MAFALDA RAKOS, I WANT TO DISAPPEAR
Exposição do IMAGO LISBOA Photo Festival, no IPCI – Instituto de Produção Cultural & Imagem, de 30 de setembro a 29 de outubro de 2022.
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Esta quarta edição do IMAGO LISBOA Photo Festival centra-se nos “Disturbios”. A exposição de Mafalda Rakoš, “I want to disappear”, “Eu quero desaparecer”, aborda os distúrbios alimentares, foi desenvolvida entre 2013 e 2018. A par da fotografia, a autora apresenta o livro do projeto.
A autora escreve:
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Os distúrbios alimentares não se cingem à relação com a comida ou ao desejo de ser magro, e são muito mais comuns do que é geralmente assumido. Uma em cada dez mulheres, estima-se atualmente, sofre de anorexia, bulimia, transtorno da compulsão alimentar periódica ou outras formas de distúrbio alimentar. Estudos confirmam que as pessoas que vivem em países industrializados estão mais em risco de ser afetadas. No entanto, as causas e efeitos destas doenças são ainda estigmatizados e omitidos do debate social.
Em Eu quero desaparecer, 20 mulheres jovens partilham os seus testemunhos íntimos. Como é ser afetada por estas doenças? Como é que este conflito se relaciona com a nossa própria identidade (sexual), e porque é que ter controle sobre o nosso corpo nos ajuda a sentirmo-nos “melhor”, mesmo que por pouco tempo?
No cerne deste projeto, em parte autobiográfico, estão várias entrevistas e um interesse antropológico no fenómeno. Mafalda Rakoš abordou este assunto delicado através de uma metodologia colaborativa: desenhos, textos, esculturas e fotografias tiradas pelas protagonistas e pela fotógrafa são dispostas umas por cima das outras em camadas no livro e na parede da instalação.
Ser capaz de olhar para a experiência em vez de ser dominada por ela – um momento de emancipação? Logo, uma nova perspectiva é revelada: os distúrbios alimentares nunca são sinal de fraqueza. E não estamos de modo nenhum sozinhos nesta luta.
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Mafalda Rakoš, Eu quero desaparecer, 2013-2018
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A exposição de Mafalda Rakos, “I Want to Disappear”, “Eu quero desaparecer”, integra o IMAGO LISBOA Photo Festival, está patente em Lisboa, no IPCI – Instituto de Produção Cultural & Imagem, na Avenida Conde Valbom 102B, de 30 de setembro a 29 de outubro de 2022 (Terça a sexta: 15:00-23:00, Sábado: 10:00-13:00 / 14:30-17:30).
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António Bracons, Aspetos da exposição, 2022
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Mafalda Rakoš nasceu em Viena em 1994. Além dos estudos na Academia de Belas Artes, tem também um diploma em Estudos Culturais e Antropologia Social. Ensinou durante dois anos na Real Academia de Arte, em Haia. O seu trabalho foi nomeado e homenageado várias vezes em concursos internacionais, e exposto em museus tais como o Nederlands Fotomuseum, em Roterdão, o Benaki Museum, em Atenas e o Museu de Arte Contemporânea de Zagreb, e também noutros contextos não artísticos, como conferências médicas sobre distúrbios alimentares ou no Hospital Geral de Viena. As suas fotos foram publicadas em jornais e revistas como o Die Zeit, Volkskrant Magazin ou o Süddeutsche Zeitung Magazin e por organizações como o The Wellcome Collection. Mafalda Rakoš vive e trabalha entre Viena e Amesterdão. O seu terceiro livro de fotografia A Story to Tell (Uma história para contar) foi publicado em 2020 pela Fotohof.
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Sobre esta 4.ª edição do IMAGO LISBOA, escreve a organização:
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Em 2022, a 4ª edição, gravita em torno do conceito de Distúrbios.
A atual sociedade tem vivido, ciclicamente, momentos perturbadores de diferentes intensidades e tipologias. Naturalmente que a atual pandemia foi, provavelmente, o colmatar do maior distúrbio do pós II Guerra Mundial. A sua dimensão teve uma globalidade nunca outrora existente, revelando muitas das fragilidades dos sistemas políticos e económicos, mas, também revelando a capacidade de resposta da comunidade científica internacional. Mas para além desta pandemia, são muitos outros distúrbios que o planeta enfrenta. A poluição e recorrentes desastres ecológicos têm estado na agenda de várias cimeiras; a violência social e doméstica tem feito várias manchetes; os distúrbios mentais e físicos têm aumentado; as migrações resultantes de fuga às guerras e à escassez de meios de subsistência; escândalos financeiros, são muitos os exemplos de possível abordagem, estudo e reflexão.
Longe estávamos, também, de antever que após a pandemia na Europa regressava a guerra. Mas não é apenas na Europa que esse cenário atormenta a humanidade. Outros palcos, mais longínquos, experimentam diariamente as atrocidades genocidas: Iêmen, Afeganistão, diversos locais na África e outros.
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Mais informação sobre o IMAGO LISBOA Photo Festival, aqui.
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