AUGUSTO BRÁZIO, VISÍVEL CORPO
Exposição na Galeria das Salgadeiras, em Lisboa, de 4 de março até 7 de junho de 2023.
.
.
.
Dentro do grande túnel digo-te a vida
esta nuvem que vai para o centro da cidade leve e rosada
como a proa de um barco
bateira que me trás os dados e a roleta onde no branco
ou no preto devo jogar
jogando-me contigo
bem-me-quer
malmequer
ou muito ou pouco
ou nada
o que só com as mãos pode ser soletrado
só nos teus olhos nos teus olhos escrito
.
Mário Cesariny
«Corpo visível», Assírio & Alvim, 2010 (excerto)
.
.
Ana Matos escreve sobre a exposição:
.
Composta por um conjunto de obras inéditas «Visível corpo» parte do repositório que Augusto Brázio tem vindo a construir desde 2012 e a que deu o nome de «BANG!» onde vai acumulando fragmentos soltos, livres de narrativas que só a jusante vêm a ser construídas como reflexo do seu constante deamblular pela realidade, ou melhor, pelas realidades às quais vai ao encontro. Fotografar para Augusto Brázio é uma forma de ir a esse encontro à descoberta do Outro seja nos retratos, nas “viagens na minha terra”, nas suas incursões pelo território, naquela, como o próprio refere, “periferia que habito e que mapeio, com insistência, por obrigação”.
«Dentro do grande túnel digo-te a vida», palavras de Mário Cesariny que parecem ressoar neste «Visível corpo» de Augusto Brázio. Num registo a preto e branco, num cru poético, misterioso, repleto de contradições, onde o implícito e o explícito se cruzam e entrecruzam, constroem-se histórias de pessoas, de lugares, numa tensão paradoxal, ora revelando ora escondendo o desenlace do que ali se crê contar. Iluminando fragmentos da realidade, Augusta Brázio torna esses detalhes o “assunto” da sua imagem, numa cartografia do seu imaginário repleto de mistério, de sedução, onde a composição se abstratiza e nos leva à descoberta dos vários Eus (os seus) e Outros (os nossos). Esta é a que Augusto Brázio nos quer dizer.
.
Lisboa, Fevereiro de 2023
.
.
.
Augusto Brázio, Visível Corpo
.
.
.
A exposição de Augusto Brázio, “Visível Corpo”, está patente na Galeria das Salgadeiras, na R. da Atalaia, em Lisboa, de 4 de março a 7 de junho de 2023.
.
.
António Bracons, Aspetos da exposição, 2023
.
.
.
Augusto Brázio. Brinches, Serpa, 1964.
Estudou na Escola Superior de Belas Artes, Lisboa. Fotógrafo com um longo e consolidado percurso na área da fotografia desde os anos 90 do séc. XX, tendo mais de 10 livros publicados. Ganhou o primeiro prémio Fotojornalismo Visão / BES em 2008, foi membro do Colectivo Kameraphoto e um dos 13 fotógrafos portugueses escolhidos para o programa Entre Imagens da RTP. Colabora regularmente com diversas publicações em Portugal e no estrangeiro e conta com exposições em Lisboa, Porto, Paris, Bruxelas, entre muitas outras cidades.
Nos últimos anos, focou-se em projectos pessoais, onde reflecte sobre questões de imigração, pertença e ocupação do território. Está representado nas colecções: Colecção do Estado / Ministério da Cultura, Colecção de Fotografia do Novo Banco, Fundação EDP, Centro de Artes Visuais Coimbra, Fundação PLMJ, Coleção Norlinda e José Lima, Encontros de Imagem de Braga, Centro de Artes de Sines, Câmara Municipal de Alcanena, The never-ending collection, Espanha.
É representando pela Galeria das Salgadeiras.
.
.
.
Pode conhecer mais no FF sobre a obra de Augusto Brázio, aqui e sobre a Galeria das Salgadeiras, aqui.
Pode saber mais nos respetivos sites, sobre Augusto Brázio, aqui e sobre a Galeria das Salgadeiras, aqui.
.
.
.











