ANTÓNIO HOMEM CARDOSO, RETRATOS DE PALAVRAS, 2022
Exposição no Arquivo Municipal de Loures, na R. Cesário Verde, de 21 de julho a 30 de novembro de 2022.
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António Homem Cardoso
Retratos de palavras
Fotografia: António Homem Cardoso / Texto: António Barreto, Filomena Cunha, António Homem Cardoso
Loures: Câmara Municipal de Loures / Julho . 2022
Português / 21,1 x 29,7 cm / 84 pp, não numeradas
Brochura
ISBN: n.d.
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Este é também um lugar de poesia.
E o Homem Cardoso um poeta que nos fotografa por dentro. Tenho a sensação que deixei aqui um pouco da minha alma. E saio mais rico.
Gostei muito desta hora de sinergia. E foi uma honra ser retratado por si.
Um abraço de muita admiração.
Manuel Alegre
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Para o Homem Cardoso.
Homem lente, homem máquina
homem cão,
homem humano.
José Carlos Ary dos Santos
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Fidalgo Pedrosa, António Homem Cardoso e António Bracons, Loures, 2022
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António Barreto assina “De Cara a Cara. Os retratos de António Homem Cardoso”. Trarei aqui esse texto em breve, quando apresentar o livro “500 retratos da minha vida”.
Hoje deixo o ensaio de Filomena Cunha, curadora da exposição:
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A fotografia é da ordem do inclassificável
pelo facto de reproduzir um momento que, repetido mecanicamente,
jamais se reeditará existencialmente.
Roland Barthes
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NARRATIVA DO RETRATO – A LEMBRANÇA DO AUSENTE
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Ao percorrer o olhar pelos retratos da coleção do fotógrafo António Homem Cardoso, para além do mergulho numa galeria de arte ao vivo, a disposição e arrumação mental remete-nos para uma proposta de aproximação à lógica aristotélica do estudo das Categorias, visando a aplicação de conceitos com base no estudo e na organização do conhecimento do mundo em definições de género (espécie, diferença, acidente, etc.), visando um sistema organizativo de todas as coisas, para (neste caso, o público) poder elaborar definições a seu respeito, numa quase aproximação ao conhecimento científico, com base nas diferenças específicas que fazem das divisões e classificações uma teoria de aproximação e ordenamento do mundo.
Se a imagem (neste caso o retrato) é o congelamento de um fugaz e subtil fragmento do tempo, como manter a essência perante a contingência do movimento e da mudança, consequência do devir do tempo?
Perante a questão se o ser (objeto) muda ou o ser é (e se é, não muda), como podem os seres mudar e ao mesmo tempo ser? Parece-nos que, face a este paradoxo, a hipótese aristotélica responde com a teoria do ato e da potência, propondo a conciliação do ser e do devir cósmico, que se espelha e concentra na fotografia.
O retrato de uma pessoa (captura do traço que foi naquele momento e a essência do que a pessoa é) remete para a questão deste paradoxo. entre movimento (mudanças) e constância. Perante a aparente contradição do mobilismo heraclitiano (onde tudo flui e nada permanece) e do monismo de Parménides (em que o ser é eterno, imutável e indivisível), a lógica aristotélica conclui a concordância da existência do ser com o movimento – ser é o que existe em ato e que também pode vir a ser em potência a substância (matéria modificada pela forma) mantém-se una, apesar de apresentar certas características em movimento. pois este é a realização do que está em potência, é a atualização em ato de algo que pré-existente no ente.
Esta galeria de retratos propõe uma aproximação ao conhecimento da realidade, sublimando e assumindo a transversal teoria platónica, afastando as falsas sombras projetadas, cópias da realidade particular dos objetos do mundo sensível. mutáveis e imperfeitas, vistas da caverna e permitindo o privilégio de alcançar as realidades distintas. as ideias, imateriais, imutáveis e perfeitas, as essências inteligíveis. Se os sentidos só nos possibilitam o conhecimento das coisas belas e não a própria beleza, é apenas através desta proposta dirigida mais a um nível racional e firme do que à fugaz sensibilidade, que podemos aceder ao belo sem si.
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Nos retratos de António Homem Cardoso assiste-se à simultaneidade temporal do movimento e do devir da mudança, com tudo de essencial que há para dizer sobre uma pessoa. Essa síntese única está aí, diante de nós, coincidindo o que a coisa é, e o que será (numa uma compilação invisível de certeza na possibilidade do conhecimento e na confiança incondicional no ser humano – confirmação de existência de algo e capacidade de ser). Para além de ter sido, a coisa é, na coincidência que se tornou na captura do pathos da sua essência, emoção imensa que a obra de arte desperta no espetador.
