10 ANOS DO FASCÍNIO DA FOTOGRAFIA . ALGUMAS NOTAS A PROPÓSITO DE UM BLOGUE
O Fascínio da Fotografia completa 10 anos (04.03.2014 – 2024).
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Há dez anos, a 04 de março de 2014, surgia o blogue Fascínio da Fotografia e a primeira publicação tinha exatamente este título (aqui), uma reflexão sobre o fascínio que a representação e, sobretudo, a fotografia sempre exerceu.
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Há algum tempo que pensava em criar um blogue para partilhar esta minha paixão, particularmente algumas reflexões e estudos meus sobre o médium, bem como as minhas fotografias.
A escolha da plataforma e da imagem pretenderam criar um aspeto de site, mais que de blogue, dando o devido destaque a cada publicação. Assim, no início aparecem as publicações, abaixo, a caixa de pesquisa e os links para os meses e para várias (centenas de) etiquetas.
Neste ano de 2014, houve algumas publicações no mês de março e depois apenas em agosto, alguns escritos, também sobre a história da descoberta da fotografia (aqui e seguintes) e alguns portfólios meus.
O gosto pela fotografia e as exposições que via, levaram-me a abrir o FF às exposições que via. Falei de outras de seguida, a par com algum trabalho meu. A 4 de outubro a primeira publicação sobre exposições: algumas que integravam os Encontros da Imagem desse ano e que se apresentavam em Lisboa (aqui).
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Catálogo dos Encontros da Imagem “Hope & Faith“, 2014
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Com o início de 2015 a regularidade das publicações aumentou, com uma média de 2 publicações semanais: em 2014 foram 27 publicações, em 2015, 98. A divulgação e promoção das exposições representam o maior número de publicações, por vezes ligada a livros ou a portfólios. Sempre que possível, com o intuito de promover os autores, inclui-se uma nota biográfica sobre o autor e a ligação ao seu site ou blogue. Quando várias publicações se referem a um mesmo evento (festival ou outro), o texto institucional do evento é reproduzido na parte final de cada publicação, permitindo a sua leitura numa consulta pontual.
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Entretanto, outra das minhas paixões, os livros, particularmente os livros de fotografia, faziam todo o sentido integrar o FF. Era também o pretexto para olhar para alguns com particular atenção, para escrever sobre eles e, por outro lado, uma forma de divulgar o muito que se vai fazendo em Portugal, em grande parte, edições de autor, naturalmente reduzidas e de divulgação, por força das circunstâncias, mais reduzida: não chegam às prateleiras da maior parte das livrarias nem aos seus sites, ficam regra geral, pela rede de contactos do autor, redes sociais e poucas livrarias, especializadas ou da sua área de residência.
É assim que, a 2 de maio de 2015 fiz a primeira publicação sobre livros de fotografia: “Monsieur Cesariny”, fotografia e texto de Susana Paiva, poema de Maria Krejci, edição de Débout Sur l’Oeuf (DSO), de Coimbra, desse mesmo ano (aqui). O espaço de “Livros” inclui sobretudo fotolivros, mas também catálogos, zines e outras publicações que integram a História da Fotografia Portuguesa e, pontualmente, mundial. São já mais de 450 as publicações sobre livros.
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Susana Paiva, Monsieur Cesariny, 2015
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Trago hoje aqui também a publicação sobre o (e do) Catálogo da exposição: Azevedo – Lemos – Vespeira. 3 Exposições. Casa Jalco, 1952. Tinha-o adquirido na Feira do Livro de Fotografia de Lisboa do ano anterior e de imediato a ideia de publicar sobre ele quando se completaram 65 anos sobre a inauguração da exposição, a 5 de janeiro de 2017 (aqui). Um documento importante, praticamente inacessível, permitindo a ele o acesso a todos e que então teve poucas visualizações…
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Catálogo da exposição: Azevedo – Lemos – Vespeira. 3 Exposições. Casa Jalco, 1952
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Em 2016 e 2017, o número de publicações foi 239 e 225, respetivamente, com cinco publicações semanais, de segunda a sexta-feira, na maior parte do ano, vindo a reduzir-se nos anos seguintes para uma média de 3 publicações mensais, regra geral, às segundas, quartas e sextas.
