ALBERTO PICCO, CROSSING BOUNDARIES
Exposição na Imago Garagem, em Lisboa, de 18 de janeiro a 22 de fevereiro de 2025.
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Exposto inicialmente na Galeria Lapso, em Setúbal, de 14 de setembro a 26 de outubro de 2019, temos oportunidade de (re)ver este projeto na Imago Garagem, numa organização da Associação CC11.
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Sobre “Crossing Boundaries”, escreve Alberto Picco:
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Este projecto agora exposto, teve o seu início em fins de novembro … [de 2018], quando a Cláudia Freitas responsável pela galeria Lapso, em Setúbal, me fez o convite para expôr nos seus novos espaços. Decidimos que seria um trabalho inédito e que teria um livro a acompanhar a exposição e que a poderia complementar.
O tema seria Setúbal, claro. Tendo em atenção o meu campo de pesquisa, e também pelo facto que era um território inexplorado na região, decidiu-se que me debruçaria sobre a cidade e o seu tecido industrial, interpretando o seu passado e as suas transformações na urbe actual.
Entre pesquisas, apontamentos visuais e leituras de temas inerentes à transformação de cidades industriais em modernas urbes criativas, se passaram nove meses. Nesse iato de tempo, tive oportunidade de pensar profundamente nos modos em que iria apresentar este projecto.
Dei-me conta que Setúbal, sendo uma antiga cidade industrial convive desde sempre com as indústrias que se instalaram no seu seio.
Esta cidade tem uma característica, o grosso da sua indústria pesada e que ainda subsiste, encontra-se na chamada Península da Mitrena, que fica à nascente da cidade.
Este facto chamou-me a atenção, e decidi concentrar o esforço maior das minhas deslocações a esse território. As obras que compõem a exposição são evidência disso. Não esquecendo, porém, que a poente da cidade e já fora dela, encontra-se uma outra indústria pesada, a dos cimentos, que com as suas pedreiras, fábricas e transporte por via marítima dão um perfil inconfundível a Setúbal.
Na cidade propriamente dita, na sua malha urbana e habitacional, dessas indústrias, pouco foi ficando. Não podendo esquecer que Setúbal foi, desde os fins do século XIX, uma das principais cidades com produção de conservas de peixe do país. Chegando a ter nos princípios de século XX e até os anos 60 do século passado mais de 400 fábricas, com todas as indústrias complementares, como sejam as latoarias e as litografias. De toda esta realidade subsistem hoje em dia vestígios, ruínas, armazéns abandonados e que de alguns subsistem, tão só as paredes e algumas vigas dos telhados. O livro que acompanha a exposição reflete sobre uma visão disso mesmo.
Todo este emaranhado visual levou-me a querer ultrapassar estas realidades assim, e mergulhando no imaginário que venho construindo desde há mais de uma década, decidi desenvolver este projecto cruzando limites (Crossing Boundaries), desde o conceito da própria fotografia como referente do real, da sua representação e apresentação, jogando com as suas técnicas, equipamentos e tecnologias, passando pelas noções de espaço e tempo, da viagem e de cidades invisíveis, de memórias que dão origem a vislumbrar outras dimensões destes territórios.
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Alberto Picco
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Alberto Picco, Crossing Boundaries – Mitrena, Pedra Furada, Terminal SAPEC, Torres Navigator, Tróia
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2025
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A Associação CC11 apresenta a exposição de Alberto Picco, “Crossing Boundaries”, na Imago Garagem, R. do Vale de Santo António, 50 C, em Lisboa, de 18 de janeiro a 22 de fevereiro de 2025.
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No dia 8 de fevereiro, às 16:00, tem lugar uma conversa entre o autor, Manuel Falcão e Agostinho Gonçalves.
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António Bracons, Alberto Picco, 18.01.2025
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Alberto Picco (Buenos Aires, 1950) vive e trabalha em Lisboa. Desde a década de 1990, o seu trabalho tem-se concentrado na investigação sobre o território e a memória, na perspetiva da sua ocupação, uso, transformação e/ou abandono. É formal na forma de fotografar, o que se revela uma vantagem, pois destaca a singularidade com que capta a trivialidade da realidade, imprimindo-lhe a imparcialidade e sentido estético que lhe são característicos. A vasta obra, produzida neste âmbito, confere-lhe uma capacidade discursiva coerente e de referência.
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Sobre a exposição na Galeria Lapso, no FF, aqui.
Pode conhecer mais sobre a obra de Alberto Picco no FF, aqui.
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Cortesia: Alberto Picco.
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