CLÁUDIA FREITAS, INVENTAR O VAZIO, 2022

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Cláudia Freitas

Inventar o vazio. Inventing the void

Fotografia: Cláudia Freitas / Texto: Cláudia Freitas, Mia Couto (prefácio)

Setúbal: No Frame / 2022

Português e inglês / 15,5 × 20,5 cm / 120 pp., não numeradas

Cartonado

ISBN: 9789895428755 

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Cláudia Freitas, em tempos de confinamento na sequência do COVID-19, trabalhou sobre algumas das suas fotografias de Moçambique, provas de 10×15 cm. Com a ajuda de um x-ato, recortou as imagens das pessoas das suas imagens, deixando apenas a paisagem. A paisagem de um país que lhe é querido. Aquela mancha branca, da base do papel fotográfico, retirada a cor da emulsão, é, assim o espaço não de aquela, mas de qualquer pessoa: qualquer uma poderia ocupar aquele lugar, torná-lo seu, torná-lo sua vivência.

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Escreve Cláudia Freitas:

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Ao revisitar o meu arquivo fotográfico, durante o período de confinamento, deambulei por terras Moçambicanas, dei por mim a pensar numa frase que ouvia muitas vezes – Nós temos o tempo, eles têm o relógio. Há dois mundos muito distantes: o que depende do relógio e o que vive o tempo, o que discute temas sofisticados como a inteligência artificial, robótica, máquinas que aprendem e substituem os humanos em atividades rotineiras e, o que preenche o dia com tarefas simples como transportar água, carregar lenha, lavar roupa ou pescar no rio, vender na rua, brincar e conviver. Uns, ditos ricos e com qualidade de vida, outros pobres e vulneráveis, uns são importantes, os outros são esquecidos. 

Este trabalho evoca aqueles que fazem parte do mundo sem relógio. Parti de um conjunto de fotografias que sinalizam cenas quotidianas de pequenas vidas em que o tempo desacelera e os dias se fundem, ritmos bem distantes dos padrões frenéticos das sociedades ditas do primeiro mundo. Intervim sobre as imagens, esvaziei a aparência de identidade das personagens, evidencio assim a presença, a vida, a dissemelhança.

Entre a ficção e a realidade, o aparecimento e o desaparecimento, num jogo criativo que contorna a linguagem formal da fotografia, procuro incitar a participação do espetador na reflexão sobre o que vemos, como vemos e como isso pode moldar a nossa compreensão e atuação sobre o mundo. Apagar o relógio traz o tempo de volta?

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Cláudia Freitas, Inventar o vazio, 2022

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Cláudia Freitas (Setúbal, 1967) reside atualmente em Setúbal onde desenvolve a sua prática artística. O seu interesse enquanto artista centra-se na reflexão sobre o que vemos, como vemos e como isso pode moldar nossa compreensão do mundo.
A fotografia é o meio que utiliza como ponto de partida para criação dos seus projetos pessoais onde procura descobrir e compreender os lugares, as pessoas e a sua relação com a vida contemporânea. Embora a fotografia seja o meio mais utilizado, ultimamente tem vindo a explorar processos mais experimentais que fundem a fotografia com outras técnicas ou práticas artísticas como desenho, colagem, recorte ou a sobreposição de imagens.
Estudou fotografia no Instituto Português de Fotografia em Lisboa (2010-2012), concluiu a pós-graduação em curadoria da arte na FCSH da Universidade Nova de Lisboa (2019).
O seu trabalho tem sido mostrado e divulgado em exposições, na internet e na publicação de edições de autor.

Exposições:

2021 ”Corpos que vivem outro tempo” – Fundação Fernando Leite Couto, Maputo, Moçambique

2020 “Shinkasen” – Lapso Galeria, Setúbal, Portugal

2013 “Carrasqueira” – Champanheria in Setúbal, Portugal

2012 “ Carrasqueira” – Clube Ferroviário, Lisboa, Portugal

Publicações:

2020 – Shinkasen, edição de autor

2018 – Maputo, publicado por Photo Experience

2016 – Setúbal, publicado por Photo Experience

2017 – O tempo passou aqui, publicado por Photo Experience

2017 – Palafitas, publicado Photo Experience

Formação:

2020 – Estética – SNB, Sociedade Nacional Belas Artes,

2020 – B&W Street Portraiture Workshop, with Arteh Odjidja – Leica Akademie London, UK

2019 – Curadoria da Arte – FCSH, Universidade Nova Lisboa, PT

2016 – Construção de um Livro de Fotografia – António Júlio Duarte, Atelier de Lisboa,

2012 – Fotografia – IPS, Instituto Português de Fotografia, PT

2001 – Master in Logistic – IST, Instituto Superior Técnico, PT

1992 – Degree in Applied Mathematics – FCUL, Universidade Lisboa, PT

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Pode conhecer melhor a obra da autora, aqui (Lapso Galeria) e aqui (site).

Cortesia da autora.

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