FERNANDO CURADO MATOS, THE HELL IS EMPTY… ALL DEVILS ARE HERE, 2022

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Fernando Curado Matos

The hell is empty… All Devils are here

Fotografia: Fernando Curado Matos / Texto: Duarte Carreira, André Amorim

Lisboa: Lisboa Devils, Futebol Americano / Dez . 2022

Português / 30,8 x 20,7 cm / 168 pp.

Capa dura / 100 ex.

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Fernando Curado Matos é um apaixonado pelo desporto e que fotografa diversas modalidades. Há cerca de dez anos que acompanha os Devils, equipa de futebol americano de lisboa, fotografando os jogos, seja com equipas nacionais ou estrangeiras. Este livro mostra um pouco dessa história, em capítulos por triénios ou biénios, de 2014 a 2022.

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O livro integra dois textos: o primeiro, de Duarte Carreira, um dos fundadores, regista o nascimento e o espírito da equipa:

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O Começo

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Sentados a uma mesa estavam amigos, colegas de equipa, mas, acima de tudo, gente que gosta de Futebol Americano. Os Lisboa Devils nasceram assim em 2013. Tive o orgulho de os fundar tendo ao meu lado amigos e como princípio-base algo muito simples: que os futuros jogadores e treinadores do clube só tivessem de se preocupar com o que se passava dentro do campo, pois fora dele tanto eu como a Direção cá estaríamos para fazer o nosso trabalho.  

E, olhando para trás, a dificuldade de arrancar com aquilo que para nós tinha de ser um projeto sustentável, duradouro e vencedor teve precisamente como maior entrave a falta de capacidade financeira, de equipamento e instalações. 

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Tudo razões “fora do relvado”. 

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Mas os Lisboa Devils estavam a andar e ninguém os conseguiria parar. 

Passados 9 anos da sua fundação, os Devils contam com três títulos de campeão, numa das eras mais competitivas da Liga Portuguesa. Mas jamais irei medir o sucesso dos Devils apenas pelo que se passa dentro de campo – é um fator importante (fundamental) mas não o único. Quem segue e gosta de Futebol Americano sabe que o sucesso de uma equipa não se faz no imediato. Ao contrário do que se passa no futebol, onde os treinadores são trucidados em poucas semanas ou meses, no Futebol Americano os projetos que procuram a vitória tendem a ser, na sua maioria, a médio/longo-prazo. Por isso preferimos começar a construção desta casa pelos seus alicerces e não pelo telhado.

Aqui formámos e formamos campeões. Damos a todos os atletas as mesmas oportunidades. Recebemos de braços abertos jovens e menos jovens. Com experiência ou sem experiência. Tornamos treinadores os jogadores que penduram as chuteiras. Criamos talento. Exportamos talento. E por isso, e muito mais, somos respeitados, mas também invejados dentro e fora de campo. 

A História dos Devils é a história de um grupo de pessoas que sempre quis mais e melhor. Que lutou contra (quase) tudo e (quase) todos. Que pediu mudanças e progresso. Nem sempre o conseguimos, é verdade. Sempre tentámos, sempre tentaremos. Mas nunca, nunca desistimos!

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André Amorim, treinador da equipa nos primeiros anos, escreve:

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“Lisboa Devils, uma ideia conquistadora”.

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(…)

Os Lisboa Devils surgiram de uma ideia de Duarte Hipólito Carreira que sentiu que havia espaço em Portugal para fazer mais no domínio do Futebol Americano, por isso disponibilizou-se para criar um projeto novo, um projeto inovador e onde a disrupção fosse um dos ingredientes principais neste clube de Futebol Americano.

Qualquer ideia só pode ganhar dimensão se houver o devido contágio e, foi exatamente isso que foi feito junto de Aníbal Oliveira e junto de André Amorim – quem escreve este texto.

Quando ouvi falar dos Devils pela primeira vez, os Devils ainda não tinham o seu nome definido, mas tinham a ideia pensada, algo trabalhada e já com um plano de ação em mente. No entanto posso-vos dizer que algo que teve de ser feito de forma bastante ardilosa foi navegar o caos de criar um projeto desportivo em Portugal, praticamente sem apoios e apenas assente na paixão pelo desporto e por fazer as coisas acontecerem.

Os primeiros tempos foram extremamente complexos, vimo-nos obrigados ao improviso, a questionar se a ideia tinha pernas para andar e se conseguiríamos realmente fazer as coisas acontecer. Todas as dúvidas acabavam por ser ultrapassadas com a crença de que algo especial estava a ser feito.

Depois de a ideia ter sido devidamente contagiada nasceu a necessidade imperativa de desenhar um plano, mas acima de tudo trabalhar esse plano. Foi isso que foi feito com o plano dos três C’s, um por cada ano de idade do clube, que foram a base estratégica do desenvolvimento dos Lisboa Devils.

