BRUNO PARENTE, CADERNOS DE OBSERVAÇÃO
Integra a exposição do Prémio da BF24 – Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, presente no Celeiro da Patriarcal, de 30 de novembro de 2024 a 19 de janeiro de 2025.
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Continuo a apresentação dos doze projetos selecionados para o Prémio da BF24 – Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, patente no Celeiro da Patriarcal. Nesta publicação, “Cadernos de Observação”, de Bruno Parente.
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A fotografia tem e teve um papel fulcral na construção da representação da realidade. É, não só mas também, através da mediação fotográfica que construímos um reportório de perceções que temos dos lugares, das pessoas, das experiências e memórias. As imagens são um ponto de entrada para esse arquivo pessoal que cada um de nós coleciona.
Quais são, no entanto, os limites de perceção das imagens? Muito antes dos algoritmos da inteligência artificial, a plausibilidade das imagens sempre nos seduziu. Mesmo quando aceitamos tacitamente, nesse jogo de sedução, que a fotografia é também veículo que legitima o engano, a manipulação, o equívoco e a ilusão.
As imagens da série Cadernos de Observação estão próximas de uma representação que reconhecemos dos cânones do rigor científico, mas que desconfiamos que a eles não lhes pertencem. Lugares ambivalentes, em simultâneo subjetivos e objetivos, sem escala, que sabemos não conhecer, mas que nos são familiares e tendemos a imaginar infinitamente distantes ou microscopicamente próximos.
Entre a deriva do desenho e o rigor da objetiva, o lugar destas imagens será sobretudo o da dúvida e da ambiguidade. Não pretendem substituir-se ao plano concreto das coisas, são uma suposição e, nesse lugar intermédio, reforçam um dos paradoxos que reconhecemos à fotografia desde há muito: a ferramenta que documenta e reproduz fielmente o mundo é também o instrumento que abre a porta à possibilidade de desconfiarmos das imagens.
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Bruno Parente, Cadernos de Observação
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A série de Bruno Parente, “Cadernos de Observação”, integra a exposição do Prémio da BF24 – Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, patente no Celeiro da Patriarcal, de 30 de novembro de 2024 a 19 de janeiro de 2025.
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Bruno Parente. Nasceu em Lisboa, 1976. É licenciado em Arquitetura e nos últimos anos desenvolveu um corpo de trabalho artístico que se centra sobretudo no âmbito da fotografia experimental, explorando fenómenos físicos da luz e investigando as possibilidades, as hipóteses e os limites da matéria e do médium fotográficos, muitas das vezes na proximidade com outras áreas disciplinares: da pintura e do desenho à escultura e instalação.
Em 2017/18 frequentou o curso de fotografia no Ar.Co – Centro de Arte & Comunicação e, no ano seguinte, o curso Projecto em Fotografia e Artes Visuais no Atelier de Lisboa.
Em 2019/20 concluiu a pós-graduação em Discursos da Fotografia Contemporânea, pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa.
Expõe o seu trabalho desde 2014 e participou em várias exposições individuais e coletivas.
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Sobre a BF24 – Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, regista a organização:
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Trinta e cinco anos volvidos desde a sua criação, em 1989, a Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira afirma-se hoje, em 2024, como o mais antigo evento de premiação exclusivamente dedicado à cultura fotográfica no nosso país, ostentando por isso um histórico assinalável ao nível da promoção da prática fotográfica portuguesa.
Apontada desde o início à revelação de novos talentos na área da fotografia artística, a Bienal apresenta uma matriz que partiu da estreita relação com as instituições de ensino artístico no âmbito fotográfico, para se projetar hoje, cada vez mais, na atenção à iniciativa individual dos artistas que fazem uso da fotografia numa perspetiva abrangente e transdisciplinar. Defensora do valor da descoberta e da avaliação da experiência visual que designamos como “fotografia”, a Bienal continua apostada em celebrar a liberdade e a ousadia do processo criativo, empenhando-se na consolidação de um programa cuja amplitude, dividida entre a premiação (Patriarcal) e a ação curatorial (Fábrica das Palavras, Galeria Paulo Nunes – Arte Contemporânea, Museu do Neo-Realismo, Museu Municipal de Vila Franca de Xira, Núcleo Museológico do Mártir Santo e numa segunda fase no Celeiro da Patriarcal), assegura à nossa cidade um estatuto de referência, no que à prática da fotografia contemporânea diz respeito.
Procurando chegar a todos os públicos, a exposição dos trabalhos dos finalistas candidatos aos Prémios (Bienal de Fotografia, Concelho de VFX e Tauromaquia) apresenta-se como resultado de uma criteriosa seleção elaborada por um Júri de Nomeação, constituído por Sofia Nunes, Pauliana Valente Pimentel e Cláudio Garrudo. Por sua vez, os premiados surgiram da decisão do Júri de Premiação, constituído por Bruno Sequeira, Ana Anacleto, Isabel Nogueira, José Maçãs de Carvalho e David Santos. A qualidade de cada uma das exposições individuais agora apresentadas no espaço expositivo do Celeiro da Patriarcal tem a assinatura dos artistas selecionados: Alexandre de Magalhães, Bruno Parente, Catarina Cesário Jesus, Daniel Malhão, Filipe Bianchi, Gonçalo C. Silva, Jorge Vale, Marcos Duvágo, Pedro Rocha, Ricardo Moita, Rodrigo Vargas e Rui Pereira.
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A agenda da BF24, no FF, aqui. Mais informação sobre a BF24 aqui (site).
Sobre esta e outras edições da Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, no FF, aqui.
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