MIGUEL VALLE DE FIGUEIREDO, RELICÁRIO SACRO-PROFANO
A série esteve em exposição em Lisboa, no Atelier Inês Cannas, até 20 de julho de 2024.
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O antropólogo José Pimentel Teixeira escreve o texto da folha de sala:
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RELICÁRIO SACRO-PROFANO
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Cerca de três dúzias de fotografias, é o que nos oferece o Miguel Valle de Figueiredo. Não um sacrário, qual arrumação de itens patrimoniais em pousio, para que nós os possamos desfrutar, como se flanando no remanso de uma mera sensibilidade, mascarada pela aparente fineza de um gosto que se assim se mostra cultivado. E se as imagens provêm dos quatro cantos do mundo, daqui e d’além-mar, não surgem aqui como o mapear de uma lusa diáspora, como agora se diz, ou um rememorar do padroado que tanto enfunou a vera gesta pátria.
Pois o autor mostra-nos, em cada fotografia e no seu todo, um presente no passado moldado: os ecos da crença motriz no Deus que socorre e alumia, que nos fez calcorrear mares e amarinhar montes e vales. Omnipresente na Sua tutela, sê-lo-á. Mas também um Deus portátil, aposto em cada peça, modesta ou monumental, pública no seu a céu aberto ou esconsa no fundo de uma gruta. Assim condensado para que não O ignoremos, para que a Ele queiramos acorrer, tanto em dias desesperados como nos da esperança dadivosa. No desamparo, no amparo. Na eterna dor, na fugaz alegria.
É notório, e notável, que apenas uma pessoa surja neste desfilar. Símbolo ela, nestes tempos revoltos, do sempre presente que tem essa vigência divina, vivida além das hierarquias rígidas e das comunidades semicerradas, da rispidez de dogmas e até mandamentos. Uma presença animada no crepitar do profano popular, esse colectivo de indivíduos feito, o constante emaranhado da nossa miríade de anseios de Bem e de… Futuro. E de um fundamento que nos guie, que “faça luz”. Em todos nós, cada um no seu rumo. Anseios que revivem, fazendo-nos ajoelhar ou só perfilar, aquando diante de cada uma destas representações. Por isso são elas procuradas, queridas. Amadas. Pois são o quotidiano. A vida.
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Miguel Valle de Figueiredo, Relicário Sacro-Profano
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2024
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A exposição de Miguel Valle de Figueiredo, “Relicário Sacro-Profano”, esteve patente em Lisboa, no Atelier Inês Cannas, Rua Sanches Coelho, 4D, de 22 de junho a 20 de julho de 2024.
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A 11 de julho teve lugar uma conversa com o autor e o P. Miguel Almeida, sj, provincial da Companhia de Jesus.
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António Bracons, Miguel Valle de Figueiredo, 7.2024
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Miguel Valle de Figueiredo é fotógrafo profissional desde 1986, desenvolvendo a sua actividade nas áreas industrial, de engenharia/ arquitectura e editorial.
Em 1994 foi co-fundador da revista de viagens portuguesa “Volta ao Mundo” e seu director de Fotografia desde o lançamento até Outubro de 2004, realizando reportagens em mais de 50 países.
Ocupou igualmente o cargo de director de Fotografia na revista “Evasões” entre 1999 e 2002, na qual foi responsável pela renovação e implementação do projecto fotográfico.
O seu trabalho pode ser ainda ser visto em diversas publicações nacionais e em países como Alemanha, Brasil, Canadá, China, E.U. da América, França, Holanda, Hungria ou Itália.
Foi responsável fotográfico por diversos álbuns e livros com destaque para “Um Certo Olhar”, “Ericeira, Mar de Tradições”, “Embaixadas Portuguesas”, “Património Mundial de Origem Portuguesa” e “Cidade suspensa – Lisboa em estado de emergência” e co-autor fotográfico de CCB 25 (livro comemorativo dos 25 anos do Centro Cultural de Belém) e imagens suas integram várias colecções particulares e institucionais.
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Algumas exposições individuais:
“São Petersburgo, Mil Luzes de Uma Cidade” ( Câmara Municipal de São Petersburgo, Rússia ), “Indonésia, Um Olhar Português”, “Pretos e Brancos – Fotografias de Jazz”, “Estádios de Alma” ( Berlin Rathaus, Berlim – Alemanha ), “Cidadãos”, “Alentejo” ( Rio de Janeiro – Brasil ), “As Entranhas de Judas”, “Do Cais ao Cais”, “Things That Used to Be”, “Cinzas”, “Mardel – Martell ” (Budapeste, Hungria), “Nha Belha – Fotografias da Ericeira”.
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Cortesia: Miguel Valle de Figueiredo
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