AAVV, QUE CIDADES INVISÍVEIS?
Exposição dos alunos de Fotografia da Universidade Sénior da Ajuda, patente no Mercado da Boa Hora, na Ajuda, em Lisboa, de 18 de novembro a 16 de dezembro de 2022.
Fotografia de: Albano Ferreira, Alexandre Justino, António Agostinho, António Fonseca, Manuela Nascimento, Maria Agostinho, Maria da Graça Henriques.
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As Universidades ou Academias Séniores são espaços de encontro, de aprendizagem, de lazer. Destinadas aos mais velhos, permitem-lhes, em tempo de reforma, dedicarem-se a aprendizagens, hobbies, gostos ou mesmo paixões, para as quais antes não tiveram tempo. Podem agora aprender, dedicar-se, aperfeiçoar-se. Uma das disciplinas da Universidade Sénior da Ajuda é Fotografia, sendo o fotógrafo José Morais o professor, que hoje partilha com o Fascínio da Fotografia a exposição dos seus alunos: “Que Cidades Invisíveis?”
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Pedro Isidoro, professor de História da Arte na Universidade Sénior da Ajuda, regista:
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No Mercado da Boa Hora, freguesia da Ajuda, Lisboa, está patente a exposição fotográfica “Que Cidades Invisíveis?”, um belíssimo trabalho dos nossos caros alunos, e do professor de Fotografia José Morais.
“As cidades são tão mais invisíveis quanto maiores forem”.
John Berger escreveu que “só vemos aquilo para que olhamos. Olhar é um acto de escolha”. E ao olhar para estas fotografias contrariamos Berger. Vemos o que olhamos e somos convidados a olhar para o que não vemos quando “olhamos”. Somos convidados a ver pelo olhar dos outros, através das suas fotografias.
Parabéns José Morais, parabéns aos nossos alunos e alunas, que nos trazem o ver deles sobre o que todos olhamos.
A não perder.
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Adriana Alves escreve:
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Que Cidades Invisíveis?
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As cidades são tão mais invisíveis quanto maiores forem.
São invisíveis no seu todo e em cada uma das suas partes.
Na verdade, o Homem imagina mais uma cidade do que a conhece, “(…) Assim – há quem diga – confirma-se a hipótese de que cada homem traz na mente uma cidade feita só de diferenças, uma cidade sem figuras e sem forma (…)”.
Para colocarmos uma cidade ao alcance das pessoas, tendemos a reduzi-la a símbolos: o ponto mais alto, o monumento mais imponente. Mas não é isto que faz uma cidade.
Como Ítalo Calvino referiu no seu aclamado livro As Cidades Invisíveis, “(…) Não é disto que é feita a cidade, mas sim de relações entre as medidas do seu espaço e os acontecimentos do seu passado”.
O livro As Cidades Invisíveis inspirou os fotógrafos a desconstruir criativamente o Palácio Nacional da Ajuda e a captá-lo de diferentes pontos de vista, a partir dos 4 pontos cardeais, ora de longe, ora de perto, ora de muito perto.
Através das imagens, os fotógrafos convidam os visitantes a descobrir as suas próprias cidades, sem limite de espaço, tempo ou ordem.
E aqui temos um paradoxo: as cidades são visíveis e fotografáveis e, contudo, tendem a ser invisíveis ao olhar quotidiano.
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17/10/2022
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Albano Ferreira, Alexandre Justino, António Agostinho, António Fonseca, Manuela Nascimento, Maria Agostinho, Maria da Graça Henriques, Que Cidades Invisíveis?, 2022
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A exposição “Que Cidades Invisíveis?”, dos alunos de Fotografia da Universidade Sénior da Ajuda: Albano Ferreira, Alexandre Justino, António Agostinho, António Fonseca, Manuela Nascimento, Maria Agostinho, Maria da Graça Henriques, está patente no Mercado da Boa Hora, na freguesia da Ajuda, em Lisboa, de 18 de novembro a 16 de dezembro de 2022.
“Trata-se de uma exposição colectiva pelo que optámos por não identificar na exposição a autoria de cada imagem.”
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Cortesia: José Morais.
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