Entretanto, a necessidade de uma reflexão. A tentação de querer publicar sobre tudo, de uma realidade entusiasmante e interessante, fascinante, alguns nomes estrangeiros que fazem parte da História da Fotografia, cuja obra conhecia… E o pouco tempo disponível e o tempo significativo que uma publicação quer… A conversa com diversos amigos e fotógrafos, particularmente com Valter Vinagre, levou-me a tomar uma decisão: o FF seria um espaço para mostrar a minha fotografia, e a fotografia que se faz em Portugal, por autores nacionais ou estrangeiros, a fotografia feita no estrangeiro por autores nacionais, bem como a fotografia estrangeira que se vê em Portugal. E com particular destaque para os jovens autores e as edições independentes e de autor, que têm, naturalmente uma menor visibilidade.
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Neste espírito, e como um modo de divulgação e, para mim, útil para programar visitas, surgiu a Agenda, sendo a primeira publicada em 11 de Maio de 2016, mensal até agosto, sendo publicada em 1 de setembro, quadrimestral e a partir de janeiro de 2017, trimestral, no primeiro dia útil de cada trimestre. Até à publicação de nova agenda, a agenda em vigor é atualizada permanentemente, integrando-se as exposições por data de inauguração (ou abertura ao público), em cada data, primeiro as em Lisboa, depois no Porto, de seguida por ordem alfabética de localidade e, por fim, as fora do país. Tomei esta opção em virtude do maior número de exposições nestas duas cidades.
O desafio dos grandes festivais, no que se refere à Agenda, levou-me a optar por publicação própria para a Agenda dos Festivais que têm uma programação (de exposições e eventos) relativamente extensa. O primeiro foi os Encontros da Imagem de 2017.
Em Abril de 2018 surgiu a primeira publicação da Agenda de Convocatórias e Eventos – convocatórias ou open-calls e sobretudo, os eventos: conversas, apresentações, lançamentos, congressos… O seu número significativo e um pouco por todo o país justifica-o plenamente. As primeiras estão ordenadas pelo fim do prazo, os eventos pela data e hora.
Não está tudo, mas está o que vou sabendo – seja de autores consagrados ou jovens, fotografia ‘de autor’ ou documental – com atualização constante, que, dependendo da disponibilidade, é, no geral, pelo menos uma vez por semana.
As Agendas, mostram o muito que se faz por cá, e que tantas vezes, sabemos de tão pouco.
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Aos poucos, o espaço foi sendo tomado cada vez mais pelas exposições e publicações, livros, assim como por trabalho autoral, na maior parte dos casos só possível graças à colaboração dos autores: surgiu o separador “portfólio”, para portfólios, integrados ou não em publicações sobre exposições ou livros. O primeiro, publicado em 8 de fevereiro de 2017, é de Ricardo Pereira, “P 3LIX A37”, 2107, a propósito da exposição “Fotografia X’16”, dos finalistas da Licenciatura em Fotografia e Cultura Visual, 2015-2016 do IADE Universidade Europeia, aqui. O Ricardo mobilizou a quase totalidade dos colegas que participaram na exposição e o FF publicou nos dias seguintes o portfólio de cada um. Hoje os portfólios publicados são já mais de 320, na maior parte, graças à colaboração dos respetivos autores.
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Ricardo Pereira, “P 3LIX A37”, 2016
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Com a pandemia do COVID-19, o FF fez uma open call à partilha de projetos sobre a pandemia, tendo recebido dezena e meia de portfólios, o primeiro dos quais, de Flávio Andrade, “Ensaio sobre o isolamento”, 2020 (aqui), o início de uma série que veio dar origem ao magnífico livro “Isolation” (aqui). Responderam também mais de doze autores, pode ver nos meses de abril, maio e junho (são algumas das publicações, os portfólios).
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Flávio Andrade, Isolation, 2021
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Também neste período e com o pretexto do ‘estar em casa’, o FF fez algumas publicações com links para filmes, documentários e entrevistas com fotógrafos ou sobre fotografia, o que nem sempre é fácil de localizar (aqui).
Além de muitos portfólios recebidos, recordo a colaboração especial de José Soudo, que escreveu sobre Carlos Relvas, “Lisboa está de novo em festa – 136 anos depois”, publicada em duas partes (aqui e aqui), inserido num conjunto de publicações assinalando “dos 180 anos do nascimento aos 125 da morte de Carlos Relvas” (entre 13.11.2018 a 23.01.2019), efeméride apenas assinalada pelo FF (aqui).
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Auto-Retrato de Carlos Relvas – c. 1870
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Gostaria que o FF não tivesse um custo financeiro direto para o autor, permitindo a sua visibilidade não estar dependente de um pagamento, sendo encerrado se esse pagamento falhar, mas em final de 2022 o espaço disponível gratuito de 3Gb estava praticamente esgotado. A WordPress (plataforma em que funciona) passara de 3 GB para 1Gb gratuito nos novos blogues, pelo que optei por assinar um plano, com vista ao aumento da capacidade, criando também um domínio próprio, permitindo uma maior facilidade de ligações num mesmo FF, em vez de criar além do FF, o FF2, e por aí fora.
