AUGUSTO CABRITA, O OLHAR ENCANTADO

Exposição integrada nas comemorações do centenário do nascimento do fotógrafo, patente na Biblioteca de Marvila, em Lisboa, de 18 de fevereiro a 20 de abril de 2024.

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Em 1964, Augusto Cabrita foi observador atento nos bastidores da rodagem do filme “As ilhas encantadas” de Carlos Vilardebó, rodado no arquipélago da Madeira.

Foi durante esse período que conheceu e iniciou um percurso de cumplicidade com Amália Rodrigues, protagonista do filme.

Atento fotógrafo e minucioso diretor de fotografia, Augusto Cabrita foi também um detalhado documentarista e, em tudo e sempre a partir do Barreiro, assinatura para a relação entre a luz, a industrialização e as paisagens.

No centro das suas imagens, as pessoas, as suas práticas e alguma melancolia pela passagem do tempo.

Na televisão, na qual foi pioneiro, inventou um modo de narrar visualmente o país.

No cinema, o diretor de fotografia que viria a ser figura cimeira de um cinema que procurava uma identidade mais próxima do que era um país a querer mudança, foi também o retratista dos bastidores, criando nos detalhes que ficavam de fora do plano final, a imagem de um cinema cheio de camadas, segredos e não-ditos.

Esta exposição, pensada pelo projeto FILMar, da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e o Festival Curtas de Vila do Conde, reúne material inédito do fotógrafo realizado durante a rodagem do filme “As ilhas encantadas”, em gentil, cúmplice e estreita colaboração com a sua família, para além de materiais depositados nos acervos fílmicos e documentais da Cinemateca, e um conjunto de filmes e reportagens realizados para a RTP.

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António Bracons, Aspetos da exposição, 2024

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A exposição “O olhar encantado”, de Augusto Cabrita, integrada nas comemorações do centenário do nascimento do fotógrafo, é comissariada por Tiago Bartolomeu Costa e Nuno Rodrigues, com a colaboração da família, pode ser vista na Biblioteca de Marvila, na Rua António Gedeão, em Lisboa, de 18 de fevereiro a 20 de abril de 2024.

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António Bracons, Augusto António Cabrita, neto do fotógrafo, 2024

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Augusto Cabrita

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Integrado na retrospetiva FILMar, organizada pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema no âmbito do programa EEA Grants 2020-2024, são apresentadas três sessões de curtas e longas-metragens onde os filmes realizados por Augusto Cabrita, a memória da indústria da estiva do porto de Lisboa, e a presença de Amália Rodrigues, constituem momentos de diálogo com a exposição 𝘼𝙐𝙂𝙐𝙎𝙏𝙊 𝘾𝘼𝘽𝙍𝙄𝙏𝘼, 𝙤 𝙤𝙡𝙝𝙖𝙧 𝙚𝙣𝙘𝙖𝙣𝙩𝙖𝙙𝙤.

São apresentados filmes de Augusto Cabrita, Carlos Vilardebó, Jean Leduc, Manuel Guimarães, Maurice Mariaud e Paulo Brito Aranha, realizados entre 1924 e 1971.

𝟭𝟴 𝗱𝗲 𝗳𝗲𝘃𝗲𝗿𝗲𝗶𝗿𝗼, 17:00

– “Gaivota” (Carlos Vilardebó, 1961)

– “Amália canta: ouça lá oh senhor vinho! de Alfredo Janes” (Augusto Cabrita, 1971)

– “O fado” (Maurice Mariaud, 1924)

– “Des portugais” (Jean Leduc, 1970)

𝟭𝟳 𝗱𝗲 𝗺𝗮𝗿ç𝗼, 17:00

– “O mar transporta a cidade” (Augusto Cabrita, 1971)

– “Os caminhos do sol” (Augusto Cabrita e Carlos Vilardebó, 1966)

– “Docas de Lisboa” e “Tráfego e estiva” (Manuel Guimarães, 1967)

𝟭𝟰 𝗱𝗲 𝗮𝗯𝗿𝗶𝗹, 17:00

– “Porto de Lisboa” (Paulo Brito Aranha, 1934)

– “Vidas sem rumo” (Manuel Guimarães, 1958).

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Augusto Cabrita, Amália Rodrigues, “As Ilhas Encantadas”, 1964. (C) Cinemateca Portuguesa

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Sobre o filme “As Ilhas Encantadas”, lemos no site da Cinemateca Portuguesa:

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Este filme luminoso e onírico, estreou a 15 Março 1965, no Teatro Tivoli, e em Paris, no Cinema V.O., a 17 Junho 1966, e é a única longa-metragem de Carlos Villardebó, realizador luso-francês que em 1961 havia ganho a Palma de Ouro do Festival de Cannes com o filme LA PETITE CUILLÈRE.

Interpretado por Amália Rodrigues, num papel distinto do que lhe era reconhecido, e pelo ator francês Pierre Clémenti, então em início de percurso e mais tarde um símbolo da contracultura dos anos 60, o filme adapta AS ILHAS ENCANTADAS (1854, editado em 2000 em português pela Relógio d’Água), de Herman Melville. Na adaptação, colaboraram com o realizador o escritor José Cardoso Pires, a realizadora Jeanne Villardebó e o ensaísta Raymond Bellourd.

Como curiosidade, num pequeno papel de um dos marinheiros, encontra-se Belarmino Fragoso, protagonista do filme homónimo de Fernando Lopes (1964).

Rodado no arquipélago da Madeira, e produzido por António da Cunha Telles, AS ILHAS ENCANTADAS é o relato, na terceira pessoa, de uma aventura marítima oitocentista, narrado pelo ator Pierre Vaneck que interpreta o papel de Manuel Abrantes, o imediato do navio explorador, o “Gazela”, nome dado ao navio Sagres, usado durante a rodagem. Durante a exploração de um arquipélago vulcânico pouco conhecido onde abundam tartarugas gigantes são descobertos dois náufragos: a jovem Hunila (Amália Rodrigues), e um marinheiro francês (Pierre Clémenti), cuja impossibilidade de comunicação, por falarem línguas distintas, sublinha a dimensão platónica desta relação. O seu salvamento significou, porém, a interrupção de uma história de amor improvável.

A fotografia do filme, assinada por Jean Rabier, acompanhado por Augusto Cabrita, na segunda equipa, sublinha a agressividade e solidão da ilha, em tudo contrastantes com a presença de Amália Rodrigues, que se afasta da sua persona pública e de cantora, para criar, quase sem palavras, uma personagem assente numa riqueza visual, gestual e física inéditas.

Foi essa nova Amália, surgida a partir das tensões a que o filme não escapou, que encontrou a objetiva de Augusto Cabrita, que acompanhou os bastidores da rodagem, revelando a excecionalidade deste filme. Em Julho 2023, o FILMar organizou uma exposição a partir das imagens de rodagem, assinadas por Augusto Cabrita, em coprodução com o festival Curtas de Vila do Conde. A exposição será apresentada em Lisboa, a partir de Fevereiro 2024.

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Pode conhecer mais sobre Augusto Cabrita no FF, aqui.

Pode saber mais sobre o filme “As Ilhas Encantadas”, no site da Cinemateca Portuguesa, aqui.

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