JOSÉ M. RODRIGUES, TRATADO
Exposição na Galeria Avenida da Índia, na Avenida da Índia, em Lisboa, de 28 de setembro a 22 de dezembro de 2024.
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Tratado é uma exposição centrada em retratos de familiares e de amigos de José M. Rodrigues. As fotografias agora reveladas relacionam-se também com os lugares onde foram tiradas, a natureza a envolver as pessoas, a paisagem como pano de fundo. Obras sobretudo inéditas, a cores, um vídeo formado por uma antologia de imagens, uma colecção de espelhos: há muitas histórias que nos chegam destes instantes onde artista e modelo comungam um mesmo propósito: a eternidade de um segundo.
A exposição pode ser descrita como um tratado do amigo e do amado, na senda do texto escrito pelo catalão Ramon Llull, no século XIII:
“Com a sua imaginação o amigo pintava e reproduzia as feições de seu Amado nos seres corporais, com seu entendimento as aprimorava nos seres espirituais, e com a vontade as adorava em todas as criaturas.”
Cada fotografia funciona como um versículo. Os instantâneos fixam o tipo de relações que José M. Rodrigues mantém com o retratado – palavra que inclui “tratado”. A negociação passa pela escolha de um lugar, que, no seu conjunto, compõem uma pessoalíssima geografia sentimental: Atlântico – Mediterrâneo.
O espelho, que reflecte, que distorce, que especula, é um objecto omnipresente neste novo conjunto de fotografias. Rostos e corpos contemplam-se e são contemplados pelo olhar de José M. Rodrigues, que procura também o horizonte da paisagem marítima como ponto de equilíbrio de uma imagem.
As dimensões cinematográfica e pictórica dos instantâneos são também uma evidência. Podiam ser fotografias de cena de um filme de autor ou pinturas de um mestre setecentista. São sobretudo imagens de uma limpidez, de uma lucidez, de uma fisicalidade tão intensas que nos sentimos próximos dos amigos e dos amores de José M. Rodrigues.
Em “Tratado” são dadas a ver obras de um fotógrafo na sua maturidade. De repente, é o mais próximo que se torna urgente dar a ver. Nada importa mais do que o amor e a amizade, o azul no céu em comunhão com um mar raso como o chão, uma flor que esconde a face de um ente querido entretanto falecido. A exposição é percorrida por alegrias e dores. A vida no seu esplendor.
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Óscar Faria, curador
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Como todas as exposições, esta é, de uma forma especial, autobiográfica. José Manuel Rodrigues, que desde alguns anos assina como José M. Rodrigues, foi co-fundador da Perspektief – Associação de Artes, em Amsterdão em 1987, e mostra-nos os 5 primeiros números da revista, a par com duas das suas primeiras edições: “A Viagem” e «O primeiro “TRATADO” com o meu amigo Luís Carmelo», conforme manuscreve. Estão no interior da sala, um pouco mais para o fundo. Mostra ainda diversas peças escultóricas ou instalações, em que a fotografia está presente e o autor se esconde ou se dá a mostrar, em reflexos. Mostra-nos dois espelhos que ele próprio criou. O espelho está também presente em várias das fotografias: um fragmento da imagem, da fotografia, que em si é um fragmento.
A fotografia mostra a imagem do espelho que mostra a imagem que a fotografia queria esconder.
Quase no final da exposição, numa sala escura, uma projeção atravessa o seu vasto trabalho, dá a conhecer (ou a rever) a sua obra, ele que foi merecedor do Prémio Pessoa, atribuído pelo jornal Expresso e pela empresa Unisys, em 1999.
Com 73 anos completos em maio de 2024, José M. Rodrigues centra o seu olhar no humanamente essencial: a família e os amigos. São estas imagens, mais abertas ou mais próximas, de rostos, expressões, emoções, em meios corpos ou corpos inteiros, abraços – onde por vezes o/a companheiro/a está presente, porém no anonimato do rosto (e corpo) que não se vê, que está por trás (‘por trás de um grande homem está uma grande mulher’), nas mãos ternas que se dão…
As fotografias estão identificadas pelo nome próprio do retratado.
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2024
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A exposição de José M. Rodrigues, “Tratado”, com curadoria de Óscar Faria, pode ser vista na Galeria Avenida da Índia, na Avenida da Índia, 170, em Lisboa, de 28 de setembro a 22 de dezembro de 2024.
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José Manuel Rodrigues nasceu em Lisboa em 1951. Viveu em Paris, França (1968/1969) e nos Países Baixos entre 1969 e 1993. Nos Países Baixos estudou fotografia nas Escolas Superiores de Fotografia em Haia e de Apeldoorn (1975-1989).
Tirou um curso de realização em vídeo no prestigiado Instituto Santbergen em Hilversum (1990).
Foi co-fundador da Perspektief – Associação de Artes, e responsável pela programação das exposições da respectiva galeria.
Foi membro da Associação de Fotógrafos de Arte (G.K.F.) e da Amsterdamse Kunstraad (Concelho para as Artes, Amesterdão) entre 1987 e 1992.
Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em 1986-987, 1995 e 1996).
Recebeu, em 1992, uma bolsa de trabalho do Fonds voor de Beeldende Kunst (Fundação para as Belas Artes, Holanda). Foi atribuído uma bolsa de trabalho pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal, em 1997.
Recebeu o prémio Vrije Creatieve Opdracht em 1982 (Prémio de Fotografia Criativa) pelo Amsterdamse Kunstraad (Conselho para as Artes, Amesterdão) em 1982.
Em 1999, foi galardoado com o Prémio Pessoa pelo conjunto da sua obra artística e pela sua contribuição às artes em Portugal.
A sua obra está representada em várias colecções privadas e públicas, entre as quais, em Portugal, na Culturgest, Museu de Serralves, BES-foto, Centro Português da Fotografia, Centro das Artes Visuais, e no estrangeiro no Dutch Art Foundation, Van Reekum Galerie (Apeldoorn), Prentenkabinet (Leiden), La Bibliotheque Nationale (Paris), entre outros.
Ensinou fotografia em várias instituições e escolas nacionais e estrangeiras (Roterdão, Porto, Évora, Caldas de Rainha).
Em 2007 e 2008 foi professor convidado no curso de mestrado em Artes Visuais do IADE em Lisboa.
Realizou múltiplas exposições individuais e coletivas, tem diversos livros e catálogos publicados e está representado em várias coleções nacionais e internacionais.
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Pode saber mais sobre José M. Rodrigues no FF, aqui e aqui.
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