AAVV, X’24 . 1
Exposição de 27 alunos finalistas da Licenciatura em Fotografia e Cultura Visual do IADE – Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia, n’ A Homem Mau, em Lisboa, de 23 de outubro a 20 de novembro de 2024.
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A Licenciatura em Fotografia e Cultura Visual do IADE já nos habituou às exposições dos seus alunos finalistas. Este ano, na X’24, são 27 os participantes. Ao longo de 3 publicações, apresento os trabalhos participantes. Nesta publicação: Ana Anastácio, Ana Quitério, Ana Rita Alves, Ana Victória Pacheco, André Cordeiro, Bruno Nunes, Carolina Cociorva, Carolina Miguel, Carolina Oliveira.
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X’24 é um projeto expositivo que reúne trabalhos de alunos finalistas da Licenciatura em Fotografia e Cultura Visual do IADE – Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia.
Os trabalhos dos 27 autores, selecionados entre os alunos que concluíram o seu percurso académico no ano letivo de 2023-2024, exploram as possibilidades de criação que têm por base o dispositivo fotográfico, incluindo fotografias, livros de fotografia e ainda projetos de imagem em movimento. Mostra de propostas diversificadas numa abordagem aos processos de criação individual, de discursos e linguagens visuais que impactam o ver e sentir, resultado da formação e acompanhamento do corpo docente.
Com seleção de trabalhos e curadoria dos professores José Luís Neto, Susana Mouzinho, Filipe Figueiredo e Octávio Alcântara, a presente exposição coletiva continua o caminho traçado de não se encapsular num único discurso ou temática, antes faz da sua força a heterogeneidade. Propostas e processos revestidos de intencionalidade, da interna procura de uma individualidade marcada pela influência social, à busca de sentido pelo banal, da estranheza do olhar, à procura dos espaços qual sonho aberto, caminhos percorridos muitas vezes em sentidos opostos que revelam o estado presente de cada autor. Como resultado da diferença de abordagens, verifica-se nestes trabalhos um vai e vem, entre afastamento e convite à aproximação, um intimismo extrovertido qual exercício de criação metafórica dual. Os trabalhos expostos confirmam e afirmam a capacidade criativa autoral a partir da experimentação, uma abordagem a novas linguagens e influências, reveladoras de processos de crescimento e maturação, crescimento e afirmação, que não posso deixar de ressaltar e saudar nestes finalistas e jovens autores, em que a apresentação em galeria se estabelece enquanto momento especial de relevo.
A exposição X’24 é possível pela vontade de manter a parceria estabelecida entre o IADE e a galeria A Homem Mau, o meu muito obrigado pelo envolvimento neste processo por parte do seu responsável, Pedro Duarte Jorge. Agradeço à Reitora da Universidade Europeia, Professora Hélia Gonçalves Pereira, e ao Diretor do IADE, Professor Carlos Rosa, pelo voto de confiança depositado no trabalho desenvolvido na Licenciatura em Fotografia e Cultura Visual e a todos os que contribuíram na viabilização desta exposição: os professores José Luís Neto, Susana Mouzinho e Filipe Figueiredo curadores da exposição, Ana Marques, Ângela Silvestre, Daniela Lousada, Pedro Bruno Rodrigues, Alexandre Magalhães, Eduardo Cândido, Mário Brás, José Barreiro, Mário Bento, Diamantino Abreu, Vasco Milne, Leonor Coutinho e a toda a equipa da Fábrica.
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Octávio Alcântara
Coordenador da Licenciatura em Fotografia e Cultura Visual.
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Ana Anastácio, Entre linhas
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As imagens desta série mostram linhas a obstruir a visão do espectador. As linhas, sejam elas criadas por edifícios, estradas, fios, pontes ou cercas, são os elementos visuais primários. Elas assumem diferentes formas e direções, desde retas precisas até curvas sinuosas, criando uma coreografia visual que guia o espectador através composição.
No contexto do meu projeto, tomei a decisão de incorporar ruído nas imagens que criei. Esta escolha deliberada teve como objetivo principal conferir uma sensação de compactação e uniformidade entre as diversas imagens, criando uma coesão visual que perpassa todo o conjunto. Ao adicionar este ruído controlado, criei uma textura visual que permite destacar distanciamento repetição. A compactação entre os planos causa um distanciamento para quem observa.
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Ana Anastácio nasceu na Amadora em 2001. Em 2021 concluiu o Curso Profissional de Multimédia na Escola Secundária de Salvaterra de Magos, tendo recentemente concluído a Licenciatura em Fotografia e Cultura Visual no IADE-UE. Demonstra interesse na área da Fotografia de Paisagem e Retrato. Em Março de 2024, fez parte de uma exposição conjunta no Mercado P’LA ARTE com o projeto “Fragmentos”.
