ANA BRÍGIDA, NA TERRA, INLAND, 2022

A exposição integra a MFA – Mostra de Fotografia de Arroios, patente em Lisboa, no Quartel do Largo do Cabeço de Bola, em Arroios, de 30 de agosto a 17 de setembro de 2023.

Posteriormente integra a MFA – Mostra de Fotografia de Faro, na Antiga Fábrica de Cerveja de Faro, de 21 de outubro a 25 de novembro de 2023.

.

.

.

Ana Brígida

Na terra / Inland

Fotografia: Ana Brígida

Porto: Kiosk Zine / 2022

Kiosk Zine n.º 5.0

Português, ingês / 14,9 x 21,0 cm / 40 pp.

Agrafado / 150 exemplares, dos quais 30 com uma fotografia

.

.

.

.

Escreve a autora:

.

Esta é uma história de amor entre o homem, a natureza e os animais. Desde há muito que o interior se despovoa, seja pela falta de interesse na continuação do trabalho no campo, seja pela utopia das cidades de uma vida mais cheia e rica. O êxodo para as metrópoles deixou aldeias ao abandono, casas em ruínas, terras tomadas pela natureza e à mercê dos incêndios.

Mas a vivência desligada da terra, a massificação urbana e uma sociedade virada para o consumo e para a tecnologia trouxeram também o interesse de muitos em voltar para a calma do interior. Procuram a vida perdida de gerações anteriores e dão-lhe uma nova energia e significado. Vêm com o sonho de viver mais perto da natureza, tratar dela. Viver de uma forma mais sustentável e onde o círculo de utilização é completo. Usar o que a terra dá, para comer, construir, curar e meditar.

Na Serra do Açor, estima-se que vivam já mais de mil novos habitantes nos concelhos da região. A maior parte estrangeiros mas também alguns portugueses que voltam a dar vida às terras. Na zona da Benfeita, há agora 35 crianças que devolveram à aldeia a vida e energia que há muito dali andavam arredadas.

Lutam a favor das espécies autóctones da floresta e contra do eucalipto, reconstruíram as casas devoradas pelas chamas em outubro de 2017, reergueram a comunidade. A maior parte dedica-se à permacultura e alguns recebem voluntários que se interessam por aprender. Muitos acabam até por comprar terreno e começam uma nova vida. Uma vivência onde há tempo para plantar, trabalhar, descansar e, principalmente, para as relações humanas.

Aprendem os velhos costumes, as técnicas de xisto e dão-lhes uma nova vida. Misturam a arquitetura do passado com madeiras vindas dos fogos e juntam-lhe o que a natureza tem. Há quem tenha cabras e ovelhas. Todas têm nome.

Criaram uma nova economia, uma moeda própria – a estrela -, dois mercados de produtos artesanais, uma escola, uma associação criativa e uma loja de roupa em segunda mão entre muitas outras coisas. Juntam-se para os interesses comuns, mas vivem de forma autónoma, cada família com o seu próprio projeto.

A vida nem sempre é fácil, o trabalho na montanha é por vezes árduo, mas a vontade é maior do que a dificuldade. Unem-se para o bem comum e em torno da natureza.

.

.

.

Ana Brígida, Na Terra, Inland, 2022

.

.

António Bracons, Aspetos da exposição, 2023

.

.

.

A exposição de Ana Brígida, “Na Terra”, integra a MFA – Mostra de Fotografia de Arroios, patente em Lisboa, no Largo Residências, no Quartel do Largo do Cabeço de Bola, em Arroios, de 30 de agosto a 17 de setembro de 2023 (prolongada de 15 a 17/9).

.

.

É apresentada na MFA – Mostra de Fotografia de Faro, que terá lugar no edifício da Antiga Fábrica de Cerveja, entre 21 de outubro e 25 de novembro de 2023.

.

.

Laura a procurar o melhor ângulo de luz para cozinhar no seu forno solar. Mudou-se para a Esmigada de Inglaterra onde criou o projecto Awaken Forest Project, onde pretende revitalizar uma área de monocultura de pinheiros e eucaliptos abandonada. Laura looks for the best angle to cook in her solar oven. Laura moved to the interior of Portugal where she founded the Awaken Forest Project, a non profit organization that aims to revive an area of mostly abandoned pine and eucalyptus monoculture in Serra do Açor. Benfeita, Portugal 2018

Ana Brígida, Na Terra

.

.

.

ANA BRÍGIDA, Lisboa, 1986.

