ALEXANDRE DE MAGALHÃES, CÓCLEA

Prémio Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira – BF24.

Integra a exposição do Prémio da BF24, patente no Celeiro da Patriarcal, de 30 de novembro de 2024 a 19 de janeiro de 2025.

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O título da exposição referencia a intrincada estrutura em forma de espiral do ouvido interno, responsável pela deteção de frequências sonoras, essenciais à perceção auditiva. Repleta de líquido no seu interior, a Cóclea contém pequenas células ciliadas que convertem as vibrações sonoras em sinais elétricos, posteriormente transmitidos ao cérebro através do nervo auditivo. Com efeito, o autor convoca o termo para aludir ao murmúrio das forças impercetíveis dos sistemas geológicos da Terra que operam acima e abaixo da superfície. Cóclea brota do combate entre a cegueira e a visão, o interior e o exterior, a escuridão e a clarividência, o humano e o inominável, o dia e a noite. Na escuridão, os olhos adaptam-se, os ouvidos aguçam-se e o que julgamos conhecer escapa-se-nos do entendimento. Os eventos que medeiam este projeto, muitas vezes desprovidos de contexto, potenciam uma nova forma de compreensão sensorial experimental. O autor, munido de instrumentos de deteção percorre bosques, rios e montanhas em busca das frequências subliminares que são habitualmente mascaradas pela cacofonia da atividade humana. Confrontado com o desconhecido é a fauna e a flora que informam da negação da ordem antropocêntrica do mundo, onde a convicção do humano, da singularidade do que somos é posta em causa. Cóclea, como prótese percetiva que amplia as capacidades de perceção humanas propõe uma experiência do real que transcende as estruturas de conhecimento tradicionais.

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Alexandre de Magalhães, Cóclea

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A série “Cóclea”, de Alexandre de Magalhães, Prémio Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira – BF24, integra a exposição do Prémio da BF24, patente no Celeiro da Patriarcal, de 30 de novembro de 2024 a 19 de janeiro de 2025.

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Alexandre de Magalhães Porto, 1983. Licenciado em Fotografia pela Escola Superior de Tecnologia de Tomar – IPT, 2014. Doutorando pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Especialista na área de Audiovisuais e Produção dos Media – Fotografia desde 2024.

É professor adjunto na Licenciatura em Fotografia do Instituto Politécnico de Tomar, professor no curso de fotografia da ETIC (Lisboa) e no curso de fotografia do Centro de Estudos de Arte Contemporânea – Vila Nova da Barquinha. Cofundador da Associação de Fotografia Experimental – Tira-Olhos (Lisboa). Colabora regularmente com museus, instituições públicas e privadas realizando oficinas e workshops relacionados com fotografia e processos de impressão fotográficos experimentais.

Expõe regularmente desde 2012. Destacado pela EMERGE em 2024 como um dos artistas emergentes do ano.

Vive e trabalha entre Lisboa e Tomar onde investiga e desenvolve trabalho autoral na área da fotografia.

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Sobre a BF24 – Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, regista a organização:

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Trinta e cinco anos volvidos desde a sua criação, em 1989, a Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira afirma-se hoje, em 2024, como o mais antigo evento de premiação exclusivamente dedicado à cultura fotográfica no nosso país, ostentando por isso um histórico assinalável ao nível da promoção da prática fotográfica portuguesa.

Apontada desde o início à revelação de novos talentos na área da fotografia artística, a Bienal apresenta uma matriz que partiu da estreita relação com as instituições de ensino artístico no âmbito fotográfico, para se projetar hoje, cada vez mais, na atenção à iniciativa individual dos artistas que fazem uso da fotografia numa perspetiva abrangente e transdisciplinar. Defensora do valor da descoberta e da avaliação da experiência visual que designamos como “fotografia”, a Bienal continua apostada em celebrar a liberdade e a ousadia do processo criativo, empenhando-se na consolidação de um programa cuja amplitude, dividida entre a premiação (Patriarcal) e a ação curatorial (Fábrica das Palavras, Galeria Paulo Nunes – Arte Contemporânea, Museu do Neo-Realismo, Museu Municipal de Vila Franca de Xira, Núcleo Museológico do Mártir Santo e numa segunda fase no Celeiro da Patriarcal), assegura à nossa cidade um estatuto de referência, no que à prática da fotografia contemporânea diz respeito.

Procurando chegar a todos os públicos, a exposição dos trabalhos dos finalistas candidatos aos Prémios (Bienal de Fotografia, Concelho de VFX e Tauromaquia) apresenta-se como resultado de uma criteriosa seleção elaborada por um Júri de Nomeação, constituído por Sofia Nunes, Pauliana Valente Pimentel e Cláudio Garrudo. Por sua vez, os premiados surgiram da decisão do Júri de Premiação, constituído por Bruno Sequeira, Ana Anacleto, Isabel Nogueira, José Maçãs de Carvalho e David Santos. A qualidade de cada uma das exposições individuais agora apresentadas no espaço expositivo do Celeiro da Patriarcal tem a assinatura dos artistas selecionados: Alexandre de Magalhães, Bruno Parente, Catarina Cesário Jesus, Daniel Malhão, Filipe Bianchi, Gonçalo C. Silva, Jorge Vale, Marcos Duvágo, Pedro Rocha, Ricardo Moita, Rodrigo Vargas e Rui Pereira.

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A agenda da BF24, no FF, aqui. Mais informação sobre a BF24 aqui (site).

Sobre esta e outras edições da Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, no FF, aqui.

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