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Ana Quitério, Des.coberta
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Descobrir algo e descobrir-se perante o universo, é neste contexto que surge este DES.COBERTA, um projeto de autorrepresentação performativa onde a artista procura de auto-conhecimento pelos caminhos turbulentos da ansiedade, cada clique deste projeto ressoa como um fragmento complexo da alma, num espaço entre o medo e a certeza, a preocupação e calmaria, os desafios e as superações.
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Ana Quitério nasceu em Vale do Paraíso no ano de 2003, recentemente concluiu a Licenciatura em Fotografia e Cultura Visual no IADE-EU. Ana, demonstra interesse na exploração da sensibilidade Humana como temática autoral interligando-a ainda com outras narrativas.
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Ana Rita Alves, Silhuetas
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Este trabalho tem como objetivo realizar uma experiência visual onde explora a ligação do interior e exterior, utilizando silhuetas e luz de fundo como elementos chave. Cada silhueta é uma representação abstrata de emoções e pensamentos. A vida exterior desfocada serve como lembrete de que a perceção do que está dentro é muitas vezes influenciada e distorcida pelas experiências externas. Enquanto a vida externa distorcida destaca a subjetividade da observação e convida os participantes a questionarem as fronteiras entre a realidade e a interpretação.
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Ana Rita Alves, nasceu em Lisboa no ano de 2002. Desde pequena que teve o gosto pela fotografia e isso levou-me a frequentar anos mais tarde licenciatura de Fotografia e Cultura Visual no IADE-EU. Tem um gosto particular pela fotografia de viagens e paisagem.
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Ana Vitória Pacheco, SMPL
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O projeto fotográfico “SMPL” é uma experiência visual que explora a interseção entre a arte do autorretrato e a produção musical, com foco no universo do hip hop. Inspirada pelas técnicas de sampling e beatmaking, a artista traduziu visualmente essas práticas por meio de uma série de autorretratos com intervenções físicas nas imagens, refletindo elementos como ritmo, improvisação e transformação, característicos do hip hop e do cenário underground. O projeto conecta o visual ao auditivo, oferecendo uma nova perspectiva sobre o “samplear”. As 26 fotografias foram impressas em papel Fine Art, variando entre 18 cm, 24 cm e 30 cm, organizadas em diferentes sequências.
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Ana Vitória Pacheco nasceu no dia 14 de junho de 1998 em Brasília, capital do Brasil. Iniciou seu percurso na fotografia aos 15 anos e anos depois em audiovisual com produções de vídeo e cinema. Retrata a arte urbana com o Hip Hop em projetos independentes e undergrounds, principalmente produções musicais. Atualmente vive em Lisboa e é licenciada em Fotografia e Cultura Visual pela Universidade Europeia e continua a trabalhar com o cenário urbano com artistas imigrantes e portugueses.
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André Cordeiro, Os ossos da terra; These Violent Flowers; Lacrimae
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Os Ossos da Terra dão titulo a um corpo de trabalho maior que se estende pela fotografia, o photobook e a imagem em movimento. A estes três elementos segue-se uma uniformidade visual que aborda temas como o tempo e a memória e que seguem uma ideia de ordem telúrica através dos seus signos e os seu significados.
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André Cordeiro nasceu em Lisboa. Estudou audiovisuais e multimédia na EPCI e dedicou-se à fotografia analógica.
Trabalhou como cameramen para a TV e designer gráfico para ateliers e agências. Em 2015 dedica-se a um percurso autoral, após 5 anos de estudo de desenho no Ar.co, em Lisboa. Em 2021 conclui o Independent Study Program da Maumaus e em 2024 conclui o curso de Fotografia e Cultura Visual no IADE. Em 2023 participou no programa de residências artísticas de Melgaço – International Documentary Film Festival e colaborou na publicação colectiva da Zone, Independente Publisher em Roma. O seu trabalho rege-se por intersecções de desenho na fotografia, inscritos no tempo e na memória, abordando questões de ordem telúrica.
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Bruno Nunes, Deuff
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Ao explorar a estética única e imprevisível de William Dafoe, o conceito deste trabalho procura singularidade. Com uma abordagem abstrata, as imagens apresentadas tornam-se controversas relativamente ao processo evolutivo da fotografia de moda. “Deufff” é uma coleção de imagens analógicas que incorpora elementos de surrealismo, geometria abstrata, contrastes dramáticos e expressões intensas.