O primeiro C remeteu-nos para a Criação, a necessidade de apostar em comunicar o clube, desenvolver a marca, atrair membros para o clube, eventualmente patrocinadores, desenvolver parcerias e o plano desportivo a ser um alinhamento secundário para aquilo que eram as aspirações iniciais.

O segundo C levou-nos para a necessidade de Consolidação, vontade de identificar fragilidades dentro do clube, encontrar forma de melhorar, aposta mais sólida na vertente desportiva e começar a traduzir as vitórias fora do relvado em vitórias dentro do mesmo.

Depois de dois anos focados no C da Criação e no C da Consolidação, nascia a necessidade do terceiro C nos levar guiar para a Conquista. Algo que sempre foi visto como algo natural, um justo reflexo ao trabalho desenvolvido nos primeiros anos e onde os títulos e feitos seriam a consequência e motivo de celebração dentro do clube.

Tive a oportunidade de liderar os Lisboa Devils durante mais de 50 jogos na Liga Portuguesa de Futebol Americano, tive a oportunidade de celebrar dois dos três títulos nacionais da equipa, ao longo de quase 10 anos de história, mas acima de tudo tive a oportunidade de partilhar a paixão por este desporto com centenas de outras pessoas que acreditaram nesta ideia.

Não sei onde o futuro dos Lisboa Devils os irá levar, mas sei que as suas fundações foram trabalhadas para que o sucesso seja uma consequência natural e um motivo de celebração.

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Fernando Curado Matos, The hell is empty… All Devils are here, 2022

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Fernando Curado Matos nasceu em 1953 em Moscavide.

Trabalha como fotógrafo freelancer, em fotojornalismo de desporto e como professor de fotografia. Tem a carteira Profissional de Jornalista CCPJ, (Comissão da Carteira Profissional de Jornalista)

Foi aluno na Escola António Arroio onde concluiu o curso de Pintura e o curso Complementar de Imagem.

Concluiu o Curso Profissional de Fotografia da Escola, Oficina da Imagem n onde foi diretor do curso Profissional de fotografia.

Foi membro fundador do Grupo Íris participando nas exposições e nos livros editados pelo grupo.

Em 1986, recebeu um subsídio de trabalho da Fundação Calouste Gulbenkian, para uma pesquisa estética em fotografia, onde expôs esse trabalho, “Corpo da Terra”.

Edições e Publicações:

Portfólios para as Câmaras Municipais de Loures e da Guarda, Centro de Estudos Ibéricos e LTE /EDP (Eletricidade de Portugal). Tem diversas imagens publicadas em revistas e jornais nacionais e estrangeiros. Monografias do concelho de Loures e Vendas Novas. Colaboração fotográfica: Livro História e Cultura Judaica, Guarda, 1999. Corpo da Terra, 1991; Prata Negra, 1992; Espaço Cénico e As Pedras e o Tempo, 1993; Sabor a Sal e Lisboa Qualquer lugar 1994; Rostos de Pedra, 1995; Made in U.S.A., Lisboa, 1996; Outros Lugares – Vale do Tejo, 1997; Tajo Tejo – Doze Objectivos Fotográficos, Madrid, 1998; Margem da Ausência, 1999; Um País de Longínquas Fronteiras, 2000. Guarda Um (E)Terno Olhar, 2008, Leite Cardo e Mãos Frias, o queijo da Serra da Estrela no Concelho da Guarda, 2010.Papagaios Pelos Ares, Alcochete, 2010. Atrelagem de tradição-2011/2019. Desporto e Movimento, A Arte Fotografar a Preto e Branco e O Nosso Olha no Mundo.

Exposições:

Expõe regularmente desde 1972 tendo realizado cerca de 30 exposições individuais e participado em várias exposições coletivas em Portugal e no estrangeiro.

Tem diversos trabalhos seus em museus e coleções particulares em Portugal e no estrangeiro: Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian; Ministério da Cultura / Instituto Camões; Museu Municipal de Loures; L.T.E. Eletricidade de Lisboa e Vale do Tejo; Encontros da Imagem, Braga; Fundação PLMJ, Lisboa; Musée de la Photographie de Charleroi, Bélgica; Musée Nicephore Niépce, Chalon-sur-Saône, França; Centre Culturel André Malraux, Nancy, França; Galerie du Château d´Eau, Toulouse, França; Museu de Fotografia Contemporânea Ken Damy, Brescia, Itália; Musée d´Elysée pour la Photographie, Lausanne, Suíça.

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Pode saber mais sobre os Lisboa Devils, aqui (Facebook), sobre a obra de Fernando Curado Matos, aqui (FF) e aqui (Facebook).

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Cortesia: Fernando Curado Matos.

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