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Ao longo destes dez anos, e até esta data, o FF reúne 1.619 publicações, sendo 66 de escritos (não incluindo as que se referem a textos de exposições), 459 sobre livros e publicações, 324 portfólios, 862 sobre fotógrafos e exposições e 94 agendas, além de 300 sobre o meu trabalho (ver os separadores na parte superior do ecrã, algumas publicações estão naturalmente em mais de um separador).
Por princípio e até agora, não há publicações removidas, pois uma das caraterísticas da fotografia, enquanto imagem, é a sua perenidade. É a história que conta, o corpo de obra de um autor que constitui, o testemunho de um tempo ou de uma realidade.
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Nestes dez anos, o FF tem mais de 416.000 visualizações de mais de 232.000 visitantes (1870 visualizações no primeiro ano, 5.856 no segundo, 22.845 em 2016, quase 27.000 em 2017, mais de 40.000 e de 41.000 em 2018 e 2019, mais de 64.000, 66.600 e 71.600 nos anos seguintes, em 2023, quase 61.800 e no corrente ano são quase 12.900).
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Estatísticas de visualizações do FF, 03.2014 – 03.2024
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Em muitos dias, há publicações mais antigas que têm um número significativo de visualizações, a propósito de um aniversário, evento ou exposição, como nestes últimos dias, as publicações sobre “As Mulheres do Meu País” (aqui) e Maria Lamas (aqui), esta uma colaboração muito especial do neto, José Gabriel Pereira Bastos, devido à exposição “As Mulheres de Maria Lamas” (em breve), comissariada por Jorge Calado e patente na Fundação Gulbenkian, em Lisboa.
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Maria Lamas, 1929
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A publicação com maior número de visualizações, para grande surpresa minha, foi sobre os “Painéis de São Vicente, de Nuno Gonçalves, c.1470 (MNAA) e do 11.º L da Escola Secundária de Cacilhas-Tejo, 2016”, publicado em 26.05.2016 (aqui). Tinha lido sobre a fotografia premiada no concurso “A Minha Escola Adota um Museu, um Palácio, um Monumento”, promovido pela Direção-Geral da Educação e pela Direção-Geral do Património Cultural. O trabalho e a criatividade interessantíssimos, quis valorizar, pesquisei sobre o projeto, a entrega do prémio… A publicação teve cerca de 7.800 visualizações no prazo de um mês e mais de 9.000 até hoje.
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Painéis de São Vicente, Turma 11.º L da Escola Secundária de Cacilhas-Tejo, 2016
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Procuro partilhar o que vejo, o que gosto, também o meu trabalho (ultimamente pouco…). Dar mais espaço aos autores, procurando publicar, regra geral um autor por publicação em detrimento de vários, mesmo no caso de exposições coletivas, quando os trabalhos se afiguram independentes. Por vezes o tempo é pouco ou a oferta é grande e alguns ficam por publicar. Ou ocorre algum imprevisto, como em setembro de 2019, quando um descolamento de retina me deixou cerca de mês e meio afastado dos ecrãs, ou neste mês de fevereiro, em que o meu computador avariou e diversas publicações que estavam prontas a inserir no FF, mas ainda não inseridas, para serem posteriormente agendadas, ficaram adiadas. Valeu numa e noutra ocasião, algumas publicações já inseridas, que foram sendo publicadas, não impedindo a continuidade do blogue.
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António Bracons, da série “Sobre o Silêncio”
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Hoje trouxe aqui algumas referências das muitas que poderia trazer e dos muitos fotógrafos que conheci, através deste FF. Um muito obrigado a cada um que, com a sua generosidade e simpatia, permitiram que o FF seja o que é. E também aos atuais 213 subscritores e tantos outros leitores, para quem, num momento ou noutro, mais regularmente ou mais pontualmente o FF é um espaço para conhecer (melhor) a fotografia, sobretudo a portuguesa.
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Sobre o futuro…
O fascínio pela fotografia mantém-se vivo. O FF é este espaço de partilha e de encontro. Com fotógrafos, fotografias, livros, exposições, reflexões…
Só é possível com a colaboração de todos.
O FF continua aberto a acolher projetos fotográficos pessoais, bem como a sugestões de colaboração. Para tal basta contactar o autor através do separador “Contactos”.
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Parabéns pelo projecto! Venham +10.
Obrigado!