1/1982); FIL: Margarida Horta (1982), Avenida Pascoal de Melo (s.d.).
Este património visual sobre a identidade corporativa de uma marca – A Olaio –, testemunha o papel de destaque da mesma enquanto empresa de vanguarda no design de móveis no panorama nacional, bem como, a qualidade do fabrico dos mesmos. Apesar de já escassas, há ainda algumas peças deste mobiliário que sobreviveram à degradação imposta pela ação do tempo e que marcam presença em casas, cafés, hotéis, empresas e edifícios estatais. É graças a esta ominipresença que vários modelos da Olaio permanecem, até hoje, gravados na memória coletiva de gerações, incluíndo daquelas que não testemunharam o zénite da empresa.
Desta forma, a proposta de investigação com posterior execução em catálogo, exposição da edição do Caderno do Arquivo: Olaio sob a perspetiva de Mário de Oliveira e organização de uma coleção digital para figurar num arquivo online, como por exemplo EUROPEANA ou congénere, visa realizar a migração analógico-digital através da digitalização integral dos negativos fotografados por Mário de Oliveira e referentes à empresa de mobiliário Olaio. Este projeto reflete, igualmente, o apelo que tem vindo a ser feito, em tempos recentes, pela União Europeia no sentido de se aderir a processos de transformação digital tendo em vista a preservação do património cultural. Com esta premissa em mente, pretende-se criar uma coleção Olaio digital, em cooperação com o Centro Documental Manuel Joaquim Afonso do Museu de Cerâmica de Sacavém, com o propósito de a disponibilizar numa Biblioteca Digital. Daí que este projeto se situe no campo das Humanidades Digitais e, dadas as suas caraterísticas e objetivos, se situe em ambos os eixos de investigação do TECHN&ART: Salvaguarda e Valorização do Património Artístico e Cultural.
Ter a possibilidade de preservar digitalmente as imagens, investigá-las e divulgá-las, proporciona não apenas a hipótese de podermos resgatar a informação dos negativos que nos chegaram, mas também, a de a podermos partilhar com um público plurigeracional, tanto numa vertente nacional como internacional contribuindo, assim, para alcançar o 17.º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) do Milénio: Parcerias para a Implementação dos Objetivos.
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IPT (fot. 1 e 2), António Bracons, Aspetos da exposição, 2025
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A exposição “Cadernos de Arquivo: A Olaio sob a perspetiva do Fotógrafo Mário de Oliveira”, está patente na Biblioteca Municipal José Saramago, em Loures, de 22 de janeiro a 14 de março de 2025.

A 14 de março, às 17:00, tem lugar uma conferência sobre o projeto e o lançamento do catálogo.
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Mário de Oliveira (1929, Portugal – 1999)
Realizou estudos na Escola de Artes Decorativas António Arroio, em Lisboa. Paralelamente aos estudos, iniciou a sua atividade profissional como litógrafo, passando posteriormente a técnico de revelação fotográfica a cores e a preto e branco, inicialmente nos Estúdios Tóbis.
Mais tarde, ingressou na firma Filmarte (laboratórios de revelação a preto e branco e a cores), onde desenvolveu complementarmente a sua aptidão como fotógrafo.
Ao deixar a Filmarte e passar a trabalhar por conta própria, foi-lhe permitido aceitar o convite para o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), onde entra na categoria de fotógrafo. No LNEC, desenvolveu as técnicas da fotografia de engenharia e arquitetura, tanto em estúdio como no exterior, o que o levou a ser convidado para trabalhar diretamente com a equipa da futura Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), mesmo antes de esta ser instituída.
Embora inúmeras vezes tenha sido convidado a ingressar nos quadros da FCG, desde a sua saída do LNEC, optou sempre por trabalhar por conta própria e por realizar a totalidade do ciclo do trabalho fotográfico, da captação das imagens à impressão das provas fotográficas, passando pelos processos de revelação. Especializou-se em fotografia de arte, arquitetura, indústria, publicidade e fotografia aérea.
Faleceu a 19 de abril de 1999, em vésperas de partir para a antiga Índia portuguesa a convite da Fundação Calouste Gulbenkian, para aí participar no levantamento fotográfico de elementos de património de origem portuguesa no âmbito de um projeto apoiado pela Fundação.
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Sobre o projeto no site da Techn&Art, aqui, sobre a nota biográfica, aqui.
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