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A captura da individualidade, a extração do único, do essencial, que nos torna a nós observadores especiais destas expressões, dão-nos o privilégio da partilha, da comunhão e do retorno. O retrato é-nos oferecido como um certificado de presença, testemunha do privado e do íntimo, da personalidade e da emoção, enfatizando o indivíduo, reposicionando a focalização nos aspetos da personalidade e carácter, onde o ser poderá ser indispensável, mas a alma situa-se no domínio do insubstituível.
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O retrato é um desafio questionável que o artista transforma com margens múltiplas de leituras e possibilidades, sobre a aparência e a alma. As interpretações podem ser distintas, mas a essência não parece mutável.
Mais que enaltecer a importância e a excelência do retratado, o fotógrafo insinua que o olhar do objeto se dirige a nós, distribuindo poder e importância, numa tríplice relação, equilibrada e qualitativa, entre objeto, fotógrafo e observador, numa satisfatória ilusão de paridade e protagonismo, onde apreender, aprisionar, manter e conservar um momento da história, é uma possibilidade e partilha de todos.
A obra de António Homem Cardoso conjuga a excelência do fazer, da técnica e da arte. Perante o real de cada um diante de si, há a generosidade e a excelência da perspetiva – descobrir o que ninguém supôs existir. Então os retratos tornam-se segredos, espelhos, mapas do mundo material e espiritual, contendo uma explosão de significados, subtis informações que escapam e moldam o olhar, definem a identidade, que caracterizam a cultura, a história e a época, onde jamais se pode confundir a imagem com a essência da coisa.
O retrato é o que permanece, seguro, retém o real e tenta captar o uno e a permanência, resgatando-o à contingência, numa seleção e interpretação da verdade escorregadia do acaso.
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António Homem Cardoso, Retratos de Palavras, 2022
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Este livro é o catálogo da exposição patente no Arquivo Municipal de Loures, junto à Biblioteca Municipal.
A exposição centra-se nos retratos de escritores: poetas, romancistas, ensaístas… Fotografias que António Homem Cardoso realizou ao longo dos cerca de 50 anos de vida fotográfica. Vemo-los lado a lado, como que em livros abertos perante o nosso olhar, que se dão a ler na plenitude das suas expressões: olhar, gesto, atitude, de que a escrita é um reflexo.
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António Bracons, António Homem Cardoso e Aspetos da exposição, 2022
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A exposição de António Homem Cardoso, Retratos de Palavras, está patente no Arquivo Municipal de Loures, na R. Cesário Verde, em Loures, de 21 de julho a 30 de novembro de 2022 (2.ª a 6.ª f., 9h00 – 12h30, 14h00 – 17h00).
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António Homem Cardoso
Nasce em São Pedro do Sul, a 11 de janeiro de 1945. Tira o Curso de Operador Foto-Cine, nos Serviços Cartográficos do Exército. Inicia a carreira de repórter fotográfico, com colaboração nos jornais diários e nas principais revistas portuguesas de informação. Fez várias reportagens em África e na Europa.
Inicia a sua carreira de fotógrafo profissional de publicidade, moda e editorial, montando o seu Estúdio no início dos anos 1970. Conhece o mestre Augusto Cabrita que influencia extraordinariamente a sua carreira e o convida para a realização em coautoria de diversos trabalhos, entre os quais o livro Cozinha Tradicional Portuguesa.
A partir de 1974, e até a atualidade participa como autor de retratos oficiais de muitas personalidades de diversas áreas: política, artes, ciências, entre outras. Em 1980 começa uma parceria com o arquiteto Hélder Carita, na defesa e mostra do património cultural português, com a publicação de diversos livros, entre os quais o Tratado da Grandeza dos Jardins em Portugal.
Realizou imagens que marcaram a discografia portuguesa, como Trovante. Madredeus, Rui Veloso, José Cid, Marco Paulo, Frei Hermano da Câmara. Em 1986, foi diretor das revistas Foto e Super Foto Prática e de diversas publicações de índole generalista. Escreveu textos de paixão sobre diversas personalidades com quem manteve relações excepcionais, como por exemplo Amália Rodrigues.
Responsável pelos melhores catálogos portugueses de Vinhos e Vidros: J. Portugal Ramos, Esporão, Malhadinha Nova, José Maria da Fonseca, Vista Alegre, Atlantis. Autor de coleçöes filatélicas sobre gastronomia e arquitetura tradicional portuguesa. Fotógrafo oficial da Casa Real Portuguesa.
Embaixador da Fujifilm Portugal.
Primeiro Diretor de Fotografia e Membro da SPA.
Presidente da AFIMPEP, vice-presidente da PIRAMIDE – Associação Internacional de Fotógrafos.
105 livros publicados.
Apoia diversas ações Humanitárias – Associação Abraço, Cadim-Síndrome de Down, Causa-Timor/Leste, Associação Sol, AMI, Associação portuguesa da Luta Contra a Sida, revista Cais, Associação Nariz Vermelho.
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Mais sobre António Homem Cardoso no FF, aqui.
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