LARA JACINTO,CHEGADA
A série integra a exposição “O Cerco de Lisboa”, no Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico, de 4 de dezembro de 2023 a 2 de março de 2024.
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A exposição “O Cerco de Lisboa” integra sete projetos de outros tantos autores. Pela sua qualidade e diferença, optei por apresentar cada um dos projetos numa publicação, dando assim um diferente destaque a cada série, relativamente a uma publicação única sobre a exposição, ainda que venham a ser publicadas após o encerramento da exposição (uma avaria no computador impediu-me a sua utilização durante quase todo este mês).
Seguirei nestas publicações a sequência das mesmas em sala.
Cada autor escolheu uma cor diferente para a parede que acolhe a sua obra. Lara Jacinto escolheu um azul intenso.
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Sobre “Chegada”, escreve Lara Jacinto:
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Nos anos 80, a aproximação à cidade de Lisboa, feita a partir do banco de trás do Citroën 2CV do meu pai, revelava uma realidade impressionante: encostas onde as barracas e o lixo se acumulavam – como a neve no topo de uma montanha. Estas imagens vivem na minha memória com uma nitidez que não desvanece, apesar de todas as outras que se foram fixando ao longo do tempo.
Talvez por isto, olho para a cidade a partir das bordas, das mesmas encostas – de fora para dentro – atraída também pelo facto de, ali, o futuro ser uma promessa por cumprir. Através desta viagem vemos, na complexidade do caminho, a estratificação social, a falência de políticas sociais, de emprego, de habitação, de integração.
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Lara Jacinto, Chegada, 2023
Impressão giclée sobre papel Hahnemuhle Fine Art Baryta Satin
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2024
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A série de Lara Jacinto, “Chegada”, integra a exposição “O Cerco de Lisboa”, “um projeto coletivo da autoria de Augusto Brázio, Lara Jacinto, Mag Rodrigues, Paulo Catrica, Pedro Letria, São Trindade e Valter Vinagre, com comissariado de Alejandro Castellote e direção de Nuno Aníbal Figueiredo / Número – Arte e Cultura”, patente no Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico, na R. da Palma, 246, de 4 de dezembro de 2023 a 2 de março de 2024.
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Estão agendadas visitas guiadas, às 15:00: 06.01 – Augusto Brázio, Mag Rodrigues, Paulo Catrica, Pedro Letria e São Trindade / 12.01 – Paulo Catrica / 16.01 – São Trindade / 26.01 – Valter Vinagre / 03.02 – Visita conjunta com os fotógrafos / 09.02 – Lara Jacinto e Valter Vinagre / 23.02 – Augusto Brázio e Pedro Letria / 24.02 – Mag Rodrigues / 02.03 – Visita conjunta com os fotógrafos.
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Em 1999, o Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico apresentou a exposição “Lisboa Anos 90”, que fez um registo da cidade nessa década. Em 2019, um grupo de fotógrafos, alguns dos quais integraram esse projeto, pensou em ver a cidade vinte anos depois. É a exposição que agora se apresenta, comissariada por Alejandro Castellote, que escreve:
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O Cerco de Lisboa
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O Cerco de Lisboa é um ensaio documental coletivo sobre Lisboa, que se situa metaforicamente no antigo perímetro amuralhado da cidade, para abordar a representação da sua periferia social e urbana. Sete fotógrafas e fotógrafos portugueses oferecem um panorama voluntariamente fragmentado, que se junta aos projetos anteriormente realizados para o Arquivo Municipal de Lisboa | Fotográfico.
O Cerco de Lisboa inclui imagens dissonantes que reveem criticamente as iconografias da colonialidade ou a memória urbana de alguns bairros, aqueles que nasceram nas imediações de pequenas indústrias, criando um microcosmos social e iconográfico onde as fábricas coexistiam com negócios subsidiários e casas de trabalhadores.
O Cerco de Lisboa apresenta projetos que prestam atenção àqueles que habitam os lugares que a evolução da economia abandonou. Territórios nos quais se formou um mosaico híbrido de alteridade e precariedade. Nestes espaços subalternos, convivem migrantes das ex-colónias com os despejados pelo mercado de trabalho.
A exposição, inteiramente realizada para o Arquivo Municipal de Lisboa Fotográfico, pretende dar protagonismo aos subordinados, tanto a nível identitário como social, através de imagens empáticas para com aqueles considerados diferentes: as pessoas albinas, por exemplo, ou os jovens que engendram sistemas alternativos de subsistência urbana, um modelo de resistência que tem equivalentes em muitas cidades do mundo.
O projeto adota ainda uma visão marcadamente subjetiva da Lisboa que os forasteiros vislumbram antes de entrarem no centro da cidade. Um olhar que é complementado por imagens ambíguas que procuram a estranheza em cenários quotidianos.
A exposição inclui também um vídeo realizado num armazém abandonado, ocupado por pessoas sem-abrigo. Numa outra sala, são apresentadas entrevistas aos autores de O Cerco de Lisboa sobre o seu trabalho.
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Lara Jacinto (n.1982, Leiria) vive e trabalha no Porto. Trabalha como fotógrafa independente focada em projectos documentais. O seu trabalho aborda temas contemporâneos centrados em questões sociais, territoriais e emigração. Trabalha regularmente em encomendas para instituições públicas e privadas. O seu trabalho é exibido e publicado regularmente.
É co-fundadora da COLECTIVO, uma plataforma de pesquisa dedicada ao documentário, onde nos últimos 5 anos tem trabalhado no projecto de fotografia documental Thin Line, que procura refletir sobre o significado da Europa de hoje, a partir dos territórios de fronteira europeus, pondo em evidência os desafios de habitar um espaço único.
Leciona na ESMAD, Instituto Politécnico do Porto e Instituto de Produção Cultural e Imagem.
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Pode conhecer melhor o trabalho de Lara Jacinto no FF, aqui e no seu site, aqui.
As outras séries de “O Cerco de Lisboa”, no FF: Augusto Brázio, aqui, Mag Rodrigues, aqui, Paulo Catrica, aqui, Pedro Letria, aqui, São Trindade, aqui e Valter Vinagre, aqui. (em breve)
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