RUI MIGUEL PEDROSA, CHOCALHADAS

Exposição simultânea de “Chocalhadas” de Rui Miguel Pedrosa e “Confins” de Enric Vives-Rubio, patente na Galeria de Santa Maria Maior, em Lisboa, de 11 de maio a 3 de junho de 2023.

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Escreve o autor:

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Seres misteriosos que fazem nascer um sentimento de curiosidade envolta em bruma e receio. Por um lado, um movimento frenético de cor e som (através dos chocalhos que transportam), mas com rostos diabólicos. Intimidantes. Assustadores. Todos os anos, desde épocas que se perderam no tempo, os Caretos saem à rua nas festividades carnavalescas. A sua origem, conta-se, remonta a uma sociedade secreta que, sob o anonimato assegurado pelo disfarce, gozava de uma liberdade sem paralelo, com o poder de castigar, destruir, mas também de provocar, acariciar, exaltar os sentidos.

Um mergulho na raiz profana e carnal.

Acredita-se que os atos errantes dos Caretos seriam uma maneira de expurgar o mal e purificar a comunidade.

O verdadeiro motivo que move o Careto é apanhar raparigas solteiras para as ‘chocalhar’ (movimento simbolizando o acasalamento). Neste ritual, os trajes são passados de pai para filho, e restaurados, para que a sua utilização possa perpetuar-se no tempo.

E se antigamente eram apenas os rapazes solteiros que se vestiam de Caretos para ‘chocalhar’ as moças solteiras, nos dias de hoje, esta é uma tradição que estende para além da idade. E até para além do género. A contribuição feminina tornou-se importante para a continuidade da tradição.

Ao mesmo tempo, é um reflexo da contemporaneidade, quando a mulher passa a assumir papéis, antes, exclusivamente designados aos homens. E certo que para os mais puristas, esta mudança é encarada como um desvirtuamento do papel, mas na verdade a sua participação acompanha a crescente importância que a Mulher tem vindo a alcançar na sociedade ocidental.

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Rui Miguel Pedrosa, Chocalhadas

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António Bracons, Aspetos da exposição, 05.2023

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A exposição “Chocalhadas” de Rui Miguel Pedrosa apresenta-se conjuntamente com “Confins” de Enric Vives-Rubio, numa organização da Associação CC11, na Galeria de Santa Maria Maior, na Rua da Madalena, 147, em Lisboa, de 11 de maio a 3 de junho de 2023.

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A Associação CC11 regista:

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As duas primeiras exposições individuais em Portugal dos fotojornalistas Enric Vives-Rubio e Rui Miguel Pedrosa chegam agora ao público através de uma parceria entre a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior e a associação cultural CC11.

Os projetos mostram o olhar de cada um dos fotojornalistas que querem, através das suas lentes, levar o público a sentir os limites da solidão em tempos da pandemia e a arte ancestral mitológica do Portugal profundo.

Duas exposições aparentemente dissonantes mas complementares. Por um lado, percebemos o olhar introspetivo de Enric Vives-Rubio, que nos transporta para o passado recente do confinamento, um tempo de incertezas e receios. O seu trabalho confronta-nos com as barreiras invisíveis mas também físicas, que têm como símbolo maior a máscara que nos protegeu mas também nos separou do Outro. Sem estarem visíveis, as máscaras da pandemia estão presentes nas imagens. Com Rui Miguel Pedrosa, as máscaras são uma constante nas imagens mas aqui o olhar é outro: uma atmosfera festiva, cheia de movimento e animação que nos desvenda as figuras por detrás das máscaras, património imaterial da humanidade, que rompem com tradições seculares e patriarcais e revelam que mulheres também conquistaram o seu direito a vestir o espírito do Carnaval de Podence.

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RUI MIGUEL PEDROSA, natural de Leiria, cidade onde nasceu em 1984. Fotógrafo independente desde 2008, publicou nos mais destacados jornais e revistas nacionais e internacionais.

Autor do projecto “Um Estranho por Dia”; editor e curador do projecto “everydaycovid – diários fotográficos em estado de emergência”; responsável oficial pelo registo documental/fotográfico do Centenário das Aparições no Santuário de Fátima. Direcção de fotografia do documentário “isolaramente”, seis vezes premiado em festivais nacionais e internacionais. Publicou o seu trabalho em vários livros de fotografia, entre os quais destaca “everydaycovid – diários fotográficos em estado de emergência” (2020); “O Temo nas Nossas Mãos” (2020); “Viagens da Nossa Pedra: mil e uma histórias sobre a Pedra Portuguesa” (2019); “Pedra Portuguesa no Mundo” (2016). Participou em diversas exposições colectivas, das quais destaca “Os Fotógrafos”, inserida nas celebrações dos 20 anos do Hard Club, no Porto; “Diários de uma pandemia”, no espaço CC11, em Lisboa; “everydaycovid – Diários fotográficos em estado de emergência”. no Funchal, Madeira. Em setembro de 2022 apresenta a sua primeira exposição individual, “Chocalhadas”, no mlilmo – Museu da Imagem em Movimento, em Leiria; também apresentada em fevereiro de 2023 na Casa do Careto, em Podence, que contou com a inauguração pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

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A exposição “Confins” de Enric Vives-Rubio no FF, aqui.

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