FABIO CIAN, UBIQUITOUS ANOMALY. REVEALING CLIMATE CHANGE
Exposição integrada no IMAGO LISBOA Photo Festival, patente na Galeria de Santa Maria Maior, em Lisboa, de 3 de outubro a 2 de novembro de 2024.
.
.
.
Se a maior parte dos projetos apresentados nesta 6.ª edição do IMAGO Lisboa Photo Festival se debruçam sobre os efeitos das alterações climáticas, o trabalho de Fabio Cian tem como foco o estudo científico em torno das alterações climáticas.
Cian percorre todo o mundo, do Observatório da Alta Torre Amazónica (ATTO), de 325 m, na floresta amazónica aos arquivos das carotes de gelo recolhidas nos pólos, nos Estados Unidos; da construção do veículo espacial MARS 2020, com que a NASA procura conhecer a evolução do clima em Marte, ao centro de armazenamento para fita magnética completamente automatizada, com um vasto arquivo de dados meteorológicos, no Reino Unido, até aos complexos centros computacionais, para referir apenas alguns. Mostra esses espaços e encontra algumas das pessoas que participam nessas investigações: cientistas de múltiplas áreas e regiões, investigadores, informáticos, colaboradores… Mostra sobre a investigação do clima do passado, do clima do presente e do clima do futuro.
Em cada fotografia identifica o local e as pessoas presentes, complementa com uma descrição da atividade desempenhada e da sua importância.
.
.
Escreve Fabio Cian:
.
Uma anomalia é algo que ocorre raramente; é algo que possui características muito diferentes daquilo que o rodeia. Uma anomalia é algo circunscrito, limitado, específico. Uma anomalia é algo a ser procurado com tenacidade, atenção e cuidado. Algo que não se espera encontrar por todo o lado.
Quando uma anomalia se torna omnipresente, significa que a realidade mudou radicalmente, e é assim que as alterações climáticas se têm revelado aos cientistas.
Desde há muitas décadas que os cientistas estão envolvidos numa odisseia através do tempo e do espaço, para tentar compreender o clima do nosso planeta. Observam, recolhem, registam, pesquisam, analisam, imaginam. Em todos os continentes, países, locais remotos e populosos, ecossistemas de todos os tamanhos e tipos, e em diversas profundidades e altitudes – desde os fundos oceânicos até aos topos das montanhas e até mesmo no espaço sideral. Eles procuram. E encontram. Encontram anomalias. Sempre que um cientista tenta compreender a evolução do nosso clima atual, qualquer que seja a variável que analise, o resultado é encontrar anomalias. Uma anomalia omnipresente.Quando os cientistas observam as características do clima, desde que os humanos começaram a extrair e a queimar combustíveis fósseis reiteradamente, e as comparam com os dados do clima passado, observam valores invulgares em todas as variáveis, em todos os pontos do globo.
Para reconstruir o clima do passado, os paleoclimatologistas aventuram-se pelas regiões polares para analisar o gelo, pelas profundezas dos oceanos para estudar os corais e os sedimentos, pelas florestas imaculadas para analisar as árvores antigas. Desta forma, conseguem compreender a evolução do clima do planeta até há vários milhões de anos.
O clima atual é monitorizado por uma vasta rede de observatórios espalhados por todos os cantos do mundo, em todas as latitudes e altitudes, utilizando instrumentos sofisticados e viagens espaciais, envolvendo pessoas de todas as raças, crenças e culturas.
O clima futuro é calculado e analisado por supercomputadores poderosos, utilizando conjuntos de dados enormes, algoritmos de ponta e os melhores especialistas de cada nação.
Quando se junta esta enorme quantidade e diversidade de variáveis, o resultado é sempre o mesmo. Uma anomalia omnipresente. Uma mudança abrupta e persistente que persegue incessantemente o rápido aumento dos gases com efeito de estufa na atmosfera das últimas décadas.
Através dos desafios e triunfos, muitas vezes invisíveis, do labor científico, “Anomalia Ubíqua” revela a essência do clima da Terra e a urgência das alterações climáticas. Um apelo a ver, sentir e compreender os esforços monumentais por detrás da luta contra as alterações climáticas, tornando-o um complemento essencial para qualquer discussão sobre o futuro do nosso planeta.
.
.

.
O projeto abrange as seguintes instalações: Earth Institute, Columbia University (Nova York), NASA/Jet Propulsion Laboratories e Caltech (Califórnia), National Oceanic and Atmospheric Administration, NSF’s Ice Core Facility e National Center for Atmospheric Research (Colorado), Autonomous University do México (México), Amazon Tall Tower Observatory, Instituto Max Planck (Brasil/Alemanha), Observatório Mount Cimone do CNR (Itália), Serviço Meteorológico Alemão (Alemanha), Centro Europeu de Previsão Meteorológica de Médio Prazo e Universidade de East Anglia (Reino Unido) , GREAT Institute, (Gâmbia), Instituto Max Planck de Biogeoquímica (Suécia/Alemanha) e o Observatório Atmosférico de Izaña (Tenerife, Espanha).
Este projecto continuará a abranger outros institutos e campos com prioridade para os de África, Ásia e regiões polares.
.
.
.
Fabio Cian, Ubiquitous anomaly – Revealing climate change
.
.
.
António Bracons, Aspetos da exposição, 2024
.
.
.
A exposição “Ubiquitous anomaly – Revealing climate change” de Fabio Cian integra o IMAGO LISBOA Photo Festival, está patente na Galeria de Santa Maria Maior, na R. da Madalena, 147, em Lisboa, de 3 de outubro a 2 de novembro de 2024.
.

.
.
.
Fabio Cian. É cientista e fotógrafo documental, vive em Veneza, Itália.
A pesquisa fotográfica de Fabio situa-se na intersecção do mundo humano e natural, analisando fenómenos globais impulsionados por forças antropogénicas. Atualmente o seu trabalho está focado na ciência climática e em questões relacionadas com as mudanças climáticas. Em particular, está interessado nas atividades e práticas científicas que estão por trás do estudo do clima da Terra. Ele está também interessado nos impactos dos desastres relacionados com as mudanças climáticas, como inundações, tufões e secas, no meio ambiente e nas pessoas que o habitam.
O seu método de trabalho está enraizado na pesquisa científica.
Fabio obteve um certificado de Visual Storytelling do International Center of Photography, Nova York. Possui um mestrado em Engenharia Espacial e é doutorado em Ciência e Gestão de Mudanças Climáticas.
Fabio é cientista, realiza pesquisas sobre mudanças climáticas, gestão e financiamento de desastres naturais. Publicou vários artigos de pesquisa em revistas científicas, com revisão por pares.
.
.
.
Pode saber mais sobre a obra de Fabio Cian no seu site, aqui.
Pode ver a agenda das exposições e eventos do IMAGO LISBOA Photo Festival 2024, no FF, aqui.
Sobre outras exposições (dos vários anos), aqui.
.
Cortesia: IMAGO LISBOA Photo Festival.
.
.
.






















Pingback: AGENDA . IMAGO LISBOA PHOTO FESTIVAL 2024 | FASCÍNIO DA FOTOGRAFIA
Pingback: AGENDA . EXPOSIÇÕES . JANEIRO A MARÇO . 2025 | FASCÍNIO DA FOTOGRAFIA