RICARDO LOPES, INTERIOR
Bolsa Estação Imagem 2020-2022 Coimbra. A exposição está patente no CPF – Centro Português de Fotografia, de 19 de novembro de 2022 a 5 de fevereiro de 2023.
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Sobre a série escreve o autor:
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Cinquenta anos volvidos, a região centro de Portugal continua a debater-se com um fenómeno de despovoamento que atingiu este território em força a partir da década de 1960. Este êxodo rural foi impulsionado pela pobreza que se fazia sentir durante a ditadura do Estado Novo, aliada às já difíceis condições económicas da agricultura de subsistência. Este é um território de micro-propriedade, solos pouco férteis e pouco propício à mecanização. A sobrevivência das famílias e os rituais sociais estavam intimamente ligados à produção artesanal de azeite, cereais e queijo. Em 1974, com a abertura do país à democracia, os modos de vida alteraram-se. Os jovens que não foram levados pela emigração para o centro da Europa movimentaram-se em direcção ao litoral industrializado e aí se estabeleceram em busca de melhores oportunidades de emprego, educação e acesso a serviços e infra-estruturas. Hoje, o Interior do país é habitado por uma população envelhecida e dispersa. As tradições rurais e conhecimento popular estão em iminente risco de desaparecimento. A inviabilidade económica decorrente da fragmentação da propriedade agrícola e a indiferença dos herdeiros proprietários das terras levou a um crescimento florestal desorganizado que assola o país com incêndios incontroláveis. Nesta zona em particular, arderam, em 2017, quase 300 mil hectares de floresta, e mais de 100 pessoas morreram nos incêndios florestais em Portugal. Este é um país à vista de todos, que se perde no esquecimento dos que habitam longe dali. Está camuflado e negligenciado pelo poder dos pólos habitacionais do litoral. Mas ainda há quem continue a sentir estes locais como uma casa. Estas são as suas histórias. Mundialmente, 55% da população vive em áreas urbanas. Prevê-se que a proporção de habitantes em áreas urbanas continue a aumentar, especialmente em países em desenvolvimento, e que atinja os 68% a nível mundial em 2050, segundo a edição de 2018 do relatório «Perspectivas de Urbanização Mundial das Nações Unidas».
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Junho de 2022
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Ricardo Lopes, Interior.
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António Bracons, Aspetos da exposição, Coimbra, 2022
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A exposição de Ricardo Lopes, “Interior”, Bolsa Estação Imagem 2020-2022 Coimbra, esteve patente no âmbito do Prémio Estação Imagem 2022 Coimbra, no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, de 13 de setembro a 30 de outubro de 2022 e está patente no Porto, no CPF – Centro Português de Fotografia, no Largo Amor de Perdição, de 19 de novembro de 2022 a 5 de fevereiro de 2023 (inicialmente até 22.01).
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Ricardo Lopes Nasceu em Lisboa, em 1990.
Descobriu a fotografia de reportagem em 2016 e aprendeu a fotografar de forma autodidacta com uma câmara analógica de 35mm, revelando e ampliando o seu trabalho num laboratório improvisado na casa de banho.
Em 2017, estudou Fotojornalismo no Cenjor – Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas e, no mesmo ano, começou a colaborar com o grupo Global Media, publicando trabalhos nos diários do grupo: Diário de Notícias e Jornal de Notícias. É colaborador do jornal Público e do Expresso, onde faz a cobertura dos temas mais variados para a edição diária e respectivos suplementos semanais dos jornais.
Nomeado para a Magnum Photos Portfolio Review e Canon Student Program no Visa Pour L’Image 2017. Finalista do concurso LensCulture Portrait Awards 2019. Vencedor do Prémio Estação Imagem 2019, na categoria de Retrato, assim como da Bolsa Estação Imagem em 2020. Actualmente trabalha como fotógrafo freelancer.
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Pode conhecer melhor a obra de Ricardo Lopes aqui.
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