CLARA AZEVEDO, CASA

Exposição n’A Pequena Galeria, em Lisboa, de 9 de outubro a 9 de novembro de 2024.

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O espaço reduzido d’A Pequena Galeria, torna-se especialmente acolhedor para esta exposição. Torna-se “Casa”. E a casa é o espaço de viver e o espaço das memórias. Uma série especialmente intimista e biográfica.

Para Clara Azevedo, “este trabalho, desenvolvido nos últimos 6 meses, é a continuação do tema dominante nos meus livros e percurso, a fotografia documental. Procuro desde sempre preservar e fotografar memórias, como documento, como sentimento.”

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Sobre o projeto, escreve:

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Casa

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Há na minha vida palavras que têm um significado profundo, uma definição própria, um código de sentimentos. Palavras que fazem parte da minha identidade.

No ABC que aprendi desde cedo, todas as letras foram construindo o meu dicionário próprio. C, de Casa, ajudou-me a construir uma palavra determinante no meu crescimento ao longo do tempo.

Nas memórias de infância registadas num álbum com capa cor-de-rosa suave, encontro fotografias dos meus primeiros anos, e entre as fotografias e descrições detalhadas da minha mãe sobre as minhas descobertas primeiros sorrisos, e primeiros passos, surge também o meu primeiro bordado aos cinco anos. Com linhas inseguras, bordei um retângulo e um triângulo, as paredes e o telhado de uma casa.

Aos cinco anos morava numa segunda casa, num país diferente, num continente distante da Europa. O meu pai trabalhava para a FAO, a sua profissão levou-nos a viver em latitudes que desconhecia, e a ter várias casas sucessivamente. O primeiro destino foi o Brasil, a estadia mais prolongada, a casa onde vivi com os meus pais e irmãos durante quatro anos e meio.

Depois do Brasil vivemos em Madagáscar, na Bolívia, em Itália, no Paquistão e no Irão.

Habituei-me a ver as várias casas empacotadas e desempacotadas, a acrescentar em cada país objectos com um significado sempre especial, a viver entre as pedras que o meu pai colecionava, e os poemas que a minha mãe escrevia. A adicionar memórias desse tempo nos álbuns de fotografias – registos precisos e sentimentais da minha mãe, com a sua inseparável Kodak Instamatic.

Guardo agora na minha casa muitos desses objectos, cuidadosamente arrumados em caixas. Outros ocupam um lugar definido. Senti que devia fotografar parte destes fragmentos e sentimentos. Fotografar a minha percepção de “casa”, do mundo que sempre me acompanhou e me envolveu. “Casa” é um arquivo de memórias, com luz.

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Clara Azevedo, Setembro de 2024

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2024

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Para a exposição, Clara Azevedo editou um catálogo:

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Clara Azevedo

Casa

Fotografia e texto: Clara Azevedo

Edição do Autor / setembro . 2024

Português / 22,0 x 22,0 cm / 24 pp, não numeradas

Capa mole, agrafado

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A exposição de Clara Azevedo, “Casa”, tem curadoria de Rogério Cruz d’Oliveira, arquitecto e ilustrador, é composta por 24 fotografias, 13 prints com as dimensões 60x40cm, e 11 caixas que contêm um print nas dimensões 21x14cm, está patente n’A Pequena Galeria, em Lisboa, de 9 de outubro a 9 de novembro de 2024. «O espaço da galeria foi redesenhado e pensado para convidar a “entrar em casa”.»

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António Bracons, Clara Azevedo, 2024

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Clara Azevedo Nascida em Lisboa, aos 4 anos muda-se para o Brasil com os pais e irmãos. Há vários anos que conhece outros países, onde também vive, com estadias mais ou menos longas, devido à profissão do seu pai, que trabalhou na FAO. Madagáscar, Bolívia, Itália, Paquistão, Afeganistão, Quénia são, durante algum tempo, a sua casa.

De regresso a Portugal, após fazer o Curso de Design e Decoração de Interiores, no IADE, em 1981, e o Plano de Estudos Completo em Fotografia, ARCO (Centro de Arte e Comunicação Visual), em 1985, decide dedicar-se e concentrar-se totalmente à fotografia.

Com bolsa da Secretaria de Estado da Cultura de Portugal e patrocínio da Fundação Luso-Americana, desenvolve em 1986 e 1987 um trabalho sobre a comunidade portuguesa na Nova Inglaterra, que deu origem à sua primeira exposição individual.

Em 1987 inicia a sua colaboração com o jornal Expresso, onde permanece até 1995. Nessa altura decide sair e começar como freelancer.

Trabalhou para diversas revistas, abordando diversos temas: reportagem, retratos, fotografia de interiores e fotografia de viagens. A sua preferência são sobretudo os seus projectos pessoais na área da fotografia documental, que já deram origem a 11 livros publicados.

Foi a fotógrafa oficial do primeiro-ministro português, António Costa.

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Pode conhecer melhor o trabalho de Clara Azevedo no FF, aqui e no site da artista, aqui.

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