CHARLOTTE WIIG, SYNESTHESIA
Integra a exposição “A View from No-Place: Time in the Age of Anthropocene”, do IMAGO LISBOA Photo Festival, na SNBA – Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, de 12 de setembro a 12 de outubro de 2024.
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A palavra “sinestesia” tem raízes no grego, sende que syn significa “juntos” e aesthesis significa “sensação”. Por outras palavras, a sinestesia é uma fusão dos sentidos.
A sinestesia ocorre quando o cérebro experimenta involuntariamente vários sentidos ao mesmo tempo, quando apenas um é estimulado. A pessoa com sinestesia pode, por exemplo, saborear palavras, associar cores a determinados sons ou letras, ou ouvir música quando vê formas. Por outras palavras, um sentido é experienciado através de outro.Na medicina, a condição é conhecida há aproximadamente 300 anos, mas foi “esquecida”, e o fenómeno não foi bem compreendido até os tempos modernos (Cytowic, 2002). A frequência com que ocorre na população é desconhecida, mas estima-se que entre 2 e 6 por cento da população experimente esta condição. Ocorre mais frequentemente em mulheres do que em homens, numa proporção de pelo menos 3:1 (Cytowic & Eagleman, 2009). Também ocorre com mais frequência em pessoas com autismo. Os artistas estão sobre representados entre os sinestéticos. Exemplos de sinestéticos célebres são Vincent van Gogh, David Hockney e Billie Eilish. Foi documentado que certas drogas alucinogénicas como o LSD induzem temporariamente sinestesia.
Neste projeto, Charlotte colaborou com pessoas com sinestesia, numa tentativa de compreender melhor o que significa experimentar essa condição, e de a representar para outros.
É possível comunicar a experiência da sinestesia em fotos, mesmo sem nunca a ter vivido? O objetivo de Charlotte é criar imagens que ativem vários sentidos ao mesmo tempo, mesmo para quem não tem sinestesia. Ao trabalhar com imagens com impressão saturada e acelerada de cores, luz, cheiro, tato fundem-se numa expressão visual intensa.
Pretende-se também que estas fotografias sejam vividas como uma celebração dos sentidos: vivas, mágicas, e com abundância sensorial.
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Charlotte Wiig, Synesthesia
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2024
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A série de Charlotte Wiig , “Synesthesia”, integra a exposição “A View from No-Place: Time in the Age of Anthropocene”, com curadoria de Wiktoria Michałkiewicz, do IMAGO LISBOA Photo Festival, sob o tema Action for a Green Future, pode ser vista na SNBA – Sociedade Nacional de Belas Artes, na Rua Barata Salgueiro, 36, em Lisboa, de 12 de setembro a 12 de outubro de 2024.
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A curadora Wiktoria Michałkiewicz escreve a propósito de:
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A VIEW FROM NO-PLACE: TIME IN THE AGE OF ANTHROPOCENE
[Uma vista desde não-lugar: o tempo na era do Antropoceno]
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Um dos historiadores mais proeminentes do século XX, Fernand Braudel, cunhou o termo ‘longue durée’ – história de longa duração – num artigo inovador publicado na histórica revista Annales em 1958. Refletindo sobre as múltiplas temporalidades que o ser humano habita, o paradigma da ‘longue durée’ diz respeito às estruturas históricas que vão tomando forma ao longo de várias décadas. A história de longa duração mede-se em séculos.
O conceito, na visão de Braudel, nasce de uma crise nas ciências humanas. Em vez de olhar para um instante no tempo, ou para as escalas de tempo convencionalmente utilizadas na história narrativa – períodos de dez, vinte, cinquenta anos – Braudel insiste em olhar para os ciclos, regularidades e continuidades subjacentes aos processos de mudança. Esta abordagem não se aplica a acontecimentos singulares, mas enfatiza ligações: entre culturas, paisagens e gerações, revelando a delicada rede de interdependências da qual a humanidade faz parte.
Num relatório publicado em 2020 na revista Nature, os autores Christopher H. Trisos, Cory Merow e Alex L. Pigot, alertam para o “efeito dominó” – um colapso massivo dos ecossistemas que pode ocorrer no prazo de dez anos. A longa duração está a reduzir-se e, mais uma vez, precisamos de adotar um horizonte temporal diferente: no espaço de uma vida enfrentaremos acontecimentos que antes eram testemunhados no espaço de várias centenas de gerações. A história de longa duração desenrola-se diante de nossos olhos.
Pouco mais de seis décadas passaram desde que os historiadores do grupo dos Annales iniciaram uma busca para compreender a relação entre agência e ambiente ao longo do tempo. Como afirmaram, a longa duração não é eterna – ela tem um começo e um fim, dentro de uma perspetiva de um “mundo” singular.
O diálogo visual patente nas obras dos oito artistas em destaque oferece uma visão sobre o nosso mundo interligado, e sobre o que pode significar viver – e agir – nesta nova temporalidade partilhada: a temporalidade do Antropoceno.
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Pode ver a agenda das exposições e eventos do IMAGO LISBOA Photo Festival 2024, no FF, aqui.
Sobre outras exposições (dos vários anos), aqui.
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Cortesia: IMAGO LISBOA Photo Festival.
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