A sua paixão por contar histórias através de um conceito visual levou-a a concluir, em 2005, os estudos em fotografia no IPF, Lisboa. Em 2009, mudou-se para a China, onde realizou um mestrado em Fotografia Documental no Dalian Image Art Institute. Entre 2012 e 2013, em Nova Iorque, estagiou na Magnum e trabalhou no Bronx Documentary Center, onde apresentou a sua primeira exposição “How the Other Half Still Leaves”. Actualmente, trabalha como freelancer em Lisboa, tendo ganho os prémios de Assuntos Contemporâneos e Natureza do Prémio Estação Imagem 2017. Nesse mesmo ano, recebeu o primeiro prémio no concurso de fotografia da UNESCO sobre direitos humanos e integração. Em 2019, foi agraciada com a Bolsa Estação Imagem | Coimbra, tendo desenvolvido, ao longo de 2019 e 2020, o projecto “Na Terra”, atualmente em exposição. Grande parte do seu trabalho como fotojornalista tem sido publicado em órgãos como Expresso, Público, The New York Times, The Washington Post, Le Monde, Stern Magazine, Geo Magazine e Helsingin Sanomat.

.

.

.

.

Sobre a Mostra de Fotografia de Arroios refere a organização:

.

A fotografia é uma arma contra o conformismo. A fotografia é subversiva e põe-nos a pensar muito além da imagem estática. No centro de Lisboa, na primeira quinzena de setembro, a sigla MFA regressa a um quartel da GNR, no Largo Cabeço de Bola. A Mostra de Fotografia de Arroios – MFA conta com a participação de fotógrafos documentais e fotojornalistas, nacionais e internacionais, que exibem os seus trabalhos em três exposições colectivas e seis exposições individuais, mas também numa série de eventos paralelos, resultado de uma organização conjunta das associações CC11 e Largo Residências.

Estas atividades são apresentadas em parceria com entidades que têm contribuído para o reconhecimento do melhor que se faz nas áreas da fotografia e do vídeo-documentário em Portugal: Galeria Santa Maria Maior, Atelier Pop-Up, Imago Photo Festival, Kyoskzine, Narrativa, XYZ Books e Midas Filmes. Todas as atividades são gratuitas e abertas ao público.

A MOSTRA DE FOTOGRAFIA DE ARROIOS – MFA é um evento cultural, que vai acontecer em Lisboa durante a primeira quinzena de Setembro. Organizada pela Associação CC11 em parceria com o Largo Residências, a Mostra conta com a participação de fotógrafos documentais e fotojornalistas, nacionais e internacionais, que exibem os seus trabalhos numa grande exposição fotográfica colectiva, em vários espaços do antigo quartel da GNR no Largo do Cabeço de Bola, na Freguesia Arroios.

Esta exposição pretende trazer uma reflexão sobre a importância da CASA como um espaço físico, mas também sobre as condições sociais que permitem ou negam o acesso a esse espaço tão fundamental. Além da exposição colectiva, são também apresentadas oito exposições individuais, numa ocupação da MFA de espaços interiores e exteriores do quartel.

A MFA tem uma programação especial para as quintas e sextas-feiras, bem como para os fins de semana: visitas comentadas pelos autores e curadores às exposições, projeção de documentários e slideshows, apresentação de fotolivros e revistas, conversas e debates de temas da actualidade com repórteres fotográficos e jornalistas, além de oficinas em várias áreas da fotografia. Outro destaque da MFA aos fins de semana é o Minimercado de Autor, com livros e fotografias. Todas as actividades são gratuitas e abertas ao público.

Estas atividades são apresentadas em parceria com entidades que têm contribuído para o reconhecimento do melhor que se faz nas áreas da fotografia e do vídeo-documentário em Portugal: Galeria Santa Maria Maior, Atelier Pop-Up, Imago Photo Festival, Kyoskzine, Narrativa, XYZ Books e Midas Filmes. Todas as atividades são gratuitas e abertas ao público.

.

.

.

Pode ver a Agenda completa da MFA – Mostra de Fotografia de Arroios, no FF, aqui; a Agenda completa da MFA – Mostra de Fotografia de Faro, aqui; outras publicações sobre a Mostra de Fotografia de Arroios, no FF, aqui.

.

Cortesia: MFA – Mostra de Fotografia de Arroios.

O Fascínio da Fotografia é blogue parceiro da Mostra de Fotografia de Arroios e da Mostra de Fotografia de Faro.

.

.

.