RUI LUÍS, ALEXANDRE DE MAGALHÃES E LARA LIMAVERDE, RESPIRAR . 1

Uma exposição do projecto CELEUMA – Residências criativas, iniciativa da Associação de Fotografia Experimental TIRA-OLHOS, integrou o Analógica – Festival de Fotografia, na Chamusca. Fotografia de Rui Luís, Alexandre de Magalhães e Lara Limaverde, entre outros.

.

.

.

Embora já no ano de 2023, gostava de trazer aqui uma exposição que teve lugar em 2022, entre 24 de setembro a 29 de outubro, integrada no ANALÓGICA – Festival de Fotografia, na Chamusca.

Foi com especial surpresa que encontrei na Chamusca esta exposição, no acolhedor espaço de O Lagar, antigo lagar de azeite, transformado em espaço expositivo – o núcleo museológico – e espaço de centro de dia, o restante espaço. A exposição, bem como as outras que integraram o ANALÓGICA, representaram a oportunidade de uma comunidade ver Fotografia (com ‘F’ ‘grande’), visitando as exposições e outros eventos, não só a comunidade, mas também a população, nomeadamente as escolas básicas.

A disponibilidade de tempo e outros eventos que, entretanto, fui publicando, levaram ao adiar esta exposição, mas a qualidade dos trabalhos apresentados, justifica a sua apresentação. Dado o conjunto de portfólios presentes, divido em 3 partes, seguindo o percurso expositivo.

A exposição integrou trabalhos de Rui Luís, Alexandre de Magalhães, Lara Limaverde, Isabel Dantas dos Reis, Beatriz Areias, Alice WR, Manuela Vaz, Ana Caetano, Helena Ferreira, Sandra Teixeira, Susana Paiva. Mostro hoje as obras de Rui Luís, Alexandre de Magalhães e Lara Limaverde.

.

.

.

Escreve Sofia Silva, do projecto Celeuma:

.

A exposição RESPIRAR reúne algumas das obras criadas durante a primeira edição do projecto CELEUMA – residência criativa, que decorreu durante a Primavera de 2022.

Este projecto é uma iniciativa da Associação de Fotografia Experimental TIRA-OLHOS, com origem num lugar de afectos. Falamos daqueles afectos que mexem com o corpo todo, que achincalham a alma e nos revolvem as vísceras, antes de nos iluminarem com significados e significantes que julgáramos até então conhecer. Falamos de uma espécie de hiato que nos atinge quando entre a vida e a morte se revela a palavra ‘amor’. Cenas densas, sabemos disso. Digerimos: parámos, respirámos e, com o objectivo de partilhar essa experiência e proporcionar um espaço de retiro, pensamos a Celeuma como uma zona temporária de incentivo ao recolhimento e a dinâmicas mais amigas da criatividade.

Situada num espaço rural, na Freguesia da Cela, concelho de Alcobaça, nesta primeira edição a casa recebeu 13 artistas corajosxs, decididxs a participar num projecto sem histórico e a embarcar numa experiência cujo lema – a potência do indivíduo é a potência do colectivo – anunciava uma viagem algo estranha. Mas a premissa era simples: uma vez a salvo das dinâmicas frenéticas e desconectadas do quotidiano, xs artistas foram convidadxs a deixarem-se contaminar pela criação dx residente anterior e a usufruir de um outro enquadramento temporal.

À medida que o projecto ia ganhando vida, também a aura do espaço nos ia surpreendendo. Apesar de xs artistas não se cruzarem na casa e de cada um/a contactar apenas com o projecto dx residente anterior, foi apenas quando o grupo reuniu pela primeira vez, no final do ciclo de residências, que nos espantamos com os fios condutores: Os vestígios da natureza, os espasmos da máquina de escrever, a intensidade do azul da Prússia, a profundidade do negro carvão, o ruído impactante do silêncio e o ritmo inegável do vento.

Por sugestão de uma das residentes participantes, a artista Isabel Dantas dos Reis – por sinal organizadora do Festival Analógica – começámos a namorar a ideia de preparar uma exposição digna desse contexto. Falou-se do espaço O Lagar, na Chamusca, e houve quórum. Em consonância com o momento em que a Celeuma começa a abrir as portas a uma segunda vaga de residentes, parecia-nos adequado celebrar o final desta experiência colectiva. Contudo, hoje, ao entrarmos no espaço O Lagar, não resistimos a sentir que esta exposição é, antes, o princípio de qualquer coisa. Uma outra onda de afectos se revela. Aquece-nos, inquieta-nos, desperta-nos …

.

.

Ao entrarmos no espaço, numa sala que se afigura como ante-câmara, encontramos as obras de dois artistas: Rui Luís e Alexandre de Magalhães.

.

.

Rui Luís, Estilhaço da Liberdade

.

.

À direita, Estilhaço da Liberdade, uma conversa de Luiza Neto Jorge com Rainer Maria Rilke foi o projecto desenvolvido por Rui Luís na CELEUMA, curiosamente aí passando e celebrando essa data histórica que é o 25 de Abril. Deambulando pelos espaços circundantes, nomeadamente entre a Cela Nova, o Casal da Maceda e a Cela Velha, Rui foi encontrando vestígios da tumulta que marca esse período revolucionário: sangue encrustrado em betão, marcas escondidas por entre a vegetação, paragens desabitadas e memórias desencontradas.

.

.

.

Alexandre de Magalhães, Study to Become a Bird

.

.

Ainda na ante-câmara vislumbramos um esboço do trabalho produzido pelo residente-piloto Alexandre de Magalhães, aquele que assumiu o risco de pisar terreno desconhecido. Em Study to Become a Bird, Alexandre revela alguns desses encontros furtuitos com o silêncio, o noturno e o vazio. Munido da imaginação e de um universo de representação sempre muito próximo do cinematográfico, o artista foi-se deixando seduzir pelo território circundante.

.

.

Entrando no espaço amplo d’O Lagar, três zonas distintas se apresentam: uma zona de instalação, uma outra com mesas e uma parede expositiva.

.

.

.

Lara Limaverde, Quanto Tempo Dura a Ausência? (Da ausência e Do Tempo)

.

.

Em formato instalação, Lara Limaverde expõe o projecto Quanto Tempo Dura a Ausência? (Da ausência e Do Tempo), uma sonata de reflexos internos e externos, memórias profundas e movimentos invertidos. Entregando-se à contemplação e à experiência do burbulhar criativo, Lara foi abraçando o desejo da sublimação e arriscando com a matéria, partilhando por fim uma obra articulada entre o preenchimento e a ausência.

.

.

.

.

“Respirar”, com fotografia de Rui Luís, Alexandre de Magalhães, Lara Limaverde, Isabel Dantas dos Reis, Beatriz Areias, Alice WR, Manuela Vaz, Ana Caetano, Helena Ferreira, Sandra Teixeira e Susana Paiva foi uma exposição do projecto CELEUMA – residências criativas, iniciativa da Associação de Fotografia Experimental TIRA-OLHOS, integrou o ANALÓGICA – Festival de Fotografia, na Chamusca, esteve patente n’ O Lagar, na Rua Dr. Félix Pereira, 72, na Chamusca, de 24 de setembro a 29 de outubro de 2022.

.

.

.

Fotografias da exposição de António Bracons.

.

Pode ver a segunda e terceira parte sobre esta exposição, no FF, aqui e aqui.

.

.

.