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Bruno Nunes é artista português cuja jornada pela Fotografia nasceu de um momento de perda e transformação. Aos 16 anos, após o falecimento do pai, doente oncológico, recebeu o apoio inabalável do padrinho, fotógrafo profissional, na procura de uma nova direção, caminho da 8.ª Arte, por revelar o poder da imagem e o seu impacto artístico, algo que desde então se tornou a maior paixão.
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Carolina Cociorva, Sussurros da terra
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“Sussurros da Terra”, procura desvendar a íntima conexão entre a natureza e o ser humano. Nesta série de imagens, é explorada a simbiose entre o ser humano e a natureza, captando a essência da conexão humana com a natureza através do toque, sendo o toque uma das experiências primordiais que nos conecta ao mundo. Procura-se revelar a corporeidade como a ponte tátil entre o Homem e a Natureza.”
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Carolina Cociorva nasceu em Cascais em 2002. Desde sempre apaixonada pelas artes, encontrou na fotografia e no vídeo a sua verdadeira vocação e licenciou-se em Fotografia e Cultura Visual no IADE-UE em 2024. Participou na exposição colectiva de Março de 2024 no Mercado P ́LA ARTE.
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Carolina Miguel, Aura
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AURA é um projeto fotográfico que procura retratar a fauna e flora sob uma perspetiva incomum, explorando um novo mundo dentro do nosso através de um ponto de vista único. Com este projeto, somos convidados a observar detalhes facilmente ignorados no quotidiano e a prestar atenção a pormenores difíceis de captar a olho nu. Assim, aproxima-nos da natureza que nos rodeia e dos seres vivos que nela habitam. Esses pequenos detalhes, muitas vezes.
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Carolina Miguel, nascida em Lisboa em 2001, descobriu na fotografia a sua paixão aos 12 anos. Formada em Audiovisuais pela EPCI, desenvolveu um estilo versátil, focado em retratar pessoas, animais e natureza. Através da imagem, Carolina encontrou a sua forma de comunicação, preferindo transmitir emoções e histórias visualmente. Em 2024, concluiu a Licenciatura em Fotografia e Cultura Visual no IADE, reafirmando o seu compromisso com a evolução contínua na arte de capturar o mundo com a sua lente.
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Carolina Oliveira, Imemorial
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Este projecto, intitulado Imemorial, explora o conceito das memórias aliadas à passagem do tempo. A memória é um acontecimento intrínseco à experiência humana que molda a sua identidade e influencia a sua perspectiva. É também a relação entre espaço físico e lembranças emocionais, levando à criação de um diálogo visual sobre a mesma. Através de uma linguagem / abordagem mais poética, passa a ideia do decorrer do tempo que acontece cada vez mais rápido, ao mesmo tempo retratando o inevitável desvanecimento e até o desaparecimento das recordações que pensámos um dia nunca esquecer. Quase num contrassenso, pretende perpetuar através de mini séries fotográficas o carácter efémero da memória. Quer-se, pois, a poesia contida nas marcas do tempo, procurando nelas não apenas o desgaste, mas também a história que contam.
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Carolina Oliveira nasceu em Cascais, a 27 de Março de 1997. Apesar de desde cedo se ter interessado por outras áreas como o desenho e a escrita, encontrou na fotografia um meio para se expressar. Frequentou anteriormente o curso profissional Técnico de Fotografia na Magestil. Concluiu recentemente a licenciatura em Fotografia e Cultura Visual no IADE-UE, em 2024.
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A exposição “X’24”, dos alunos finalistas da Licenciatura em Fotografia e Cultura Visual do IADE – Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia, com obras de Ana Anastácio, Ana Quitério, Ana Rita Alves, Ana Victória Pacheco, André Cordeiro, Bruno Nunes, Carolina Cociorva, Carolina Miguel, Carolina Oliveira, Clara Ribas, Constança Ferreira, David Lúcio, Débora Carvalho, Diana Silva, Filipe Gonçalves, Inês Amado, Joana Coelho, João Cola, Júlia Mostaert, Maria Clara Consentino, Mónica Barata, Rafael Marinho, Rodrigo Coimbra, Rodrigo Proença, Sara Cabral, Tiago Guerreiro, Vera Vieira, a curadoria de José Luís Neto, Filipe Figueiredo, Octávio Alcântara e Susana Mouzinho, e o design de Eduardo Cândido, está patente n’ A Homem Mau, na R. Gonçalves Crespo 6C, em Lisboa, de 23 de outubro a 20 de novembro de 2024.
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Os restantes projetos de X’24, aqui e aqui.
Sobre outros projetos da Licenciatura em Fotografia e Cultura Visual do IADE, dos vários anos, aqui.
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Cortesia: Licenciatura em Fotografia e Cultura Visual do IADE – Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia / Filipe Figueiredo.
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